Proprietários de cinemas do Brasil contestam Ecad no Senado

O projeto de lei que deso­briga os donos de cinemas de pagar 2,5% de sua arrecadação ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Dis­­tribuição) foi criticado pela superintendente execu­tiva da entidade, Glória Bra­ga. “Este projeto de lei é uma aberração jurídica e minimiza a importância da música no filme”, afirmou. A proposta está pronta para votação no plenário do Senado.

Glória diz que, se virar lei, o projeto deve criar uma situação de constrangimento. Segundo ela, a proposta contraria tratados com outros países. Hoje, o Ecad recolhe direitos autorais tanto de filmes nacionais como de filmes estrangeiros. Os exibi­dores de cinema, é claro, con­cordam com o projeto e defendem sua aprovação. Para eles, a cobrança feita pelo Ecad é alta e pouco beneficia o compositor nacional.

De acordo com Ricardo Di­­fini Leite, presidente da Feneec (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas) – entidade sindical que congrega todos os sindicatos que representam as exibidoras de cinema – apenas 10% do conteúdo exibido hoje nos cinemas é nacional. Assim, diz ele, dos cerca de R$ 15 milhões repassados ao Ecad, apenas R$ 1,5 milhão chega aos compositores brasileiros. O resto sai do país para os compositores dos filmes internacionais.

Os exibidores argumentam, ainda, que exibem filmes e não música. E mais: chegarão ao fim se concordarem com os valores impostos pelo Ecad, de 2,5% sobre a receita bruta. Atualmente, os exibidores pagam 47,5% da receita bruta da exibição de filmes aos distribuidores incluídos os direitos devidos ao diretor, ao roteirista e aos músicos que participam da obra.

O projeto de lei nasceu no Senado há três anos e, para muitos, como a superintendente executiva do Ecad, foi uma surpresa saber que a proposta continua viva depois de tanto tempo e pronta para votação. Numa tentativa de salvar parte da arrecadação do Ecad, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) propôs emenda ao projeto no sentido de isentar de contribuição apenas os filmes internacionais. A idéia é manter a cobrança sobre os nacionais. Contudo, o relator do projeto no plenário do Senado, senador César Borges (PR – BA), já deu parecer pela rejeição da emenda.
No início do mês, o tom da audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, foi intenso, quando foram discutidos os métodos do Ecad na gestão dos direitos autorais e a cobrança dos direitos no caso das músicas tocadas em filmes no cinema.

Ricardo Leite, na ocasião disparou contra o monopólio e os valores cobrados pelo Ecad, além de reclamar da falta de fiscalização sobre a entidade. Para Glória Braga, os compositores, assim como os diretores, têm direitos autorais. Segundo ela, os diretores e argumentistas recebem 47% da bilheteria por filme exibido. Cabe então, ao Ecad, cobrar dos exibidores 2,5% pelos direitos autorais dos compositores.

A cobrança de direitos autorais por músicas inseridas em filmes por muito tempo é alvo de embates entre o Ecad e os exibidores também no Judiciário. O Ecad tem obtido liminares na Justiça para penhorar bens dos exibidores e até impedir a exibição de filmes. Ricardo Leite argumentou que os exi­­­bidores serão levados à extinção se coagidos a acatar os valores impostos pelo Ecad.

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