‘Queremos maior transparência’, diz Eduardo Costa

Em entrevista realizada ao programa JC às 15h, na Redação do Jornal do Commercio, o pré-candidato a vice-prefeito do partido NOVO, Eduardo Costa, da chapa com o empresário Romero Reis, falou sobre os motivos que lhe levaram a concorrer ao pleito 2020. Baseado numa proposta de unir a gestão público/privada, o professor  empresário abordou uma das propostas de campanha para a cidade. Com mestrado na área contábil pela  Universidade Federal de Santa Catarina, Eduardo trabalhou na Embraer, onde liderou a implementação das normas de contabilidade internacional (IASB) na filial da transnacional de origem brasileira nos Estados Unidos.  Atuou na IASC (Inter-Agency Standing Committee), e se especializou em transparência de contas públicas. Atualmente, é professor de cursos de graduação e MBA e tem uma empresa de contabilidade. 

JC – Qual será a grande prioridade chapa Romero/Eduardo caso cheguem à prefeitura?

E.C –  Estamos trabalhando juntos com o Romero Reis para apresentar a Manaus as propostas que possam de fato resolver os seus problemas reais da cidade. Nós acreditamos que Manaus hoje e diversas cidades do país, está passando por um problema de gestão. Falta de gestão. É incompetência? Não apenas isso ou falta de vontade. Às vezes são a questão política como a gente mencionou. A pessoa acaba de ser eleita, acaba fazendo diversos favores para poder se eleger. Mas uma vez  mistura da gestão partidária porque aquele padrinho, dono do partido que concede aquela candidatura a pessoa, vai querer cobrar os favores. E acaba se apontando para gerir unidades administrativas da educação, da saúde de diversas áreas, pessoas que não deveriam estar ali. Então a gente tem esse choque de gestão a ser feita, queremos nos aproximar ainda mais do funcionalismo público de Manaus, nós acreditamos muito nele, apesar de termos algumas críticas e questões que acontecem na área pública, nem sempre é culpa de quem é concursado o estar lá de maneira estatutária. Conheço pessoas que são concursadas na prefeitura de Manaus que são competentes. Queremos nos juntar a eles, para eles nos ajudarem a trazer soluções em termos de gestão. Acreditamos que a gestão vai resolver os problemas em diversas áreas, saúde, educação e transporte. 

JC – Como funciona o processo seletivo do Partido NOVO para escolha do candidato e porque você optou em colocar seu nome para formar essa parceria com o Romero Reis?

E.C –  O partido NOVO tem um processo seletivo para escolher os seus candidatos, você informa ao partido que você quer ser candidato e o partido recebe a informação, você entra no processo seletivo que envolve prova e entrevista para analisar se você a problemática daquela candidatura, seja para vereador ou para prefeito, ou vice-prefeitura, como foi o meu caso. Perguntas sobre a cidade, sobre a maneira de solucionar os problemas da cidade, e depois disso, uma banca independente que não tem uma relação a política partidária local, regional, daqui do Amazonas. Eles fazem essa decisão nacionalmente, é uma bancada que é escolhida de maneira aleatória, por consultores que acabam escolhendo o candidato. Qual a vantagem disso e porque eu escolhi o partido NOVO? O grande problema que temos hoje na política do Brasil, na minha humilde opinião, é que nós temos os caciques partidários na nossa política. Quem são os caciques partidários? Eles são donos do partido, são proprietários do partido e eles escolhem quem vai sair candidato. E no partido NOVO não tem isso. Há uma  desconexão, uma separação entre em quem escolhe os candidatos e quem serão os candidatos. Na gestão partidária do que chamamos de “Velha Política”, o candidato às vezes, é o próprio presidente do partido, seja estadual ou municipal. Ou algumas vezes algum indicado ou apadrinhado dele. Isso gera um problema, às vezes a gente não pode perceber, mas gera um problema a longo prazo, porque você acaba não escolhendo um candidato que é melhor para cidade, mas sim candidatos, como é o caso da velha política, que são melhores para quem está ali no seu projeto de poder dentro do seu partido querendo se manter na política. Isso é muito ruim e péssimo para a cidade, então o partido NOVO tem essa vantagem. Eu vi no partido NOVO por ter essa separação, você tem uma certa independência. Isso aconteceu comigo, alguém que nunca participou da política, que colocou o nome e acabou sendo escolhido para ser candidato a vice-prefeito. Sou um cara cristão, conservador e de direita . Nessa ordem. O partido NOVO dá a liberdade para ser todas essas coisas. É um partido a favor do liberalismo econômico. Nós estamos com diversas ideias. Como o vale-creche, que é algo que visa melhorar usando a iniciativa privada, que é a nossa pegada do partido NOVO, para tentar resolver o problema de creche que é um problema do Brasil. Então, a escolha pelo partido NOVO teve essas vertentes, nós queremos fazer uma política diferente, e é muito difícil você se coligar com outros partidos da velha política que não adotam esse tipo de estratégia. Estamos vendo uma aproximação de alguns candidatos querendo seguir esse mesmo caminho, mesmo alguns candidatos de uma política de linha bem antiga, de partidos que a gente pode chamar de tradicionais, nós estamos muito felizes com o nosso posicionamento de se manter numa política firme, fazendo o certo sempre pelo certo em favor da meritocracia, buscando gestão e experiência como o nosso candidato Romero Reis se apresenta. A boa fé e vontade de fazer é muito importante.

