Proprietários de veículos fazem fila para abastecer a R$ 2,49 por litro de gasolina

A equipe de reportagem do Jornal do Commercio encontrou, ontem, dois postos de combustíveis vendendo o litro da gasolina por R$ 2,49, quando a média de preço constatada por este veículo de comunicação no mesmo dia foi de R$ 2,75. Os postos são de bandeira BR e Atem, ambos situados à Avenida Desembargador João Machado, bairro de Flores, zona Centro-Sul.

Segundo o gerente do posto BR, Erivelton Aguiar, a redução no preço da gasolina começou, ontem pela manhã, quando ele constatou que o estabelecimento concorrente (Atem) há um quilômetro de distância, havia reduzido o preço na bomba. “Tivemos que baixar o preço também para não perdemos clientes, porque nós dois somos os únicos postos da área. Se eu não diminuísse para o patamar iria perder clientes”, argumentou Aguiar.

O autônomo Adalberto Primo, 28, disse que não sabia do preço promocional e só descobriu quando entrou na fila, no momento com cinco carros, para abastecer. “Agora que vi quanto a gasolina está custando aqui estou até desconfiado de estar comprando um produto adulterado”, confessou.
Durante o tempo em que a equipe de reportagem permaneceu no local, as filas continuaram aumentando e já estava interrompendo o fluxo constante de veículos naquela avenida. “Não sei até quando poderemos manter o preço assim tão baixo. No máximo até amanhã (quarta-feira) já teremos voltado ao valor normal”, adiantou o gerente do posto BR.

No posto de combustíveis Atem, as filas eram ainda maiores, devido à localização privilegiada do empreendimento, próximo das ruas de acesso aos conjuntos Canaã e Ajuricaba. A esteticista, Maria do Carmo Queiroz, 29, estava há dez minutos na fila e disse que continuaria até ser atendida. “Com esse preço eu fico aqui até conseguir encher o tanque. Não é todo dia que acho uma gasolina assim”, afirmou Maria.
Enquanto o gerente da empresa terminava de atender um cliente para depois explicar o motivo do preço promocional, o proprietário do posto, conhecido apenas por Ricardo, expulsou a equipe da sala de espera da gerência administrativa aos empurrões. “Não falo com a imprensa. Vocês só sabem ‘tacá’ pau na gente. O nosso preço é esse mesmo, mudamos quando queremos e vocês não têm nada a ver com isso”, vociferou Ricardo e fechou a porta de vidro à chave.

O gerente, Neto Freitas, logo surgiu para pedir desculpas pela falta de educação do chefe e confirmou que a gasolina a R$ 2,49 estava neste preço desde a segunda-feira, 8.

Livre para colocar preço

O presidente do Sindcam (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Lubrificantes, Álcoois e Gás Natural do Estado do Amazonas), Luis Felipe de Moura Pinto, disse que cada empresário é livre para praticar o preço que desejar e negou a existência de combinação de preços. “Não tem isso de combinar preço de gasolina em Manaus, cada posto coloca o preço que preferir, é um livre comércio regido pela lei da oferta e procura”, declarou Pinto.

O levantamento de preços da ANP é realizado semanalmente e, em Manaus, foi aferido em 73 locais. Os cálculos do Sindcam apontam a existência de 250 postos de combustíveis na cidade, mas apenas 130 são filiados ao sindicato. O maior valor averiguado no Estado do Amazonas, pela ANP, foi no município de Tefé (há 525 km de distância de Manaus), onde a pesquisa com dez postos resultou em um valor médio de R$ 2,97 por litro, no último dia 6.

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