Queda do polo relojoeiro atinge produção e empregos

Apesar de ter reagido no segundo semestre, quando a curva de produção se manteve crescente, o polo relojoeiro de Manaus fechou em queda de 12,51% no acumulado dos 12 meses de 2009 ante a igual período do ano anterior.

Indicadores industriais divulgados recentemente pela Suframa (Superitendência da Zona Franca de Manaus) apontam que no ano passado os fabricantes produziram 5,75 milhões de unidades, entre relógios de pulso e bolso contra 6,57 milhões em igual período de 2008.

A produção de dezembro (373 mil) decresceu 47,16% em relação a novembro (706 mil). O presidente do Sirom (Sindicato das Indústrias de Relojoaria e Ourivesaria de Manaus), Nelson Azevedo, justificou que as fabricantes de relógios praticamente consolidaram suas encomendas em novembro, restando muito pouco para ser produzido em dezembro. “Nesse período foram atendidos os pedidos de última hora”, explicou.

Segundo Azevedo, a queda no setor já era esperada pelo fato da crise financeira global –deflagrada no último trimestre de 2008 e que se estendeu por todo o primeiro semestre de 2009- ter gerado um impacto econômico mundial como um todo. “Numa economia globalizada todos são atingidos”, avaliou o dirigente.

Outro encolhimento observado foi nas vendas de relógios para fora do Brasil. Das 5,75 milhões de unidades produzidas em 2009, a maior parte, ou seja, 97% foi comercializada para o mercado interno. Para o exterior foi mandado apenas 0,01%, enquanto o mercado local ficou com 2,6% do que foi produzido no PIM.

A mão-de-obra empregada pelos principais fabricantes do setor no polo de Manaus -Technos, Seculus, Magnum, Dumont, Metal Alloy (que atua com a marca Primex), Citzen e Orient- que em 2008 somava 1.410 funcionários, em 2009 encolheu para 1.300.

Além das quedas apontadas, o faturamento do polo relojoeiro do PIM também teve resultado negativo. Indicadores industriais apontam que houve retração de 1,3% se compararmos os US$ 301.14 milhões faturados em 2009 ante os US$ 305.11 milhões de 2008.

Ampliar produtividade

A Seculus da Amazônia Indústria e Comércio, que teve seu volume de produção reduzido em 2009 ante o ano anterior, pretende retomar os volumes em função da resposta do mercado. Com isso, a fabricante vai tentar recuperar os postos de trabalhos perdidos, decorrente da crise do final de 2008 que afetou a venda aos consumidores finais.
O diretor industrial da Seculus em Manaus, Mário Cenni Jr, disse que atualmente a empresa está gerando 250 empregos diretos, contra 280 em 2008.

“Nossa intenção é ampliar o quadro de pessoal neste ano em pelo menos 10%, ou seja, atingir os níveis de 2008 para obtermos os resultados de produtividade que almejamos”, destacou.

Ao avaliar 2009, Cenni disse que apesar da crise financeira ter sido menos grave do que se imaginava inicialmente, alguns setores do PIM tiveram ajuda governamental, a exemplo de duas rodas e plásticos, diferente do relojoeiro que não teve esse amparo, cujo produto é considerado supérfluo. “O mercado consumidor deixou os supérfluos em segundo lugar”, lamentou, ressaltando que até setembro as vendas de relógios se mantiveram mornas.

Se o varejo em 2010 se mantiver no patamar de 2008- consideradas excelentes até o mês de outubro-, Cenni acredita que o setor vai conseguir se reerguer e recuperar o que perdeu em 2009. “Como o comércio vendeu bem no fim do ano, acredito que neste trimestre os comerciantes vão querer repor seus estoques e a indústria relojoeira vai estar preparada para isso”, assegurou.

Além da marca Seculus, a fabricante produz ainda marcas como Mondaine, Speedo, Puma, Guess e D&G, o que lhe propicia uma produção que gira em torno de 1,5 milhão de relógios por ano. Isso significa que em torno de 25% do que foi produzido no PIM em 2009, um montante de 5,75 milhões de unidades, sai da unidade fabril da empresa. “Lançamos quase mil modelos diferentes por ano considerando todas as marcas fabricadas por nós”, informou Mário Cenni.

Segundo o dirigente, o setor relojoeiro trabalha para atender basicamente duas datas importantes: o Dia das Mães e o Natal. A primeira, acontece no primeiro semestre (em maio), período do ano que responde por 40% a 42% da produção e venda, enquanto o restante é fabricado no segundo semestre do ano. Cenni justifica a boa performance do Dia das Mães pelo fato do relógio já estar sendo visto mais como um acessório de moda do que como apenas um medidor de tempo.

Uma das metas da Seculus para 2010 é ampliar sua área fabril em mais 1.800 metros, ao longo de 3 anos, permitindo maior conforto operacional. O projeto está em fase de avaliação e aprovação pela PMM (Prefeitura Municipal de Manaus).

Contrabando, falsificação e pirataria são os gargalos enfrentados pelo segmento

Em regra geral, os fabricantes do segmento relojoeiro estão apostando em 2010. O presidente do Sirom, Nelson Azevedo disse que a projeção dos fabricantes é de recuperação, muito embora a Copa do Mundo e as eleições não geram grandes reflexos positivos para o setor, que tem como os maiores gargalos o contrabando, a falsificação e a pirataria.

Segundo Nelson Azevedo, o trabalho de combate à pirataria realizado conjuntamente pela Receita Federal e a Polícia Federal, principalmente de vendedores de relógios e CDs, é uma forma de combate à concorrência desleal com os importados. O polo relojoeiro de Manaus que já teve 14 empresas, hoje está reduzido a oito.

A última a fechar foi a Timex, no início de 2008. Azevedo disse que o mercado brasileiro de relógio de pulso é superior a produção feita pelas fabricantes do PIM, que poderiam atender todo esse mercado se não fosse a ação dos falsificadores que burlam o fisco e findam vendendo produtos mais baratos ao consumidor final. “Para as empresas de relógios, CDs e DVDs -os produtos mais prejudicados com a pirataria- que trabalham na legalidade, importando matéria-prima, fabricando produtos de qualidade, é difícil concorrer em pé de igualdade com os desiguais”, desabafou.

Mário Cenni também aponta que a falsificação somada a pirataria e o ‘importabando’ –contrabando feito com mecanismo legais com um custo muito baixo declarado na importação- são gargalos que o setor tem enfrentado, o que ajuda a encolher a receita das fabricantes.

Datas importantes

O mercado de relógios de pulso tem se segurado nas datas para movimentar as vendas. Azevedo disse que as empresas têm ciclos de produção e vendas nas datas festivas como Dia das Mães, dos Namorados, dos Pais, Natal e o Ano Novo. “São criadas estratégias de marketing com preços especiais de fábrica, além do lançamentos de novos modelos etc”, contou.

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