JC – O partido NOVO vai usar o fundo partidário?

E.C – Nunca tivemos dúvidas em relação a isso. Nós sempre tivemos uma grande determinação nossa de que não usaremos o fundo partidário. Mas, algumas pessoas até indagam: “Mas, está aprovado, está na lei! Porque não usar até que não seja aprovado?”. Mas, acreditamos que o exemplo arrasta. Então, nós decidimos por não usar o fundo partidário, o fundo eleitoral. Para quem não sabe do que estamos falando, nós temos aí hoje R$ 3 bilhões no nosso país, que são utilizados, são recursos públicos, o dinheiro do povo, para pagar santinho, para pagar bandeira dos candidatos. Quando você ver na rua bandeira, santinhos, esses materiais de campanha de outros políticos, saiba que quem pagou por esse material foi o povo. É um dinheiro que poderia ser utilizado para educação, para saúde, e ele acaba sendo utilizado para fazer campanha. Para manter estruturas partidárias. E o partido NOVO devolveu por meio da sua bancada federal em Brasílias R$ 36 milhões ao Tesouro Nacional, dinheiro fruto desse fundo partidário que cada partido tem direito de acordo com a sua bancada federal. Isso foi devolvido ao tesouro nacional para uma parte ser usado no combate a covid-19, e uma parte à saúde e educação como o governo quiser dispor. Mas não pretendemos usar e não vamos usar. Acredito que nossa campanha precisa ser bancada com recursos próprios.

Jornal do Commercio –  O turismo tem um grande potencial em Manaus. Qual a sua proposta junto com Romero Reis para o turismo da cidade?

Eduardo Costa – Uma coisa muito importante para o turismo especialmente na cidade de Manaus é a segurança. Às vezes pensamos que uma coisa não tem relação a outra, mas a falta de segurança muitas vezes espanta um pouco o turista de fora. Seja interno ou externo. Como nós queremos trabalhar com uma guarda municipal armada, bem preparada e bem treinada, como nosso candidato a prefeito Romero vem abordando, a gente percebe que podemos ajudar de diversas maneiras, seja na parte de câmera de segurança ou um centro integrado de informações. Para ajudar a melhorar os índices de segurança da nossa cidade. Nós temos um ponto, um projeto de segurança muito interessante que vamos divulgar ao longo da nossa trajetória até o pleito do dia 15, que é as estações hidroviárias. Estamos desenvolvendo um projeto com dupla capacidade porque tem a ver com o transporte público e ao mesmo tempo tem a ver com o turismo. Temos aí sete estações espalhadas pela orla de Manaus que começa no Puraquequara e termina na área da Marina do Davi , para fazer o transporte fluvial e construindo estações bem desenvolvidas sem investir dinheiro público com isso, porque isso vai ser feito com uma parceria público/privado. Precisamos encontrar os parceiros para fazer isso dentro da legislação, e a gente acredita que como passa pelo Puraquequara vais passar pelo encontro das águas e o nosso centro histórico, que é um centro que precisa virar de frente pro rio. O centro hoje está de costas pro rio, quem passa pelo centro de barco não consegue ver muita coisa, só consegue ver as costas dos prédios, o máximo ver o porto. Com essa estação, acreditamos que podemos fazer muito pelo centro histórico e esperamos receber bastante cruzeiros por aqui, que a gente consiga fomentar isso. Isso é importante para fomentar o turismo aqui. Caso tenhamos o sucesso de chegar na frente a gente possa implementar isso.

