Quem dança seus males espanta

Hoje, 29, é o Dia Internacional da Dança, uma homenagem à data de nascimento do francês Jean-Georges Noverre (1727/1810), que ousou modernizar a dança no seu tempo simplificando a execução dos passos e tornando sutis os movimentos.

Numa homenagem aos dançarinos do Amazonas, o Jornal do Commercio entrevistou a professora Jeanne Chaves Abreu, da UEA, que começou aprendendo balé, em 1972, e hoje é doutora e mestra em Sociedade e Cultura na Amazônia.

“Comecei estudando balé clássico na escola de Adair Palma, que ficava ali na Epaminondas, perto do Colégio Militar. Depois ele foi embora de Manaus num momento em que Arnaldo Peduto chegava à cidade, vindo do Rio de Janeiro, e abriu uma escola na Lobo d’Almada. A grande diferença é que Arnaldo Peduto era professor de jazz. Foi aí que me apaixonei por esta dança. Fiquei lá com ele como aluna, depois assistente, de 1978 a 1993”, recordou.

Em 1994 Arnaldo Peduto morreu e Jeanne abriu sua própria escola de jazz, a Dance Jazz.

“Arnaldo morreu, mas deixou como legado várias de suas alunas, como Conceição Souza, Monique Andrade e Carmem Arce, dando continuidade ao seu trabalho”, contou.

Jeanne orgulha-se de estar entre os professores pioneiros do curso de dança, da UEA, desde a fundação da Universidade, em 2001.

“Durante oito anos, de 2001 a 2009, consegui manter a minha escola junto com o trabalho na UEA, mas depois o tempo não deu mais e tive que optar em ficar somente na UEA”, contou.

Qualquer um aprende

O curso de dança foi um dos primeiros da UEA. Jeanne calcula que nesses quase 20 anos de existência já formou mais de 200 alunos, a maioria mulheres.

“Mas ultimamente essa questão de gênero está mudando e já tem mais homens de inscrevendo, principalmente querendo aprender danças urbanas. Hoje o preconceito é bem menor, porque antes quando se falava em dança, se imaginava logo o balé clássico, que sempre pareceu mais feminino”, contou.

Basicamente dois estilos de dança são ministrados na UEA, a clássica e a contemporânea. A clássica é usada como base para diferentes tipos de dança como o jazz, o sapateado, e até a contemporânea, e sua influência pode ser encontrada no hip hop, na dança oriental e mesmo na zumba.

“Mas na grade curricular há várias outras disciplinas, como a gestão cultural, na qual o aluno aprende a ser produtor de shows e eventos, bem como, ao longo do curso, ele aprende a didática para a dança”, explicou.

“Quanto aos outros estilos, temos a disciplina dança de salão, que não é obrigatória, e cada ano ensina um estilo diferente. Ainda temos o Projeto Rosas Dança de Salão e a Pajê Cia. de Danças, de jazz, essa, criada e coordenada por mim desde 2010, e que faz apresentações em eventos e festivais”, falou.

Entre os espetáculos da Pajê, ‘As novas Amazonas’, de 2013; ‘O belo amanhecer da estrela’, de 2014; ‘Corpo, dor e prazer’, de 2017; ‘#Jazz.com’, de 2018; ‘Mitos’, de 2019; e estão ensaiando ‘Malandros’, para apresentar este ano.   

O Rosas Dança de Salão é coordenado pela professora Carmem Lúcia, com aulas ministradas pelos professores Marcus Vinícius e Sandra Valéria (dança de salão) e Eduardo Amaral (dança clássica aplicada e dança de salão).

“O curso de dança da UEA não ensina ninguém a dançar. Quem se matricula, já precisa ter alguma experiência com qualquer dos estilos, por isso é feito um teste de habilidades. Muitos dos nossos alunos vieram do Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro com um currículo muito bom, e muitos dos professores do Liceu foram alunos da UEA”, revelou.

“Lógico que, aprender todo mundo aprende, então, como qualquer atividade na vida, você pode aprender a dançar, mas se tiver uma habilidade ou talento nato, aí pode até sonhar em ser um Fred Astaire, ou uma Ginger Rogers, ou mesmo um Michael Jackson”, brincou.

Mova-se, mexa-se

E o mercado de trabalho? Dá para tornar a dança uma profissão e viver dela, em Manaus?

“Para quem tem apenas o bacharelado é mais difícil porque Manaus tem apenas duas companhias onde se ganha para dançar: o Balé Folclórico do Amazonas e a Companhia de Dança do Amazonas. De resto é ir dar aula numa academia, ou numa escola de dança, ou abrir a própria escola de dança. Já quem tem licenciatura, além de todas essas opções anteriores, pode seu professor universitário”, informou.

“E a UEA é a Universidade que melhor paga seus professores de dança, no Brasil. Recentemente abriu uma vaga de professor e 36 candidatos de todo o país se inscreveram. Uma amazonense foi a escolhida, e por uma banca toda formada por professores de fora do Estado”, afirmou.

Atualmente o quadro docente da UEA no curso de dança é formado por cinco doutores, quatro mestres e três mestres em doutoramento.

“Se quiser fazer sucesso dançando, saia do Brasil. Lógico, em nenhum lugar vai ser fácil, mas se a pessoa tiver talento e sorte, terá mais chances de chegar ao sucesso. Eu posso indicar os Estados Unidos e a Alemanha, mas volto a repetir: precisa ter talento e sorte”, avisou.

“Nessa quarentena, mesmo que não saiba dançar, mova-se, mexa-se. Na frente do espelho, no banheiro, no quarto, ponha uma música animada e dance do jeito que você souber. Você só ganhará com isso, sua mente e seu corpo”, ensinou.

Fonte: Evaldo Ferreira

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