Proposta quer proibir pesca em todo Estado do Amazonas

O Amazonas corre sério risco de, nos próximos anos, ter a pesca proibida em todos os rios, lagos e igarapés da região. Trata-se da proposta do “Defeso Total”, que é defendida por instituições ligadas ao meio ambiente e à pesquisa ambiental na Amazônia.
Segundo a proposta, só seria permitida a captura e venda de peixes de criadores particulares. Enquanto isso, a pesca comercial nos rios, lagos e igarapés seria proibida. De acordo com os defensores da proposta, a medida visa garantir a reprodução de todas as espécies de peixe nos rios da Amazônia.
Embora não seja consenso entre cientistas, pescadores e pesquisadores, a proposta do “Defeso Total” será um dos temas de maior polêmica discutidos na 3ª Semana da Pesca do Amazonas, que começou na sexta-feira e vai até a próxima segunda-feira, dia 29. As reuniões e debates acontecem em Manaus e interior do Estado.
A ideia de criar o Defeso Total baseia-se em pesquisas que apontam a diminuição do tamanho de espécies populares como o jaraqui e o bodó, que embora sejam abundantes na região, têm ficado menores ao longo dos anos.
“Não somos a favor do “Defeso Total”, no entanto sabemos que a pesca deve ser mais controlada para evitar a saturação de algumas espécies”, explicou o presidente da Fepesca (Federação dos Pescadores do Amazonas), deputado Walzenir Falcão.
Para a aprovação do Defeso Total será necessária a realização de estudos científicos e ambientais apontando a necessidade da proibição. “Os estudos devem ser detalhados e abranger todas as calhas do rio, levando vários anos de trabalho e inúmeros pesquisadores”, acrescentou Falcão.
Atualmente, o Defeso nos rios da Amazônia protege oito espécies, entre elas o tambaqui e o pacu, bastante consumidos pela população. O período do Defeso vai de novembro a março e tem a participação de mais de 40 mil pescadores em todo o Amazonas.
No caso do pirarucu, que está em risco de extinção, a pesca é proibida durante todo o ano. Pescadores que forem flagrados capturando o peixe podem ser presos, pagar multa e terem os materiais de pesca apreendidos.
A Fepesca avalia que a proposta do Defeso Total segue o modelo do Defeso do pirarucu, que após anos de proibição, finalmente começa a obter bons resultados.
“Os pirarucus estão se reproduzindo com mais facilidade e voltaram a habitar alguns igarapés e lagos onde há anos não se via esse peixe”, destacou o engenheiro de pesca, Paulo Rolim.
Embora sejam poucos, os sinais de sucesso na recuperação do pirarucu podem estar influenciando algumas instituições como o Ibama e o Inpa, especula Rolim. “Eles acham que o Defeso Total pode recuperar os cardumes da mesma forma que vem auxiliando o pirarucu. Isso é um erro”, frisou.
Caso o Defeso Total seja aprovado no futuro, não apenas o setor pesqueiro será prejudicado, mas toda a cadeia secundária como restaurantes, feiras, mercados e o pólo turístico, avaliou Paulo Rolim.

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