JC – Como dar uma condição para quem explorar o serviço na área do turismo para oferecer um preço justo e ao mesmo tempo competitivo?

E.C – Realmente a viabilidade econômica do projeto é uma problemática, por conta do volume que poderia ser um pouco maior de pessoa, mas não é, apesar da cidade Manaus ser grande. Nós temos ali 350  mil pessoas morando na orla da cidade, mas a questão da parceria público/privado funcionar, é que ela não é apenas a concessão do transporte, a parceria não vai funcionar apenas na exploração dos bilhetes, do transporte dos itens hidroviários, mas também da exploração comercial das estações. Então, nas estações hidroviárias haverá a construção de pequenos shoppings, pequenos centros comerciais que ficarão ali na entrada para servir como ponto. Como Manaus está virada de costa pro rio hoje, essas estações precisam ser feitas de forma adequada. Então onde elas serão construídas, é preciso que elas tenham uma estrutura mínima para fazer essa virada de atenção para quem está passando no rio. Vamos ainda precisar estudar direitinho qual é a vocação de cada região, quais os comércios que tem no entorno de cada estação para não atrapalhar quem já atua nas áreas, fazer um agregado. E também uma questão de marketing. As empresas poderão explorar o marketing dentro dos navios ou dos barcos, e também o marketing nas áreas dos shoppings de maneira diversas. A gente acredita que nesse sentido possa vir a ser economicamente viável. Se necessário, fazer algum tipo de aporte isso precisa ser estudado . O nosso candidato Romero Reis fala muito sobre isso. Se for fazer bem pro nosso transporte público de modo geral, a prefeitura poderá entrando com isso, mas isso vai depender do estudo a ser finalizado, mas acho que isso não seja preciso.

JC –  Qual a proposta para a saúde básica do município?

E.C –  Hoje em dia todo mundo tem um celular, um smartphone com capacidade de aplicativo com diversas funcionalidade. Podemos usar a tecnologia aliada com a saúde, com técnicas de gestão e estratégias que podem ser aplicadas da área privada que podem ser aplicada na área pública para trazer mais eficiência na área da saúde. É preciso ter essas equipes e um mapeamento feito de forma inteligente para poder trabalhar de maneira preventiva a saúde. Precisamos revigorar as casinhas de saúde nos bairros, precisamos ter muita racionalização dos gastos públicos para investir onde realmente precisa, tanto nas caixinhas. É preciso ter posto de saúde e não casinha, para que a gente possa ter saúde de qualidade com equipes bem treinadas e bem geridas usando a tecnologia para ajudar nesse atendimento. O atendimento preventivo ajuda resolver 80% dos casso e gera economia. Investimento na saúde é economia lá na frente.

JC – Como especialista na área de transparência financeira, como você vê atualmente a questão da transparência da prefeitura? O que faria de diferente?

E.C –  O portal de transparência de Manaus ele até que funciona. Digo que até que funciona é porque ali alguns detalhes acabam faltando, mas existe bastante informação. Por exemplo, se você baixar a planilha das pessoas que trabalham na prefeitura você vai ver todas as pessoas que trabalham em Manaus e os cargos.  O portal tem muitos dados e pouca informação, o que a gente precisa saber de fato, quais são as despesas da cidade? Onde a prefeitura está gastando a maior parte de suas despesas? O arcabouço jurídico do Brasil obriga que as prefeituras publiquem os dados, e esses dados estão lá à disposição. Mas, isso pode melhorar bastante. O que o povo quer saber de fato? Quanto está sendo gasto de asfalto esse ano e onde está sendo feito? Durante em que período e que bairros? Essas informações mais detalhada que a população quer não tem. Nós pretendemos detalhar esses gastos. Implantar esse tipo de transparência mais elevada.

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