Queda chega a 9,8% no semestre

Crise internacional, guerra com produtos importados asiáticos, rigor na liberação do financiamento bancário para compra de motocicletas. Esses foram alguns dos fatores que levaram o PIM a fechar o primeiro semestre de 2012 com queda de quase 10% no faturamento.
De acordo com os indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) divulgados ontem, de janeiro a junho desse ano, os 23 segmentos que compõem o polo faturaram juntos US$ 17,86 bilhões, queda de 9,84% em relação ao mesmo período do ano passado.
Isolado, o mês de junho registrou resultado ainda pior. Com ganhos de US$ 2,89 bilhões, a retração do parque industrial pulou para 15,61% frente ao mesmo mês de 2011. Apenas no confronto com maio deste ano, quando a produção das fábricas somou US$ 2,99 bilhões, a perda foi mais discreta (-3,43%).
“Em função de todos os problemas que afetaram o setor de duas rodas e consequentemente os componentistas do PIM nos primeiros seis meses do ano e da guerra travada para conter o ataque asiático, as férias coletivas atingiram mais trabalhadores esse ano o que afetou de maneira evidente o resultado de junho e do semestre como um todo”, justificou o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco.
De acordo com o Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas), só o polo de duas rodas concedeu férias coletivas a 20 mil funcionários a partir de junho, o que equivale a 80% do setor, evidenciando desaquecimento da produção..
Já o superintendente em exercício da Suframa, Gustavo Igrejas, aposta no desempenho do segundo semestre para compensar a retração dos primeiros meses do ano. “O primeiro semestre não chega a representar 40% do total de faturamento do PIM em um ano. Setores como linha branca e duas rodas estão retomando a produção neste segundo semestre e a expectativa é superar o faturamento do ano passado”, declarou em nota.
Périco rebate. “Mesmo que o polo consiga recuperação e alcançe os 60% que faltam no segundo semestre, ainda assim, teríamos um déficit desses 10% já perdidos nos primeiros meses do ano. Por isso, o cenário é delicado”, destacou.
E não para por aí. Segundo ele, julho e agosto já terão o resultado afetado. “Várias categorias, como os auditores da receita federal e mais recentemente servidores do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) entraram em greve. As fábricas estão mudando os seus calendários em função das paralisações, e tudo isso já deve refletir no faturamento desses dois primeiros meses do segundo semestre”, apontou.

Segmentos

Somente sete dos 23 segmentos que compõem o PIM apresentaram variações positivas no acumulado do primeiro semestre.
Entre eles, destaque para a indústria de isqueiros, canetas e barbeadores descartáveis que faturou US$ 395,49 milhões, acréscimo de 8,11% sobre mesmo período de 2011.
Novamente, o maior crescimento percentual foi verificado no setor de beneficiamento da borracha que com US$8,60 milhões, cresceu 264,33% sobre igual intervalo do ano passado.
Em contrapartida, os outros 16 segmentos anotaram retrações.
O polo eletroeletrônico somados aos bens de informática totalizaram US$ 8,06 bilhões entre janeiro e junho, queda de 5,90% no confronto com o primeiro semestre de 2011.
O setor e duas rodas, por sua vez, faturou US$ 3,88 bilhões, 12,56% a menos no comparativo com o ano passado.
Segundo os indicadores, a produção de motocicletas que no ano passado foi de 1,08 milhão de unidades, caiu este ano para 974,93 milhões, retração de 9,99%.
A maior queda percentual, entretanto, ocorreu no polo metalúrgico (ligado ao setor de duas rodas) que com o faturamento de US$ 898,52 milhões registrou recuo de 39,81% sobre igual intervalo do ano anterior.
Empregos
Quanto a mão de obra, os dados da Suframa apontam para uma leve recuperação em junho no comparativo ao mês imediatamente anterior. Foram 116.765 empregos (108.997 efetivos, 3.523 temporários e 4.245 terceirizados) contra 116.063 em maio, avanço de 0,60%.
Já no confronto com junho do ano passado, quando 120.123 trabalhadores estavam empregados, houve queda de 2,79%.
Os setores com maior número de empregos registrados no semestre foram eletroeletrônico (49.821), duas rodas (20.876) e termoplástico (10.792).

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