Programa busca reduzir a fome no Amazonas

A fome é uma das piores desgraças que existe na humanidade. Foi pensando em aliviar e, quiçá, acabar com a fome em Manaus e no Amazonas, que o administrador de empresas Thomaz Antonio Perez da Silva, o Thomaz Meirelles, idealizou o programa ‘Não haverá Paz enquanto houver Fome’. Trabalhando na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Thomaz observou que muitos dos alimentos jogados fora em feiras e supermercados, podem ser aproveitados. Partiu daí a concretização de seu sonho.

O agronegócio familiar e empresarial, a agricultura e a pecuária são a saída. Não tem outro caminho”

Thomaz Meirelles

Jornal do Commercio: Quando e por que você teve a ideia de criar um programa de redução de desperdício de alimentos?

Thomaz Meirelles: Em 2004 iniciei minha participação como membro do Consea (Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional) representando a empresa onde trabalhei 35 anos, a Conab. Vi, li e ouvi muito sobre esse tema chamado ‘SAN’ (Segurança Alimentar e Nutricional). Pela imprensa local fiquei sabendo existir um desperdício mensal de 90 toneladas de alimentos descartados pelas feiras da capital, que iam parar no lixo, e muitos desses alimentos poderiam passar por uma triagem. Acredito que já venha defendendo a criação de um programa para combater esse desperdício há mais de uma década, sem ser ouvido.

JC: Como o ‘Não haverá Paz enquanto houver Fome’ se concretizou, e qual a parceria que tem com o Mesa Brasil, do Sesc?

TM: Participei da campanha de Wilson Lima para governador, a convite do deputado Luiz Castro e do atual secretário de produção rural, Petrucio Magalhães. Desde a campanha vinha defendendo a criação de um programa amplo de combate a esse inaceitável desperdício. Defendi na transição de governo, no início do governo (fiquei lá por quatro meses) e pra minha alegria o governador sancionou a Lei e criou o programa. A frase, que deu nome ao programa, está no livro do ex-ministro Roberto Rodrigues. ‘Não haverá Paz enquanto houver Fome’ é uma verdade incontestável. O programa Mesa Brasil, do Sesc, assim como os feirantes e a prefeitura de Manaus, são parceiros da Sepror (Secretaria de Produção Rural), que vem coordenando e acompanhando as ações de coleta, triagem e doação dos alimentos.

JC: Quantas pessoas passam fome no Amazonas, e qual a solução para que ela acabe?

TM: Tem dois dados do IBGE que incomodam bastante, um deles, de 2018, é que temos 71% dos domicílios do Estado com algum grau de insegurança alimentar e nutricional. O outro é que 47,4% da população amazonense estava abaixo da linha de pobreza, em 2019. De um total de 4,1 milhões de pessoas, 1,9 milhões viviam nessa condição, inclusive em Manaus. O modelo econômico implantado no PIM (Polo Industrial de Manaus) não interiorizou o desenvolvimento e ainda deixou a capital com milhares na pobreza. É fato que devemos lutar por esse modelo, mas ele não pode ser exclusivo. Os números do IBGE estão aí. O agronegócio familiar e empresarial, a agricultura e a pecuária são a saída. Não tem outro caminho. Sabendo desses números de pobreza, de fome, é inaceitável nada fazer para acabar com o desperdício de toneladas de alimentos. Para aproveitar o potencial de pescado em momentos de safra em benefício da população vulnerável é preciso ter, pelo menos, um terminal pesqueiro com capacidade de estocagem. O nosso até hoje não funcionou, nem inaugurou, mas milhões foram embora.

JC: Fale sobre a Lei que foi criada sobre o programa. Qual a importância dela e o que define a respeito do programa?

TM: A Lei, assinada pelo governador Wilson Lima, criando o programa de redução de desperdício dá visibilidade a um assunto que era esquecido e ignorado. Ela também viabiliza amparo legal para que o programa seja estruturado e receba mais adesões públicas e privadas.

JC: Até então os alimentos para o programa eram coletados na feira da Manaus Moderna, mas isso está se ampliando. Hoje, onde estão sendo feitas as coletas de alimentos?

JC: Em conversa com a coordenação do programa na Sepror, após a sanção da Lei, que é bem recente, já foi possível observar o crescimento no quantitativo de doadores. Entre as feiras, tem a Manaus Moderna, da Banana, e duas da ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável: do Cassam e do Manaus Plaza).

JC: Quantos quilos são coletados diariamente, e que alimentos são estes?

TM: Algo em torno de uma tonelada dia, mas às vezes chegando 1,5 toneladas. São alimentos variados: banana, mamão, abóbora, macaxeira, melancia, pimenta de cheiro, couve e por aí vai.

JC: Quem são os ‘atores’ (órgãos públicos, empresas e recebedores) que estão envolvidos no ‘Não haverá Paz enquanto houver Fome’?

TM: Quem coordena é o Sistema Sepror, em parceria com feirantes, prefeitura de Manaus e o Mesa Brasil/Sesc. O Exército também participa. Após a sanção da Lei, que dá garantia aos doadores, o programa já recebe doação do Varejão Preço Bom, e em breve alguns supermercados da capital também começarão a fazer doações de alimentos.

JC: Descreva o passo a passo desde a coleta dos alimentos até o recebedor final e como vê a sua ideia sendo concretizada?

TM: Os ‘atores’ acima estão envolvidos na coleta e transporte até o galpão do Mesa Brasil/Sesc para fazer a triagem e, em seguida, viabilizar a doação aos programas sociais cadastrados no Mesa Brasil. Esse programa só pode acabar quando não tiver um único amazonense passando fome. Ele precisa ser cada vez mais fortalecido, pois povo mal alimentado adoece, dificulta o aprendizado e aumenta a violência. É lógico que fiquei muito feliz com a sensibilidade do governador Wilson Lima e do secretário Petrucio Magalhães em acatar um sonho há décadas defendido por mim. A população carente, as cozinhas comunitárias, os programas sociais, agradecem.

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