Programa Habitacional deve manter mercado imobiliário ativo

Tudo sinaliza que o volume de comercializações habitacionais do programa MCMV (Minha Casa Minha Vida), terão uma relevância durante a crise econômica provocada pela pandemia. No entendimento do mercado as vendas devem manter o equilíbrio do setor. O resultado deve ser confirmado no levantamento do segundo semestre, pela Ademi (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário no Estado do Amazonas).

Não é novidade para o mercado imobiliário que o protagonismo dos imóveis econômicos sempre apresentaram números expressivos em relação a demanda. No primeiro trimestre deste ano, por exemplo, as vendas dentro do padrão econômico em Manaus, contabilizaram 546 comercializações, frente a 283 nos demais padrões, conforme dados da entidade. Só no mês de abril, 203 imóveis vendidos estavam enquadrados no programa habitacional, que corresponde a 77% das negociações do segmento.

Sem manifestar projeções, mas dando destaque ao que delineia o setor,  o vice-presidente da Ademi-AM, Helio Alexandre, diz que a tendência é que os produtos econômicos sustentem o setor com maior procura a nível nacional. “É nessa linha que vamos continuar. De imediato continua sendo um forte candidato a desempenhar o mercado imobiliário”.

Os imóveis de valores mais baixos sempre estão no radar dos consumidores que sonham com a casa própria. “Os imóveis populares sempre são pujantes na crise. Sempre são os mais procurados. Eles deixaram de ser apenas um produto mais barato, mas também de excelente qualidade. Um produto que passa a ser melhor a cada ano. Seja em relação a Receita ou ao contracheque familiar de quem o adquire. Além disso, entram na lista dos imóveis novos e bem localizados”.

O superintendente da Morar Mais Empreendimentos e diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Ademi, Henrique Medina, concorda que as moradias deste tipo de produto, tem um papel preponderante em períodos de crise. “Para se ter uma ideia há muitos anos a gente vem indicando nas nossas pesquisas um número maior de vendas no total de negócios econômicos frente aos produtos convencionais”. 

Com a crise da Covid 19, certamente os segmentos econômicos voltam a ter uma relevância sobre os produtos de médio e alto padrão. “Os produtos econômicos vão sentir menos que os produtos convencionais até porque esses itens são imóveis de primeira moradia. Tem subsídio do governo federal, com descontos e taxas acessíveis. Tem uma capilaridade maior do que os outros produtos.”, frisa Medina. 

Conforme Medina, o déficit habitacional do país é extremamente elevado e o programa surge exatamente nessa linha de representatividade. “As pessoas têm a necessidade de adquirir o primeiro imóvel, querem sair do aluguel,, sobretudo as famílias com rendas mais baixas”. 

De acordo com a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) o déficit no país que já era alto, aumentou em mais de 220 mil imóveis entre 2015 e 2017, batendo recorde. O déficit de moradias cresceu 7% em apenas dez anos, de 2007 a 2017, tendo atingido 7,78 milhões de unidades habitacionais em 2017.

O MCVM representa atualmente 70% do mercado imobiliário brasileiro. Cerca de 500 mil empresas atuam no programa de habitação popular.Os produtos econômicos vão até R$190 mil reais.

Indicadores

A Cbic (Câmara da Indústria da Construção), mostrou na última segunda-feira (25), o estudo Indicadores Imobiliários Nacionais do 1º Trimestre de 2020 que também analisou a participação do programa habitacional MCMV nas unidades lançadas e nas unidades vendidas por região brasileira. A representatividade do MCMV sobre o total de lançamentos, no período, foi de 57%. Sobre o total de vendas, essa participação foi de 55,6%.

A queda nas vendas entre imóveis de médio e alto padrão e imóveis do Minha Casa Minha Vida, durante a pandemia, é desproporcional. Nas regiões com maior incidência do programa, a queda foi menor. 

Na avaliação do vice-presidente de Indústria Imobiliária da CBIC, Celso Petrucci, as obras financiadas pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) potencializaram o mercado imobiliário durante o período. “A participação do Minha Casa Minha Vida se torna cada vez mais fundamental para o mercado imobiliário. Apesar da pesquisa ter levado em conta apenas empreendimentos verticais de 118 municípios, mesmo assim a participação do MCMV representou 57% dos empreendimentos. O que significa que, analisando o cenário como um todo, o recurso do FGTS e o MCMV devem ser responsáveis por cerca de 80% do número de unidades do mercado de todo o país.”

Outros números

De acordo com informações fornecidas por empresas associadas à Abrainc, os lançamentos de imóveis somaram 3.932 unidades em fevereiro de 2020, totalizando 6.781 no primeiro bimestre (alta de 34,6% em relação ao primeiro bimestre de 2019) e 113.832 unidades nos últimos 12 meses (volume 15,4% superior ao registrado nos 12 meses precedentes). Já as vendas de imóveis novos somaram 9.965 unidades em fevereiro, colaborando para um volume total de 19.077 unidades comercializadas no primeiro bimestre (o que representa um avanço de 25,9% frente ao mesmo período de 2019) e 118.427 no acumulado dos últimos 12 meses (alta de 3,6% face 12 meses anteriores). 

Considerando apenas os empreendimentos residenciais, 79,6% dos lançamentos e 70,8% das vendas observadas nos últimos 12 meses corresponderam a unidades classificadas como Minha Casa Minha Vida (MCMV), ao passo que os empreendimentos de Médio e Alto Padrão (MAP) foram responsáveis por 20,4% das unidades residenciais lançadas e 29,2% das unidades residenciais vendidas no mesmo período. Na análise do desempenho de cada um desses segmentos, é possível destacar o avanço de 21,2% dos lançamentos e de 4,8% nas vendas no segmento MCMV nos últimos 12 meses, enquanto, no caso de empreendimentos de Médio e Alto Padrão (MAP), os volumes de lançamentos e vendas acumularam altas de 8,3% e 3,1% nos últimos 12 meses, respectivamente.

Esse desempenho, vale destacar, ainda precede a disseminação da COVID-19 no país, bem como a tomada de decisões relativas à paralisação das atividades econômicas não essenciais em estados e municípios. A expectativa é que tais impactos sejam observados na leitura dos Indicadores Abrainc-Fipe atualizados com dados de março e abril.

Fonte: Andreia Leite

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