3 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Com uma área equivalente a 1.571.000 km² de extensão, o Estado do Amazonas é o maior Estado brasileiro a nível geográfico. Lar de inúmeros povos, comunidades tradicionais e populações metropolitanas, os amazonenses ainda enfrentam desafios de conectividade que atrasam os nortistas em relação ao restante do país.

A geografia singular isolou o povo amazônida, que esperou pacientemente pelos avanços da comunicação no restante do país para poder usufruir dos mesmos recursos, mesmo que em condições inferiores. De internet discada à rede sem fio, era e ainda é difícil se acostumar com as falhas da rede de conectividade, mesmo estando na capital do Amazonas. Agora imagine no interior do Estado.

O exemplo mais simples que podemos citar é o município de Parintins. Uma das mais importantes e influentes cidades do nosso Estado recebe milhares de visitantes no mês de junho, que chegam para aproveitar a disputa de Garantido e Caprichoso no Bumbódromo da localidade. Ao longo do ano, Parintins consegue suportar o acesso à internet de seus moradores, mas, durante os dias que antecedem até o final do festival, é quase impossível se manter conectado 24h.

Apesar de toda reclamação de turistas, as operadoras de rede tentam melhorar a cada ano esse problema pontual, mas pouco foi feito para assegurar o pleno funcionamento da internet durante os dias de festa. A distância, a localidade, o trajeto e o fato de Parintins ser uma ilha no meio do rio Amazonas, são fatores que comprometem e dificultam a permanência da conectividade instantânea.

Mas não é apenas Parintins que sofre com os fatores, os outros municípios também carecem de serviços de comunicação, sendo obrigados a viverem em isolamento geográfico e tecnológico. Com a pandemia, o acesso a serviços simples, como a educação, atrasou a vida de estudantes que não tinham como assistir aulas, pois não tinham acesso aos meios de comunicação que transmitiam os conteúdos.

Uma das alternativas do governo para driblar o isolamento dos nortistas surgiu através do PAC (Programa Amazônia Conectada). Instituído no ano de 2014, o projeto do governo federal tem como propósito implantar fibra óptica nos leitos dos rios e trechos terrestres, para que eles possam interligar cidades e comunidades, fixando canais de comunicação seguros, ágeis e de confiança.

No ano de 2021, o Governo do Amazonas assinou um Acordo de Cooperação Técnica com o Exército Brasileiro, buscando fortalecer o programa, através da empresa Prodam (Processamento de Dados Amazonas S.A.). “A assinatura do acordo vem possibilitando a ampliação das redes metropolitanas para conectar órgãos públicos (de todas as esferas), bem como hospitais e escolas, o que ampliará a implementação de políticas públicas no interior do Estado”, pontuou o governador do Amazonas, Wilson Lima.

Constituído de três fases, o projeto foi dividido por etapas para atender gradualmente os municípios do Estado, sendo atendidos primeiramente os municípios mais próximos. Na primeira fase, foi feito o lançamento de cabos subfluviais na calha do rio Solimões, no trecho Manaus-Manacapuru-Coari-Tefé, e, pela calha do rio Negro, no trecho Manaus-Novo Airão. Na segunda fase, foram atendidos os municípios de Novo Airão-Vila de Moura-Barcelos. Já na terceira, Barcelos-Santa Isabel do Rio Negro-São Gabriel da Cachoeira.

Ainda que tenha surgido para conectar as unidades do Exército Brasileiro na Amazônia, cerca de 1,5 milhão de pessoas foram beneficiadas igualmente pelo avanço do projeto. Mesmo com os desafios para chegar à região, espera-se que as empresas comecem a considerar os municípios do Estado como possibilidade de serem sedes de suas indústrias, pois o governo está investindo na área.

Durante a semana, o Programa Amazônia Conectada foi pauta na Câmara dos Deputados, uma vez que o deputado Jesus Sérgio (PDT-AC), solicitou uma audiência para tratar dos avanços do projeto. Preocupações como a falta de atratividade na região e a modernização das comunidades do interior são preocupações recorrentes do governo federal. “Sem investimento público, esses brasileiros continuarão no isolamento. E o programa Amazônia Conectada é a esperança de que, com a presença do Estado, mesmo nas localidades mais distantes, cheguem os avanços tecnológicos disponíveis nas cidades” finalizou o parlamentar.

Mais uma vez, nossa região ganha a atenção nacional por conta de um propósito que visa alavancar ainda mais os projetos desenvolvidos na Amazônia. Precisamos de mais visibilidade e investimento, só assim estaremos na rota nacional de comércio e economia.

*é prof. Dr. e reitor da Universidade do Estado do Amazonas

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