Quando dez é mais que 100

Sabemos que o segmento turístico é um fator de ascensão social e distribuidor de renda, muito ao contrário do modelo industrial que é concentrador de renda.

O Pólo Industrial de Manaus (PIM) revelou um faturamento de mais de 25 bilhões de dólares no ano passado. Número que projeta Manaus entre as cidades mais industrializadas. O PIB de Manaus ultrapassa o do Uruguai, grande produtor de gado e ovelhas, com ricos estancieiros, além de conhecido por sua tolerância com movimentações financeiras, tornando-o um paraíso fiscal.
O PIM, reconhecido gerador de emprego e renda, multiplicador de oportunidades é o colírio do Estado, no seu afã arrecadador. Contudo, todos concordam que é uma grosseira agressão cultural à região como um todo. O amazonense não tinha a tradição industrial que nos foi imposta por incentivos fiscais e hoje é uma realidade e seus benefícios são por demais conhecidos. O efeito açambarcador do PIM é tão forte que o Amazonas vê dificuldades em decolar seu programa turístico. Tudo o mais se torna pequeno ante a avassaladora presença do complexo industrial.
Contudo, nossa intenção é demonstrar outra coisa. É mostrar um pequeno país da América Central que se projeta no turismo e na democracia: A Costa Rica. Do tamanho da Ilha do Marajó (51.000 km2) é uma das democracias mais consolidadas das Américas e está dando um show de turismo de natureza que faz com que tenhamos que aprender com eles.
Em dados de 2005, a Costa Rica recebia 1.400.000 turistas. Este número está crescendo, tendo atingido um aumento de 10% em 2007. Assim, para 2009 a previsão é de 1.800.000 turistas visitando aquele país. Fazendo-se um pequeno exercício matemático, usando os dados conhecidos de que cada turista permanece 12 dias no país e gasta em média 120 dólares por dia, teremos um número que chega a 2,6 bilhões de dólares. Exatos 10% das vendas do distrito Industrial.
Onde isto nos leva?
Ora sabemos que o segmento turístico é um fator de ascensão social e distribuidor de renda, muito ao contrário do modelo industrial que é tremendamente concentrador de renda. Afora os investimentos, o Setor Turístico não precisa importar “matéria prima” para gerar produtos. Ele apenas importa o próprio consumidor. A logística é totalmente diferente. Devemos destacar alguns fatores que corroboram o que afirmamos:
– O setor industrial emprega 1 trabalhador para cada U$ 24.000,00 de vendas. Enquanto no turismo esta proporção é de 1/3.000,00.
– O investimento no setor industrial é de U$ 80.000,00 para cada emprego gerado. No turismo, a proporção é de 1/8.000,00.
– No setor industrial o número de autônomos é reduzido. No turismo é elevado.
– O setor industrial agride a cultura dos povos da Amazônia. No turismo de natureza o impacto pode ser absorvido porque não tira o homem de seu habitat.
– O setor industrial tem, na maioria das empresas, seu centro nervoso longe do pólo industrial e, portanto, longe também da realidade local.
– Enfim, a interação da comunidade, ausente na indústria, está presente no turismo.
Fácil perceber que, com um investimento estrutural pífio, pode-se gerar emprego e renda através do turismo. Mas, para isso há que se mudar muito a maneira de pensar. Manaus, com seus sete cursos de nível superior na área de turismo, está contribuindo para isso.
Longe de nós combater a atividade industrial. Longe nós pensar em reduzir os investimentos e incentivos no setor que deu certo. Nosso artigo é para chamar a atenção sobre um país que descobriu no turismo de natureza sua maior fonte de renda. Ora, se a Costa Rica, que cabe 40 vezes no estado do Amazonas original, consegue empregar o mesmo contingente do PIM, porque não vamos aprender com eles?

LUIZ LAUSCHNER é escritor e empresário, é membro do conselho nacional da Abrasel.

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