Proibições de Letícia para entrada de brasileiros gera tensão em Tabatinga

As restrições por causa da Covid-19 acirram os ânimos na região da tríplice fronteira do Amazonas, no Alto Rio Solimões. A população de Tabatinga reclama que o governo colombiano vem impedindo o acesso de brasileiros a Letícia. As duas cidades gêmeas são ligadas apenas por uma via – a Avenida da Amizade-, onde diariamente o intercâmbio cultural e econômico é intenso.

A tensão aumenta porque a Colômbia não vem cumprindo o acordo fechado com o Brasil para o livre trânsito de pessoas e veículos entre as duas cidades enquanto durar a pandemia do novo coronavírus, segundo denunciam consumidores que tentam passar para o lado colombiano em busca de alimentos e remédios.     

A decisão do Ministério da Justiça estaria vinculada a uma exigência de ‘reciprocidade’ – ou seja, o que fosse permitido aos estrangeiros, seria também autorizado aos brasileiros, de forma igualitária. Mas a população de Tabatinga diz que está sendo proibida de entrar em Letícia.

Em abril, o governo federal restringiu o acesso de estrangeiros nas regiões de fronteiras do País para conter o avanço da pandemia. Tabatinga e Letícia ficaram, porém, livres dessas determinações por serem cidades gêmeas. E também por manterem atividades comerciais que beneficiam os dois municípios. 

A dependência econômica entre as cidades é muito estreita, mas agora está relação está ‘arranhada’ devido ao coronavírus e ainda pelas restrições da Colômbia. A pandemia vem matando tanto do lado brasileiro quanto do lado colombiano. O pânico é geral, mas as pessoas são obrigadas a buscar a sobrevivência mesmo com o risco iminente de contágio.  

Enquanto militares do pelotão de fronteira em Tabatinga permitem que colombianos passem livremente para o Brasil, a Polícia Nacional da Colômbia não deixa passar ninguém. A fiscalização é feita pela PF (Polícia Federal) com apoio do Exército e da Polícia Nacional brasileira. As cidades gêmeas estão distantes a aproximadamente 1.150 quilômetros de Manaus, a capital.

Em Tabatinga, já foram registrados pelo menos 1.280 casos de Covid-19 até a terça-feira (16). Em Leticia, as estimativas é que o número de infectados passa de 2.500.

As proibições impostas pela Colômbia motivam intensos protestos por parte da população de Tabatinga. Consultada, a PF Federal informou que está analisando as restrições e que se pronunciará posteriormente sobre o impasse.

“Não me liberaram para comprar um calmante para dormir. Eles só querem ser privilegiados aqui no nosso País.  Toda hora entram e saem como quiserem, a hora que eles querem”, protestou a vendedora ambulante Raimunda Franca. Ela foi barrada pela Polícia Nacional da Colômbia na divisa entre as duas cidades. E não adiantaram seus apelos para passar e comprar o remédio, que é mais barato em Letícia.

No lado brasileiro, a fiscalização de estrangeiros que moram em Letícia é mais branda. Segundo o Departamento da Polícia Nacional da Colômbia, existe um acordo para o livre transporte de cargas de produtos de primeira necessidade na fronteira entre os dois países. A compra de remédios está liberada só com receita médica.  As restrições são para tentar diminuir a disseminação da Covid-19 em Letícia.

Quem tenta entrar em Tabatinga tem que passar antes na barreira sanitária. “Caso eles apresentem dor de cabeça, febre, a secretaria de saúde fará um contato para fazer uma visita à casa deles”, disse Brenda Araújo, funcionária da prefeitura de Tabatinga. “São orientações sobre procedimentos médicos em casos de Covid-19”, acrescentou ela.

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