PT quer unir acusações contra Renan, e votação do segundo processo é adiada

A proposta apresentada no plenário levou ao adiamento da votação do segundo processo contra Renan, sobre o caso Schincariol, que estava agendado para amanhã no Conselho de Ética. Quinta-feira, a Mesa Diretora deve se decidir sobre a abertura de um quarto processo.
Pressionado pelo próprio partido, o relator do caso, João Pedro (PT-AM), desistiu de pedir o arquivamento da denúncia. Ele cogitou renunciar à relatoria e depois foi convencido a sugerir que o caso fique “sobrestado” (paralisado). “Sobrestar é uma manifestação legal, é voto”. Com o impasse, o presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), adiou a votação para quarta.
A articulação do PT, levada ao plenário pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP), era desejo antigo dos aliados de Renan. Desde a primeira representação contra ele (o caso Mônica Veloso), renanzistas tentavam anexar todas as denúncias para tentar que os processos mais frágeis conduzissem os demais ao arquivamento.
No entanto, líderes do governo e da oposição se dividiram ao avaliar se a fusão dos processos favorece ou não o alagoano. Também há dúvidas sobre como essa junção ocorreria e se teria amparo no regimento. “O posicionamento de cada senador tem de ser, em última instância, o posicionamento em relação ao mandato. Será incompreensível para a sociedade se continuarmos votando separadamente e ‘fatiadamente’ essa questão”, afirmou. Ele também pediu que Renan se licencie do cargo -na votação da semana passada, optou por se abster e foi criticado até no Partido dos Trabalhadores.
A ação do senador Aluízio Mercadante foi considerada dúbia. De um lado, trabalharia para minimizar o desgaste de Renan Calheiros juntando os processos. Do outro, acenaria à oposição ao pedir a licença.

Votação em bloco

A indefinição que paira sobre a proposta é se será escolhido um relator para todos os processos ou se eles correrão paralelamente, embora votados numa mesma sessão no plenário.
“Tenho que levar à bancada. Vejo com reserva”, disse o líder do DEM, José Agripino Maia (RN). “Juntar os processos, não. Votar em bloco, vamos analisar”, declarou o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
Além do caso Schincariol, Renan responde a um terceiro processo sobre uso de “laranjas” na compra de rádios e deverá enfrentar o quarto, que o acusa de integrar um esquema de desvio de recursos de ministérios chefiados pelo PMDB.

Câmara não concluiu investigação de Olavo

Antes, João Pedro defendia o arquivamento da denúncia de que Renan fez tráfico de influência para beneficiar a cervejaria. Para tomar sua decisão, ele não ouviu a Receita nem convocou testemunhas. “O voto está preparado. Não ouvi a empresa nem o INSS. Tenho duas manifestações, que são a do PSOL e a defesa do Renan”.
Além de “esperar” pela tramitação dos demais processos, o argumento que sustenta o adiamento é que a Câmara não concluiu a investigação sobre o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL) irmão de Renan.
Renan negou pedido dos senadores para priorizar a discussão sobre o fim das sessões secretas para cassação de mandato. Também rechaçou pedido do PSDB para agilizar a tramitação da Proposta de Emenda à Constitucional que impõe o voto aberto e o afastamento da Mesa Diretora de quem enfrenta processos de cassação.
“A pauta está trancada por medidas provisórias. Então, nenhuma matéria pode tramitar senão as medidas provisórias, a não ser as ‘indicações’ de autoridades”, disse Renan.
Na seguna-feira, no primeiro embate com a oposição em plenário, o senador Renan Calheiros perdeu. Por causa da obstrução da oposição, o governo não reuniu 41 votos para aprovar Luiz Antonio Pagot à diretoria-geral do Dnit (Departamento Nacional e Infra-Estrutura em Transportes). O placar só é aberto com 41 senadores no plenário, e só havia 38.

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