9 de maio de 2021

Protesto marca pressão para volta ao trabalho no Amazonas

Manifestantes fizeram, ontem, uma concentração em frente à sede da Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas), na zona centro-sul de Manaus, para protestar contra as restrições por conta da pandemia do novo coronavirus.

O ato público reuniu centenas de trabalhadores autônomos como mototaxistas, motoristas de aplicativos, vendedores de lojas, profissionais de educação física e de outras categorias para reivindicar a flexibilização nas medidas tomadas pelo governo do Amazonas no enfrentamento à Covid-19 no Estado.

Eles questionam as ações estaduais para reduzir o impacto gerado pelo fechamento do comércio, como a concessão do auxílio emergencial de R$ 200, tão pouco que “mal dá para o sustento diário de uma só pessoa”, como alegam algumas categorias.

“Nós somos do Sindicato dos Vendedores Ambulantes de Manaus e a nossa reivindicação é a reabertura, com a flexibilização que possa atender ao anseio dessas pessoas que estão paradas, tanto no centro, nas galerias, como também no terminal. Nós estamos reivindicando essa possibilidade”, gritou um dos manifestantes, sem se identificar na multidão que ocupou as imediações da Assembleia Legislativa.

Manifestantes foram recebidos por um grupo de deputados na Aleam
Foto: Evandro Seixas/Aleam

Faixas, cartazes, gritos de ordem como ‘estamos passando fome’, ‘não aguentamos mais tanto arrocho’, ecoaram pelas proximidades do Legislativo. A avenida Mário Ypiranga Monteiro, palco dos protestos, foi fechada durante as manifestações, causando grandes aglomerações de público num momento em que as autoridades de saúde recomendam o máximo de distanciamento para prevenir uma maior disseminação da Covid-19.

O fechamento da via, que liga a zona norte à zona sul da capital, prejudicou a circulação de ambulâncias, veículos e pessoas idosas que foram tomar vacina contra a Covid-19 nos postos de vacinação localizados na Universidade Paulista (Unip) e na Universidade Nilton Lins.

Ânimos acirrados

A PM-AM (Polícia Militar do Amazona) tentava acalmar os ânimos que estavam muito acirrados, culminando em agressões por parte de policiais militares contra algumas pessoas que participavam dos protestos, segundo testemunhas.

Os manifestantes alegam que o governo do Estado ainda não deu a contrapartida necessária para os setores não-essenciais que hoje vivem em uma situação de penúria sem poder funcionar, sem fluxos de caixa e acumulando dívidas.

O deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) foi o único parlamentar que esteve no local das manifestações e se comprometeu a montar uma comissão para ouvir, em conjunto com o presidente da Aleam, Roberto Cidade (PV), as reivindicações dos manifestantes.

A multidão gritava pedindo o impeachment do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), cuja gestão tem sido alvo de intensos protestos nessa época de grave crise sanitária no Estado.

Pegando carona nas manifestações provavelmente para ter maior visibilidade e aumentar o seu cacife eleitoral, o deputado Wilker Barreto aproveitou a oportunidade para detalhar os trâmites que devem nortear um pedido de afastamento de uma autoridade pública nas três esferas da administração.

“O processo precisa seguir todo o protocolo legal, para que, mais à frente, o ato não seja cancelado por conta de possíveis irregularidades”, explicou ele diante da multidão que gritava, em alto e bom som, pedindo a saída do governador do Estado.

Após negociarem com a PM-AM, os manifestantes decidiram liberar a Avenida Mário Ypiranga Monteiro para circulação de veículos. Posteriormente, representantes do ato público se reuniram com o presidente da Aleam, Roberto Cidade, e alguns deputados estaduais.

Cidade prometeu discutir as reivindicações nas próximas sessões parlamentares da Casa. O deputado informou ainda que 13 processos de impeachment do governador Wilson Lima, que tramitam na Aleam desde 2020, estão sendo analisados pela procuradoria da assembleia.

“É um processo muito complexo. Tivemos várias judicializações tanto na mesa diretora, com outro processo de impeachment, como na CPI da saúde. Estamos trabalhando, ouvindo o povo do Estado, buscando uma solução e dialogando com todos os amazonenses”, disse o parlamentar.

Foto/Destaque: Divulgação

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