Codam aprova projetos para diversificação e modernização

A escalada de investimentos do setor primário no interior do Amazonas e a modernização do leque da indústria incentivada de Manaus, mesmo em ano de pandemia e crise, foram os focos da 288ª reunião do Codam (Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas) – a última do ano –, realizada nesta quinta (17). Os conselheiros também aprovaram a íntegra da pauta, com 40 projetos (22 de implantação, 14 de diversificação e quatro de atualização), R$ 2,65 bilhões em aportes e 1.806 empregos (1.500 na produção e 306 de administração).

Presente na reunião, o superintendente adjunto da Suframa, Luciano Tavares, mencionou que autarquia federal estuda a possibilidade de abrir um posto em Humaitá, em virtude de “toda a pujança” do município no agronegócio amazonense, registrada nos últimos meses. “Estamos desenvolvendo estudos e, de acordo com nossas condições e mediante todo o processo para que isso aconteça, vamos ver a viabilidade para a Suframa e para o Estado”, mencionou.

Embora tenham oscilado dede 2015, os investimentos privados em projetos para o interior do Amazonas fecharam 2020 novamente com saldo positivo. Saíram de R$ 1,99 milhões (2 projetos), em 2015, para escalar até os R$ 63,89 milhões (10 projetos), em 2017, e voltar a cair nos dois anos seguintes. Entre 2019 e 2020, contudo, houve um salto de 54%, para R$ 112,15 milhões (10 projetos). A mão de obra também oscilou e subiu de 45 para 626, no mesmo período. 

“Isso demonstra que estamos transformando o agronegócio em nosso Estado, que teve PIB de R$ 7,9 bilhões, no ano passado. Muita gente está deixando suas terras, em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, para migrar para essa nova fronteira”, complementou o titular da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação) , Jório Veiga, destacando os investimentos em Presidente Figueiredo, Iranduba, Manacapuru, Anamã, Tapauá, Tefé e Humaitá.   

O setor primário foi justamente um dos focos da pauta, mediante o reforço no programa estadual de interiorização do desenvolvimento para o interior. Um dos projetos vem da fábrica de beneficiamento de filé de peixe Pinheiro e Silva Ltda, com aporte de R$ 4,27 milhões e expectativa de gerar 72 empregos em Manacapuru. Outro vem da RCMT Comércio de Produtos Alimentícios, que está injetando R$ 85,14 milhões em uma fábrica de Castanha do Brasil desidratada, gerando sete postos de trabalho. 

Foco no PIM

Os destaques do PIM na lista do Codam foram os projetos da Mondial (130 empregos e R$ 159 milhões, para a instalação de linhas de produção de televisores, condicionadores de ar e micro-ondas), Transire (R$1,420 bilhão), Foxconn Eletrônicos (R$ 237 milhões para produção de unidades digitais de processamento), Adargh Indústria de Embalagens (R$ 221 milhões para tampas de alumínio) e do grupo SMART (R$ 177 milhões).

“No caso da Smart, eles tinham duas fábricas em Atibaia (SP), mas entenderam que seria melhor expandir para cá. A Transire já é uma empresa tradicional e inovadora no Amazonas, tanto na área industrial, quanto na bioeconomia e já conta com uma boa participação no mercado de maquinhas de cartão. E a Mondial é uma empresa genuinamente nacional, que nasceu fabricando ventiladores e hoje conta com um catálogo de mais de 400 produtos, incluindo robozinhos de limpeza”, listou Veiga.

De acordo com o presidente da Fieam, esse seria também o caso da Mondial, que comprou a estrutura fabril da Sony – mas não sua marca – para aumentar seu leque de produtos e duplicar sua capacidade de eletro portáteis. “No começo da Zona Franca, os japoneses vieram e acabaram sendo seguidos por outras indústrias. Agora, está acontecendo isso com os coreanos, e a Sony acabou perdendo competitividade em TVs. Graças a Deus que a Mondial veio, vai fazer até 400 contratações e manter os ativos e toda a estrutura da fábrica japonesa”, comemorou. 

Saldo positivo

Com a pauta aprovada ontem, o Codam encerra 2020 com R$ 10,51 bilhões em aportes produtivos, divididos em 203 projetos (96 de bens finais e 107 de produtos intermediários), com previsão de gerar 7.082 postos de trabalho (5.951 na produção e 1.131 na área administrativa). Há exatos 12 meses, os números foram R$ 5,70 bilhões, 197 e 7.502, respectivamente. Diferente do ocorrido com os projetos e investimentos, o quantitativo dos postos de trabalho acumulado em 2020 só não foi menor do que o de 2017 (5.812), ficando bem atrás do número de 2016 (9.902) – que foi de recessão.

“Quando vemos a série histórica, a quantidade de projetos só não foi maior do que a de 2016 [213]. E o volume de investimentos é o maior desde 2015. É uma retomada em um ano atípico. Muita gente parou operação deixou para depois, enquanto outros visionários aproveitaram a maior disponibilidade e o melhor preço para investir e estarem prontos para sair na frente, quando a oportunidade de crescer e surgir. Planos que estavam previstos para serem feitos em três anos, estão sendo realizados em prazos de três a seis meses”, comentou Veiga.

Para o secretário estadual, o saldo de 2020 foi positivo em faturamento do PIM, empregos e arrecadação. O recolhimento de ICMS acumulado até novembro, por exemplo, 8,56%, sendo puxado pelo comércio (+14,60%) e, em menor grau, pelos serviços (+6,93%) e pela indústria (+3,10%). “Isso representa uma recuperação na economia, que beneficiou todos os setores. Alguns tiveram ganhos até já bateram a meta anual, em agosto. O Amazonas é um dos Estados com a melhor situação fiscal, não tem nada atrasado”, encerrou. 

Crédito e ocupações

Em apresentação durante o Codam, o diretor-presidente da Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas), Marcos Vinicius Castro, disse que 2020 foi um ano de conquistas, apesar do “novo normal”, com a redução de taxas de juros, alongamento dos prazos de financiamentos e aplicação do auxilio emergencial no Estado, criando as condições para manter 30 mil ocupações no Estado. No comércio, por exemplo, a atuação da Afeam teria sido mais destacada no atacado, lojas de confecções, e prestadores de serviços em turismo e transporte. 

O demonstrativo de aplicação em operações de crédito com recursos do FPMES (Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e ao Desenvolvimento Social do Estado do Amazonas) acumulou R$ 110,41 milhões ao longo dos 12 meses de 2020, alta de 55,94% sobre 2019 (R$ 70,80 milhões). A maior parte foi aplicada no comércio (R$ 63,16 milhões) e serviços (R$ 25,14 milhões). Em cinco anos, a Afeam já soma R$ 525,97 milhões em operações e saldo superior a 224 mil ocupações econômicas mantidas. Em paralelo, a arrecadação do tributo totalizou R$ mais de R$ 1,09 bilhões, desde 2015. 

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