18 de abril de 2021

Qualificação é o gargalo a ser vencido em 2010

Setor deve fechar o ano com 36 mil contratações, mas o Sinduscon/AM prevê dificuldades, caso as insitituições de ensino não formem 1.800 profissionais até julho

Aindústria da construção civil no Amazonas se prepara para enfrentar uma nova rodada de escassez de mão de obra qualificada em 2010, problema que retorna após o intervalo provocado pela paralisação de projetos entre o fim do ano passado e o início de 2009, em decorrência do rescaldo da crise financeira global.
O alerta foi dado no último fim de semana pelo presidente do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Eduardo Lopes, quando garantiu que o setor fechou este ano ‘no limite’ do cadastro de contratações. Segundo o dirigente, a capital amazonense poderá enfrentar um gargalo se até a segunda metade de 2010 não houver ampliação da atual oferta de mão de obra especializada. “Em níveis de emprego direto, o setor vai fechar o ano com mais de 36 mil contratações, mas se até julho as instituições de ensino não tiverem disponibilizado pelo menos 1.800 profissionais teremos um gargalo sem precedentes”, avisou.
Esse temor pela falta de mão de obra especializada em Manaus foi detectado em estudo sobre a tendência do setor da construção, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas Projetos, a pedido da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção). O levantamento, realizado nas principais capitais do país, mostrou que a construção civil contratará mais 180 mil trabalhadores no ano que vem, uma expansão de 8% na oferta de vagas com carteira assinada. “Na capital amazonense, essa expansão será de 10% a 12%, acompanhando a tendência de crescimento do setor em 2010”, revelou Lopes.
O empresário do setor, João Lupi Maciel, informa que a demanda latente por trabalhadores em Manaus inclui do empregado na indústria de material de construção ao servente de pedreiro, passando pela crescente necessidade por engenheiros. “Não estamos com falta de operários hoje, mas concordo que em 2010 as coisas podem ficar bem difíceis, se a oferta de mais bombeiros, armadores, carpinteiros, pedreiros e eletricistas não for atendida”, alertou.
Mas, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil Roberto Bernardes de Andrade, afirmou que o ‘apagão’ da mão de obra em Manaus já foi sentido em 2009. O sistema de recolocação de profissionais na construção civil, segundo o representante laboral, vai fechar o ano com pelo menos 1.100 vagas em aberto, sem candidatos para preenchê-las. “Em todo o Amazonas, 1.400 vagas ficarão abertas, 900 só na capital”, lamentou.

Custo da qualificação é muito elevado para o trabalhador

A abertura de novas frentes de obras – como o programa habitacional do governo federal “Minha Casa, Minha Vida”, projetos de infraestrutura e, em breve, obras para a Copa do Mundo – deve agravar a situação de inserção dos novos profissionais, a partir de 2010, previu Andrade. “Muitos estudantes estão sendo procurados em instituições como Senai [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial], Ciet [Centro Integrado de Educação Tecnológica], Fucapi [Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica] e na Ufam [Universidade Federal do Amazonas], que ainda não tem suporte suficiente para ‘alimentar’ o mercado local. Buscar profissionais fora seria uma saída, se o custo benefício não fosse proibitivo. Eis o dilema da construção civil no Amazonas”, lamentou.
O gerente da Unidade Demóstenes Travessa (antigo Ciet), Eduardo Mattos, concordou que a formação de profissionais destinados ao setor ainda é pequena frente à demanda. O executivo disse que discutiu a questão da qualificação com grandes empresários da área e com os representantes do Sinduscon, momento em que reafirmou a proposta de formação de 4.000 trabalhadores em nível básico para as ocupações na construção civil em 2010. “Esse desafio está dentro do que comporta nossa atual estrutura física, mas podemos ampliar esse número se concretizarmos parcerias com a iniciativa privada para a criação de canteiros-escolas”, afirmou.
Mattos considerou ainda que a baixa procura pela qualificação em áreas específicas como a da construção civil em parte se deve aos gastos que o trabalhador precisa desembolsar para sua própria formação. “Hoje, quem mais investe na qualificação do trabalhador da construção civil é ele mesmo. Não existe aporte financeiro suficiente de toda a necessidade que o mercado precisa”, criticou.

Gargalo invertido

A indústria da construção civil no Amazonas estima crescer 8,8% em 2010, enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) projetado para o país é de 5,8%. Em nível nacional, a construção civil fechará o ano com recorde de 2,35 milhões de trabalhadores com carteira assinada, ampliando em 7,3% o estoque de funcionários contratados em 2008.
Segundo o economista Alexandre Schwartsman, se o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2010 for acima de 6%, a inflação deverá ser pressionada pela escassez de mão de obra no país. Em nota ao Jornal do Commercio, o especialista considerou que a perspectiva de forte crescimento nos próximos dois anos vai fazer com que os dados de emprego indiquem o provável comportamento da inflação, assim como ocorre nos EUA. “O Brasil sempre teve o capital como fator escasso, enquanto que a força de trabalho era abundante. Parece-me que agora os papéis caminham para uma inversão. A mãe de todos os gargalos será a de mão de obra qualificada. E o Amazonas será um bom exemplo disto”, finalizou o economista.

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