16 de abril de 2021

Queda na taxa de juros pode animar mercado

O PIM (Polo Industrial de Manaus) está trabalhando apenas com 70% de sua capacidade instalada de produção. A expectativa dos dirigentes é de que os 30% restantes sejam fomentados no segundo semestre para atender ao consumo de fim de ano

O PIM (Polo Industrial de Manaus) está trabalhando apenas com 70% de sua capacidade instalada de produção. A expectativa dos dirigentes é de que os 30% restantes sejam fomentados no segundo semestre para atender ao consumo de fim de ano. Os empresários estão apostando em nova queda da taxa de juros Selic em um ponto percentual, ainda neste mês, cuja reunião acontece nos dias 28 e 29.
O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Lou­reiro, avaliou que os primeiros três meses do ano foram um teste para o Brasil com relação à questão econômica mundial. Ele apontou que o governo brasileiro reagiu de uma maneira relativamente positiva, “mas poderia ter feito um pouco mais do que fez com relação à economia diante da crise econômica global”.
Segundo Loureiro, a taxa de juros real em 11,25% atualmente ainda está muito alta. Ele apontou que o Brasil demorou muito a reagir à questão dos juros e que outros países, que foram atingidos diretamente pela crise, reduziram rapidamente suas taxas, inclusive negativamente, enquanto a equipe econômica do governo brasileiro ficou discutindo se valia a pena reduzir a Selic a nível competitivo mundial ou não.
“Começaram agora a entender que sim, então a reunião do Copom ainda neste mês muito provavelmente vai puxar a taxa de juros para baixo mais ainda, em um ponto percentual, talvez até mais se comparado à última reunião em março –já aconteceram duas quedas neste ano–, o que significa que o Brasil está reagindo à questão dos juros que têm influencia no consumo”, avaliou o dirigente.
Na opinião de Maurício Loureiro, hoje o principal problema brasileiro é de credito para consumo. Ele disse que não adianta reduzir impostos, embora a carga tributária seja muito alta no país –37% do PIB brasileiro–, para determinado segmento e o mesmo não reaja, não venda por falta de crédito. “Finda o governo deixando de arrecadar esse mesmo imposto porque a empresa deixou de vender”.
A saída, conforme o dirigente é o empresário obter capital na ponta de consumo para adquirir poder de aquisição e ter como pagar o que tomou como crédito (empréstimo). Diante dessa alternativa, Loureiro disse que a roda do consumo gira e a economia volta à normalidade, com as fábricas produzindo normalmente e o comércio vendendo nos volumes que o Brasil precisa para crescer. “Entre 3% e 4%, como o governo quer”, disse Loureiro.

Cenário começa a mostrar sinais positivos

A expectativa de Loureiro é de que, a partir de julho, o cenário econômico brasileiro será melhor. Ele disse que a economia neste mês de abril já está dando sinais positivos de crescimento e estabilidade, logo, espera-se que o segundo semestre seja de recuperação.
O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, também comunga da opinião de que o cenário econômico aponta para melhorias de julho em diante. Apesar de o atual cenário ainda ser preocupante, ele avaliou que houveram algumas ações conjuntas com o governo federal e o estadual, principalmente a favor do polo de duas rodas –o mais atingido–, para alavancá-lo. “Mesmo assim, precisamos conseguir uma ferramenta com a qual possamos acelerar o consumo de bens duráveis”, disse.
Antonio Silva avaliou se tratar de uma crise de crédito, de credibilidade e de confiança, cuja saída é fazer gerar o consumo de forma limitada, para que não haja uma inflação muito grande. Ele disse que o governador Eduardo Braga está empenhado e as classes produtoras também. “Na semana passada, tivemos uma reunião na federação com a bancada federal, considerada inédita porque contou com a presença dos três senadores e cinco deputados federais pelo Amazonas, cujo assunto tratado foram os efeitos da crise econômica”, contou, ressaltando que a crise está aí e que se faz necessário trabalhar com inteligência para reduzir os impacto em cima do PIM. “Não tem data para acabar, logo, se mantivermos a margem de crescimento de 2008 em 2009 poderemos dizer que saímos ilesos”, completou.

Manutenção de empregos é prioridade

O secretário de Estado da Fazenda, Isper Abrahim, concorda que o cenário econômico esteja melhorando aos poucos. Entretanto, ele admitiu que a crise ainda requer muita preocupação, tanto é que o governo do Estado prorrogou o pacote anticrise –lançado no início do ano com vigência até 31 de março–, para mais três meses, ou seja, com validade até 30 de junho. “As análises apresentadas ao governo fizeram com que o governador prorrogasse por mais 90 dias em troca da manutenção dos empregos, no setor de termoplástico e de duas rodas”, informou.
Segundo Isper Abrahim, o mundo todo continua atento à crise econômica, estudando passo a passo, o que significa dizer que o PIM tem que estar muito atento até que a economia seja de todo recuperada. “Vamos torcer para que tenhamos um segundo semestre bem melhor. Acredito que não serão necessárias mais prorrogações, como o setor de duas rodas quer”, disse. O secretário aponta que a solução da crise esteja mais na ponta da venda do que em incentivos fiscais. Logo, a ajuda concedida pelo governo –federal e estadual- através dos subsídios concedendo alguns benefícios para as empresas a fim de que diminuam seu custo e com isso possam manter seus empregos não é a solução. “A saída para as empresas sem dúvida nenhuma depende da venda na ponta que depende de crédito, de taxas de juros num patamar necessário. “A equipe econômica do governo federal precisa tomar cuidado em termos macroeconômicos para que a Selic não caia tanto e com isso fuja também o capital externo que vem aplicar no Brasil e no PIM”, assinalou.

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