6 de maio de 2021

Protagonismo indígena e economia em pauta no Visão JCAM

O Visão JCAM realizou, ontem, a sua segunda live deste ano, enfocando o tema ‘Economia e Protagonismo Indígena’, num momento em que a bioeconomia ganha maior importância, mais visibilidade, para alavancar a vida econômica do Amazonas.

Esta já é a sexta edição do programa reunindo grandes expertises para a discussão de temas, sempre envolvendo as potencialidades dos recursos naturais da região, uma alternativa que viria a se somar à ZFM (Zona Franca de Manaus), de onde se origina a maior receita do Estado, agregando mais empregos e renda à população

Os jornalistas Caubi Cerquinho e Fred Novaes, diretor de redação do Jornal do Commercio, mediaram os debates entre os especialistas. Participaram das discussões Carlos Augusto da Silva, professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas); Cisneia Menezes Bazílio, geóloga da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Amazonas;  Samela Sateré Mawé, integrante da Associação de Mulheres Indígenas Sateré Mawé; a empresária Clarinda Maria Ramos,  além do geólogo e professor Daniel  Nava, coordenador técnico do programa Visão JCAM.

Segundo Nava, a segunda edição do programa foi oportuna para apontar o potencial do conhecimento e dos produtos indígenas na geração de novas riquezas, promovendo a inserção no ambiente de negócios.

“Foi atribuída aos índios uma série de atividades produtivas, mas ainda não entendemos o papel do Estado nessa questão. Então, a ideia foi reunir os principais atores para avaliar como se constrói essas ações no contexto da economia nacional”, ressalta Daniel Nava.

O professor Carlos Augusto disse que os índios que habitam a região descendem das mesmas populações que migraram para a Amazônia há 28 mil anos, trazendo suas histórias, a cultura e os costumes e a relação com outras etnias.

“Toda essa riqueza é um patrimônio que precisa se agregar à atividade econômica do Estado. Hoje, a  questão da economia está muito visível. E a riqueza vem principalmente da floresta”, diz o professor. “É uma poupança que precisa ser mais articulada. Mas é necessário criar uma infraestrutura logística que possibilite o aproveitamento desses produtos de forma sustentável”, acrescenta o professor.

Carlos Augusto diz que os rios são uma estrada, mas em certo período o acesso às comunidades  torna-se difícil com a vazante. “É necessário criar um turismo sustentável para esses povos tradicionais”, afirma. 

Avanços

Hoje, o Pará está muito mais avançado nessa questão. Tem uma relação mais próxima com as populações indígenas, possibilitando a comercialização dos mais diversos produtos oriundos de etnias –fato que não acontece com o Amazonas, que ainda precisa dar mais atenção a essas potencialidades, segundo o professor Carlos Augusto.

Cisneia Menezes falou do valor cultural e da mineração no Alto Rio Negro. De origem dessana, ela disse que São Gabriel da Cachoeira, o município mais indígena do Brasil, tem hoje 23 etnias e 24 línguas faladas.

“Poderíamos  trabalhar o uso cultural na produção de artesanato, a mineração sustentável que é uma solução exequível”, disse. “É uma proposta também para alavancar o turismo geológico. O povo do rio Negro já realiza o geoturismo, é esse protagonismo que estamos procurando”, afirma.

Dona de restaurante, a empresária Clarinda Maria Ramos ressaltou a comercialização de comidas típicas da culinária indígena. “Oferecemos cardápios oriundos do alto rio Negro e do Médio Amazonas”, afirma. “São opções que derivam dos mais diversos produtos originários da floreta”, acrescentou.

Os últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatísticas), de 2010, apontam que 896 mil pessoas se declararam ou se consideraram indígenas no Brasil. A riqueza cultural pode ser avaliada pelas 250 mil línguas faladas por indivíduos pertencentes a 305 etnias.

Manaus tem pelo menos 40 mil indígenas e São Gabriel da Cachoeira é o município com a maior população de índios.

Foto/Destaque: Divulgação

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