Programa inclui seis municípios no AM

Projeto do Governo Federal visa levar acesso a internet para cidades com baixo IDH

Dificuldade em enviar e ler e-mails, problemas na comunicação via internet, isolamento virtual, esses são problemas constantes para quem mora no interior do Estado e convive com a internet incipiente da região. Mas, para seis municípios do interior, a situação pode começar a melhorar. O governo federal anunciou ontem a lista de 262 municípios de todas as regiões do país que irão fazer parte da segunda etapa do programa Cidades Digitais, do Ministério das Comunicações.
Autazes, Benjamin Constant, Careiro, Codajás, Iranduba e Maraã são os municípios do Amazonas que estão contemplados com parte dos R$ 201,7 milhões do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento). Concorreram municípios que tivessem até 50 mil habitantes e estão distantes até 50 km do backbone (rede principal) da Telebrás ou que tenham compromisso firmado com operadoras privadas para conexão à internet. O baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e acesso a banda larga foram os fatores levados em conta para a seleção dos municípios.
Uma das ações do programa Cidades Digitais é a oferta de pontos de acesso à internet para uso livre e gratuito em espaços públicos de grande circulação, como praças, parques e rodoviárias. O projeto inclui também a implantação de aplicativos de e-gov nas áreas financeira, de tributação, educação e saúde, bem como a capacitação dos servidores municipais para o uso e gestão da rede.
O chefe de gabinete e coordenador do projeto Cidades Digitais da Prefeitura de Benjamin Constant, Bismarck Júnior, conta que o projeto enviado pelo município visou contemplar cinco pontos da cidade, um em cada bairro. “Optamos por escolher praças e áreas abertas, somente um dos pontos será em uma biblioteca. Assim conseguiremos dar o acesso ao maior número de munícipes da cidade e abranger todas as regiões do município”, contou.
Segundo Bismarck, a prefeitura quase não enviou o material, por não acreditar que poderia ser escolhida. “Havia um receio de que não seríamos selecionados devido às grandes dificuldades logísticas, mas a nossa prefeita decidiu que valia a pena tentar, pois a internet na região precisa ser melhorada”, conta.
O vereador de Maraã, Ulino Rodrigues Pessoa (PSL), contou que os valores cobrados pelo serviço de internet na cidade são muito altos e há muita dificuldade em se abrir uma simples página de um site. Segundo o vereador, a internet possibilitada pelo governo do Estado, no programa Amazonas Digital, também não funciona como deveria. “Chegamos a pagar R$ 180 pela internet particular, que não atende as necessidades básicas de um mundo que tende a viver cada vez mais conectado. Essa escolha é muito importante pelo que pode trazer para a cidade”, destacou.
A rede Cidades Digitais é composta por um anel de fibra óptica que interliga os órgãos públicos locais. Empresas integradoras, contratadas por meio de pregão eletrônico, são responsáveis pelo fornecimento de equipamentos, serviços de instalação, suporte técnico e capacitação da administração municipal. O projeto conta, entre outros, com a parceria do Ministério do Planejamento, da Telebras, do Inmetro e do BNDES.

Deputado questiona eficiência do projeto

Relator de internet na CPI da telefonia da Aleam (Assembleia Legislativa do Estado), deputado Marcelo Ramos (PSB), disse que é preciso procurar saber de que forma o programa será implantado. “Não selecionaram esses municípios antes por dizer que o Amazonas não tinha estrutura para receber. Sendo que esse deveria ser um motivo para selecionarem. Agora decidiram que vão selecionar, mas é preciso ver de que forma isso será feito. Já estamos cansados de promessas e a internet segue precária no Estado” reclamou.
O deputado comparou o projeto ao do governo do Estado, que buscou levar internet ao interior. “O Amazonas Digital foi um verdadeiro fracasso, essa é a verdade. O que precisamos é que o governo faça a instalação de cabos de fibra óptica ou fomentar as empresas para que invistam mais nas regiões. É claro que as ideias dos programas são boas, mas é preciso cobrar mais para receber melhor”.
Segundo a assessoria do Ministério das Telecomunicações, o cronograma de implantação do programa nas cidades selecionadas deve ter início com a definição das empresas integradoras, previsto para janeiro de 2014. Depois de escolhidas, essas empresas terão dois meses para visitar os municípios e apresentar o projeto executivo. Logo após o aval do Ministério, começa a instalação dos programas nas cidades.

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