14 de maio de 2021

Extrema pobreza assombra população do Amazonas

Pelo menos 47,4% da população do Amazonas tinham renda per capta diária de US$ 5,5 ou menos, no ano passado, estando classificadas na linha internacional da extrema pobreza. Além de carregar a maior fatia de pessoas nessa condição social em todo o país, o Estado viu o quadro se agravar em relação a 2018, que já havia contabilizado 45,7% habitantes em tal situação. Os dados são do estudo SIS (Síntese de Indicadores Sociais), compilado e divulgado pelo IBGE. 

A pesquisa levou em conta a linha internacional fixada pelo Banco Mundial que, em países do perfil do Brasil, é equivalente a US$ 5,5 diários, em termos de PPC (poder de paridade de compra). No mesmo período, 27% dos habitantes do Estado viviam com até US$ 3,2 diários e o rendimento de outros 14,4% não ultrapassou US$ 1,9. As três faixas de carestia avançaram entre 2018 e 2019. Os dados apontam ainda que, no ano em que o Amazonas atingiu a menor proporção de pessoas na extrema pobreza (2012), o percentual foi de 41,7%. 

Em sintonia, a concentração de renda aumentou e se mantém elevada. O Índice de Gini aponta que o Amazonas é a quarta unidade federativa com maior desigualdade, superando de longe a média nacional. Em uma escala em que que varia de 0 (perfeita igualdade) a 1 (desigualdade máxima), o Brasil emplacou 0,543, em 2019, sem grande variação ao longo dos últimos anos já que 2012 marcava 0,540. 

O Estado, por sua vez, registrou Gini de 0,568, no ano passado, ficando atrás apenas de Sergipe (0,580), Roraima (0,576) e Pernambuco (0,573). O índice de Gini do Amazonas aumentou em relação a 2018 (0,546), mas chegou a 0,594, em 2012, ano em que o país ainda não havia entrado em crise. Em Manaus, o índice de Gini de 2019 foi de 0,562, sendo maior também do que o de 2018 (0,523).

O mesmo problema é confirmado pelo índice de Palma, que pontuou 4,89 no Estado, no ano passado. Ou seja, o somatório da renda dos 10% de habitantes que estavam no topo da pirâmide e ganhavam mais era 4,89 superior aos ganhos totais dos 40% que estavam na base e recebiam menos. O Amazonas registrou alta de 13,3% no tamanho desse fosso, em relação a 2018, e queda de 0,6%, ante 2012.

Rendimento baixo

O rendimento domiciliar per capita mediano do Amazonas – valor máximo de vencimentos alcançado por até metade de sua população – equivalia a R$ 475, em 2019, não alcançando nem metade do valor do salário mínimo nacional vigente no período (R$ 998). Em Manaus, o número foi menos pior, mas igualmente baixo: R$ 608.

O número do Estado foi inferior ao do Brasil (R$ 861) e também perdeu para as regiões Norte (R$ 511) e Nordeste (R$ 506), que registraram os valores mais baixos do país. Ao longo dos anos, não houve variação significativa, segundo o IBGE, mas houve retração ante 2018 (R$ 485), após um esboço de recuperação de dois anos de queda.

A situação do Amazonas foi pior, quando se leva em conta o corte por raças. O rendimento domiciliar per capita médio da população “preta” ou “parda” (que inclui os indígenas), entre 2012 e 2019, chegou a ser somente 42,2% do observado para a população “branca”. Esse rendimento foi, em 2019, de R$ 762, para as populações dos dois primeiros grupos, e de R$ 1.289, para os últimos. 

O IBGE-AM destaca que a desigualdade de rendimento por cor ou raça caiu em sete anos, no Amazonas, mas salienta que a retração se deveu especialmente pela diminuição das comparativamente mais privilegiadas “pessoas brancas”. “O rendimento das pessoas pretas ou pardas não cresceu, pelo contrário, também sofreu queda nesse período”, assinalou o órgão, no texto divulgado à imprensa.

Sem oportunidades

No entendimento do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, o agravamento do quadro de pobreza no Estado é um dado que revela o quão desigual estão os rendimentos e as oportunidades de trabalho na região, com reflexos na educação, perspectivas profissionais e moradia, entre outras condições de vida. 

‘Há uma grande parte da população com renda per capita diária muito baixa. É necessário aprofundar esse estudo para entender o que pode estar acontecendo. Mas, a própria pesquisa mostra que o abandono escolar de forma prematura, indica que os nossos jovens não estão preocupados com sua futura vida profissional. Por outro lado, o alto número de famílias dependentes de programas sociais de governo revela outra face desse cenário”, encerrou. 

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