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À medida que o conhecimento científico se expande e se aprofunda, novas e novas vertentes da realidades vão ganhando contornos mais nítidos. Em seguida, novos empreendimentos são edificados com o intuito de esclarecer mais ainda cada dimensão e categoria de seus múltiplos aspectos, o que permite, muitas vezes, o manuseio das variáveis que dão forma aos objetos. É através delas que os cientistas influenciam a realidade, modificando-a. Em maior ou menor grau, a intenção dos cientistas é agir sobre a realidade para que seja elevado o bem-estar do ser humano e da civilização. Ninguém gera conhecimentos apenas pelo prazer de conhecer. Há, ainda que inconscientemente, um caráter utilitário do ato de conhecer, filosoficamente chamado de natureza teleológica. Ainda que o interesse seja apenas o prazer de conhecer (interesse eminentemente egoísta, por sinal), o próprio prazer passa a ser um fim. Mas é preciso atentar para um aspecto fundamental das tecnologias, que diz respeito aos impactos que elas causam sobre o ambiente.

Vimos que as questões relacionais procuram identificar as influências que uma parte da tecnologia exerce sobre as outras e sobre os seus componentes. É da interação entre as partes e subcomponentes que seus funcionamentos provocam o resultado desejado pela tecnologia. Isso quer dizer que um componente influencia outro para a produção dos benefícios esperados que, por sua vez, vai suprir determinadas necessidades, motivo que levou os cientistas a criarem a invenção. Em muitas e muitas tecnologias é essa a dinâmica desejada. Infelizmente, também muitas vezes, há resultados indesejados que só serão percebidos muito tempo depois. Em algumas vezes, a constatação pode ser desastrosa.

Pode acontecer de os impactos exercidos pelas partes e pela própria tecnologia ultrapassarem os limites para os quais foram projetados. Um grupo de cientistas criou uma tecnologia para emissão de sinais eletromagnéticos para transmissão de dados de um equipamento para outro. O equipamento se fez bem-sucedido e rapidamente foi adotado por toda a empresa. Um dos pesquisadores, em um final de semana, levou o equipamento para casa, com a intenção de adiantar determinados resultados que seriam entregues aos clientes na semana seguinte. Ao ligar o equipamento, seus dois cães saíram em disparada, se recusando a entrar na casa. Não foi difícil perceber que o equipamento provocava danos aos ouvidos dos animais em nível ultrassônico. O equipamento revelou, portanto, um impacto ambiental indesejado.

O que chamamos de ambiente é o entorno operacional da tecnologia. Quando a invenção provoca impacto para além daquele que foi projetado, de fato está mantendo um tipo de relação com o seu ambiente de operação. Por essa razão, é necessário que sejam elaboradas questões de pesquisas com o intuito de identificar os possíveis impactos que a tecnologia poderá causar sobre o seu ambiente. No caso do equipamento ultrassônico, os resultados indesejados poderiam conformar um novo produto, para afugentar cães raivosos, por exemplo. Contudo, os cientistas tiveram que reestudar a tecnologia para retirar aquele impacto indesejado.

Esses impactos podem causar problemas nos operadores humanos, como também nos mecânicos, automáticos e eletrônicos. No caso dos humanos, podem gerar tanto psicopatologias quanto problemas somáticos; no caso de máquinas e equipamentos, os danos podem ser de natureza micro (como microtrincas) e macro (como torsões, oxidações etc.). Mas os impactos não se limitam ao uso da tecnologia. Atualmente se tem percebido um número de crescente de danos ao ambiente externo à área de operações, especialmente depois que a tecnologia precisa ser descontinuada. Tanto é assim que uma nova área da engenharia foi criada e tem se mostrado cada vez mais essencial, que é a logística reversa. O simples fato de descarte da tecnologia já pode ser, por si só, um de seus nocivos impactos.

O que queremos mostrar é que as questões ambientais, que são uma outra forma de questões relacionais, precisam ser colocadas em forma diacrônica, ao longo do tempo. E essa preocupação vale tanto para o impacto que a tecnologia causa quanto pelos que recebe. Muitas vezes o ambiente pode exercer influências tão grandes sobre a invenção que reduz em muito a eficiência de seu funcionamento e também o seu tempo de vida útil. Esses impactos, aliás, representam uma parcela altamente significativa na determinação do prozo de validade de muitos inventos, como é o caso dos alimentos. Assim, elaborar uma matriz de impactos ambientais diacrônica, tanto de seu ambiente de operação quanto de seu ambiente total, é fundamental para que sejam prevenidos os impactos nocivos da tecnologia que se pretende gerar.

Ainda que supostamente os impactos gerados pela tecnologia sejam todos considerados ou inócuos ou benéficos, é recomendável que isso seja feito em forma de laudo. Esses laudos podem ter como foco os ambientes de operação e total, concentrando-se nos operadores, máquinas, equipamentos e recursos da biodiversidade, no caso de descarte e reaproveitamento de peças e componentes. Para cada impacto negativo identificado, uma forma de prevenção e gerenciamento precisa ser especificada. Uma analogia pode ser feita com os produtos perigosos e inflamáveis (na verdade, todos são exemplos de tecnologias criadas). O que importa é que o impacto seja especificado, assim como sua ausência.

As tecnologias são formas através das quais os seres humanos (e outros animais) agem sobre a realidade para suprir suas necessidades. Quando o gorila usa um ramo de árvore para pegar mais formigas do formigueiro, transforma a natureza em tecnologia. É o que similarmente faz o ser humano quando mineraliza os recursos naturais para colocar um artefato para além do sistema solar. Contudo, é preciso estar sempre alerta para os possíveis impactos nocivos que esses artefatos podem causar. As questões ambientais de pesquisa são utilizadas justamente para esse fim.

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