Foram 49 anos de poder. Muitas pessoas estão hoje chegando à terceira idade e conheceram apenas um único mandatário em Cuba: Fidel Castro, o comandante de tantos revolucionários ainda soltos por aí. Ele é um ícone, e governou e manteve a ilha em suas mãos apenas pelo poder dessa sua natureza. Cuba sobreviveu incólume às viradas históricas de 1989, embora tenha perdido o encantamento com a queda do socialismo nos países do leste europeu. Mas ficou de pé mais porque o padrão de vida de seus vizinhos não é lá grande coisa. Um cubano não vive pior que um haitiano, um guatemalteco, um hondurenho, um nicaraguense. Diferente era se manter na Europa, onde o alemão ocidental era rico e o oriental, pobre.
De qualquer forma, Fidel Castro será para sempre uma figura his­tórica, fonte de inspiração para todos os rebeldes, os descontentes e os revolucionários.
A revolução que ele e outros barbudos fizeram em Cuba foi um ato, no mínimo, heróico. Desafiaram a maior potência da vizinhança, os Estados Unidos, nacionalizando terras e fábricas de americanos, que faziam da ilha um resort de alto luxo, mas só para eles e os chefões de governo local.
Transformaram em realidade o sonho bastante sonhado, naquele tempo, de derrubar governos autoritários, e até sanguinários, e construir uma pátria socialista, com o povo no poder, com homens iguais e oportunidades idem. Fizeram a Revolução Cubana, com letras maiúsculas mesmo, e isso não foi pouca coisa, tanto que até hoje inspira, como inspirou muito mais até o passado recente, corações e mentes de gerações e gerações em todo o mundo. Isso fez de Fidel Castro o ícone que é.
Parafraseando alguém, existe a afirmação que diz que quem tem menos de vinte anos e não é comunista, é uma pessoa sem coração. Quem passa dos trinta, e continua comunista, não tem cabeça. Então, não foram poucas as pessoas que realmente quiseram transformar o mundo em uma Cuba, construir em seus países um modelo da ilha caribenha e de fazer Fidel Castro um líder mundialmente influente. Cuba não conseguiu chegar a ser modelo de paraíso, embora suas conquistas esportivas digam o contrário, mas Fidel chegou onde quis.
Governando uma ilha de pouca importância econômica –Cuba era mais uma república bananeira, no caso canavieira, da região–, o comandante exerceu sua influência sobre os influentes do mundo e suas palavras ganharam repercussão em todos lados do planeta. Nestes seus 49 anos de poder, com exceção dos presidentes americanos, esteve reunido com todos os principais líderes do mundo.
Agora passou o bastão para seu irmão, Raul Castro, que pouquíssimos revolucionários sabiam que existia, até assumir o lugar do comandante quando este caiu enfermo. Semana passada, Raul Castro assumiu o poder em definitivo. Depois de meio século, Fidel renunciou ao posto de mandatário, deixando Cuba numa incógnita. O que vai acontecer daqui pra frente é difícil de prever. Mas muitas forças estão se movimentando para aproveitar a oportunidade. O novo governo cubano diz que nada vai mudar. Porém, entre dizer e fazer acontecer vai uma distância longa. Por arte de nada, Raul tem o mesmo poder de seu irmão e será difícil reprimir as demandas dos cubanos, tanto dos que vivem na ilha quanto os de Miami. Fidel governou os cubanos com a autoridade de direito adquirido, quase divino, e isso serviu para acomodar as tensões e permitir à revolução um caminho seguro, embora não-tranquilo, até os dias de hoje. Agora é esperar pelo dia de amanhã.
Primeiro uma explicação. Este necrológio de fevereiro não tem nada a ver com o título desse artigo. O mês será para não esquecer. Teve a tragédia do naufrágio do barco Almirante Monteiro, na costa do Novo Remanso, em Itacoatiara. O falecimento do professor Rui Alencar, do jornalista Agnelo Oliveira e do investigador da Polícia Civil Francisco Lima.
Teve também o da senhora Izabel Ferreira Santos, funcionária da escola estadual Paula Ângela Francinetti, no Morro da Liberdade. Igual a todos nós, ela tinha defeitos e

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