Queda no milho derruba estimativa para safra do Amazonas

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) revisou para baixo suas estimativas para a safra de grãos 2020/2021 do Amazonas, em sua revisão de julho, em razão da queda aguardada para o milho. A atual projeção é de 47,9 mil toneladas e ainda supera a safra 2019/2020 (41.700 toneladas), por uma margem de 14,9%. Um mês antes, os cálculos da estatal apontavam para expansão de 27,6% (e 53.200 toneladas). Os dados de área total de plantio e produtividade também sofreram correções, em igual proporção.

Entre um levantamento e outro, o Estado caiu do segundo para o sexto lugar do ranking nacional de maiores altas proporcionais na atual safra, sendo que o melhor desempenho vem do Rio Grande do Sul 9 (+44,9% e perto de 38.170 toneladas). A despeito da desaceleração nas expectativas, o Amazonas aparece com índice de expansão acima dos registrados pelas médias da região Norte (+5,4%) e do Brasil (+1,5%), em uma lista com nada menos do que 17 resultados negativos, entre as unidades federativas. 

Em linhas gerais, a projeção ainda se sustenta basicamente na permanência de apostas elevadas dos produtores rurais do Sul do Amazonas em duas culturas – mas que já foram maiores, em junho. Com estimativa de 16.200 toneladas, o arroz lidera a lista, com elevação de 200% sobre 2019/2020 (5.400 toneladas). A soja comparece na segunda colocação, com 10.500 toneladas e 98,1% de alta. Um mês antes, as respectivas estimativas apontavam para incrementos de 253,7% e de 143,4% na produção.

As outras duas culturas da cesta amazonense de grãos ainda aparecem com projeções no vermelho. O milho (18.700 mil toneladas) foi confirmado novamente com o pior índice da lista, ao recapitular a retração de 18,3% – já corrigida no levantamento anterior – ante a produção do ano passado (28,4 mil toneladas). O feijão, por outro lado, segue com os mesmos números calculados nos meses anteriores, que apontam para uma retração de 3,8% e 2.500 toneladas, em um segundo ano negativo de produção. 

Área e produtividade

A maior estimativa de aumento na área de plantio ainda é a do arroz (5.800 hectares), que sinaliza ser 141,6% maior do que o da safra anterior (2.400). A soja (3.500 e +52,2%) ainda vem em segundo lugar. Em contrapartida, o milho ainda é o produto que sofreu o maior tombo entre uma safra e outra (-20,5%), embora seja o que ainda conta com maior área, na mesma comparação (8.900). A projeção do feijão (2.700), por sua vez, segue 3,6% abaixo de 2019/2020 (2.800). 

Em relação à produtividade, três das quatro culturas listadas pela Conab no Amazonas aparecem com desempenho acima do registrado na safra precedente. Os melhores índices vêm da soja (+30,4% e 3.000 kg/ha) e do arroz (+25,1% e 2.800 kg/ha). Na sequência, está o feijão (923 kg/ha e +0,2%), com as mesmas estimativas da revisão anterior. O único dado negativo na relação de quilograma por hectare vem do milho, que aparece com recuo de 17,1% e produção de 2.101 kg/ha. 

De acordo com a Conab, a produção de milho do Amazonas se concentra principalmente em Manacapuru e Boca do Acre, onde está o maior plantel animal, já que entre 60% e 70% da produção é destinada à ração. A soja vem de Humaitá (a 591 quilômetros de Manaus), na Fazenda Santa Rita. O arroz tem destaque nos municípios do rio Juruá, principalmente Eirunepé e Envira. O feijão, por outro lado, é cultivado na calha do rio Purus – em especial, Lábrea e Boca do Acre.

“Mercado desabastecido”

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, destacou que os números globais da produção do Estado ainda seguem no terreno positivo. “As estimativas confirmam crescimento da área plantada, produção e produtividade, principalmente nas áreas de campos naturais do município de Humaitá. Nossa expectativa é que essa tendência permaneça positiva, nos próximos meses”, resumiu. 

O dirigente considera que a redução no milho “provavelmente” decorre da opção dos produtores pelo plantio da soja, em virtude de fatores diversos, como a maior valorização do produto no mercado internacional de commodities. O presidente da Faea avalia que o efeito dessa permuta de culturas não deixa de ser preocupante para o setor agropecuário amazonense, que precisa de maior oferta de milho, diante da demanda do próprio Estado para rações animais. Muni Lourenço lembra, contudo, que o problema é nacional.

“O Brasil está com redução de produção de milho e o mercado interno está desabastecido, tanto que o país voltou a importar o produto, depois de vários anos. Preocupado com o desabastecimento, o governo brasileiro zerou a tarifa de importação. Mas, a previsão de analistas é que esse cenário não mudará este ano, principalmente pela crescente demanda chinesa e pela redução da safra brasileira. Mas, esperamos que o quadro possa ser atenuado a partir de medidas constantes no Plano Safra para incentivos à ampliação do plantio de milho”, ponderou.

“Estoque público”

O ex-superintendente da Conab, administrador com especialização no agronegócio e colaborador do Jornal do Commercio, Thomaz Meirelles, foi na mesma linha. “Este novo levantamento da safra de grãos da Conab confirma o necessário crescimento na produção de grãos no Amazonas, com destaque para a soja e para o arroz. Contudo, é preciso estimular a produção de milho em nosso Estado. Uma das razões, é o término do estoque público desse grão, único canal de abastecimento para os pequenos criadores rurais cadastrados no Programa de Vendas em Balcão, da Conab”, arrematou.

A reportagem do Jornal do Commercio procurou o titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, mas foi informada que o secretário estadual estava de férias e fora do Estado. Em entrevista anterior, havia assinalado que os números da Conab apontam que setor rural do Amazonas e seu encaminhamento pelo Plano Safra estão no “caminho certo” e que a queda na produção de milho “certamente” será revertida na próxima safra, com ajuda de políticas públicas do Estado.

Foto/Destaque: Divulgação

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