Quatrocentos anos na Amazônia

Presença militar iniciou com fortificações e hoje conta com efetivo aproximado de 22 mil homens

O início da presença das Forças Armadas na Amazônia se deu ainda no Período Colonial brasileiro. Até 1580, os territórios da região Amazônica estavam sob o domínio da coroa espanhola, obedecendo ao Tratado de Tordesilhas, assinado com Portugal. Após a unificação dos reinos ibéricos, no entanto, Portugal e Espanha uniram esforços para expulsar do delta amazônico, em 1616, invasores ingleses e holandeses, tendo sido edificado na ocasião o Forte do Presépio, que daria origem à cidade de Belém.
A partir dessa fortificação, sucederam-se repetidas explorações fluviais em direção ao interior, tendo os portugueses a chance de avançar pela grande malha hidroviária, povoando pontos estratégicos com militares e organizações religiosas.

República
Nos primeiros 25 anos da República, o ciclo da borracha alcançou seu auge e a região amazônica obteve um grande impulso econômico. As cidades de Manaus e Belém tornaram-se centros de comércio e seus portos ficaram repletos de navios estrangeiros. Uma onda de migração do nordeste do país forneceu a mão de obra necessária para a extração do látex em larga escala. Foi neste contexto que o Acre se tornou alvo de litígio entre o Brasil e a Bolívia. Tal conflito terminou em 1903 por meio do Tratado de Petrópolis, o qual determinou a incorporação do Acre pelo Brasil, em troca de compensações materiais e territoriais para a Bolívia.
A partir do ciclo da borracha, a região foi ganhando mais destaque e propostas mirabolantes foram feitas no intuito de ocupar o espaço amazônico. Algumas destas propostas eram aliadas a interesses exógenos. Dentre elas destacam-se a Fordlândia (PA), no rio Tapajós e posteriormente a tentativa de formação dos “grandes lagos” de Herman Khan, diretor do Hudson Institute. Estes interesses serviram para alimentar o imaginário sobre a internacionalização e a cobiça internacional em torno da Amazônia, que passaram a figurar dentre as percepções de ameaças do pensamento político-militar nacional.

Período militar
Trinta anos após o fim dos governos militares, as heranças daquele período ainda permanecem na Amazônia. Entre os anos de 1964 e 1985, o regime investiu em um modelo desenvolvimentista e grandes obras de infraestrutura que pretendiam desenvolver e povoar a região, considerada pelos governos da época um vazio populacional.
Entre as experiências bem-sucedidas incluem-se a construção da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, e a criação de órgãos que pretendiam contribuir com o crescimento da região, como a Sudam, Incra e até mesmo a Zona Franca de Manaus.
Por outro lado, obras faraônicas destinadas à proteção da região como as estradas Transamazônica e Perimetral Norte não só foram abandonadas, mas também contribuíram com o aumento de disputas por terras, exploração irracional dos recursos naturais e custou a vida de 8 mil índios, segundo a Comissão Nacional da Verdade.

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