15 de agosto de 2022
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Profissionais explicam como tratar sequelas da covid-19, como dores nas costas

As epidemias e pandemias acompanham a humanidade há milhares de anos. A mais antiga de que se tem notícia foi a Praga de Atenas, acontecida em 430 a.C. e, desde 2020 nos vemos às voltas com a covid-19. Não bastassem as milhares e milhões de mortes que causam, ainda deixam sequelas que podem ser tratadas e, em alguns casos, durar para a vida toda. No caso da covid-19 os estragos são grandes. Os casos mais graves, aquelas pessoas que ficaram internadas, podem ficar com sequelas no cérebro, nos rins, nos pulmões e no coração.

Saindo dos órgãos, a doença ainda pode deixar seu rastro no sistema musculoesquelético (formado por ossos, músculos, tendões, ligamentos, articulações e cartilagens), com dores, fraqueza e atrofia muscular devido ao repouso prolongado que deixa a musculatura em desuso. Entre as dores mais comuns nesse sistema podem ser destacadas a dor entre as escápulas (localizadas na parte superior das costas), dor nas costelas, dor toracolombar (parte inferior das costas) e em alguns casos dor cervical (vértebras que iniciam bem abaixo do crânio e terminam no topo da coluna).

“Mesmo após a recuperação da covid-19, algumas pessoas podem enfrentar essas repercussões incômodas. A falta de ar, a tosse e o excesso de esforço da musculatura respiratória provocados pela doença fazem com que o paciente acabe sendo vítima de complicações que persistem após a recuperação”, explicou o fisioterapeuta Thiago Matos, do Studio Respirar, em Manaus.

Formas de tratamento

A boa notícia é que todas essas sequelas são tratáveis, um tratamento que pode ser breve, ou demorado, de acordo com o organismo de cada paciente.

“Com toda certeza existe tratamento e, nesses casos, a fisioterapia desempenha um papel importantíssimo no processo de reabilitação da capacidade muscular. Quanto ao tempo de recuperação, é muito relativo. Uma média de três a seis meses. Em alguns casos até um ano”, disse.

De acordo com Thiago, a melhor forma de aliviar essas complicações é fazendo um trabalho muscular, como a osteopatia, que utiliza recursos manuais através de técnicas de mobilização e manipulação das articulações e dos tecidos moles, que permite aliviar e corrigir disfunções, bem como recuperar lesões musculoesqueléticas. Outro tratamento é o pilates, que busca estimular a circulação cardiovascular, melhorar o condicionamento físico, a flexibilidade, a amplitude muscular e o alinhamento postural, sendo dividido em duas categorias: exercícios no solo e feitos nos aparelhos.

O neurologista Daniel Ciampi, do Hospital das Clínicas, em São Paulo, especialista em dores crônicas, listou três tipos diferentes de dor que podem resultar após a cura da covid-19: a doença pode piorar uma dor crônica que o paciente já tinha; o próprio vírus pode causar uma inflamação no músculo; e o paciente pode ter dor devido aos procedimentos necessários para o tratamento, como internação, sedação, intubação e utilização de bloqueadores musculares.

Ainda, segundo o neurologista, cada uma dessas dores tem um tipo de tratamento: as dores neuropáticas são tratadas com medicação; as dores de fadiga muscular, quando acontecem no corpo inteiro e são acompanhadas de cansaço, são tratadas com analgésicos, fisioterapia e atividade física; e a dor musculoesquelética pode ser tratada com analgésico e meios físicos, que incluem fisioterapia analgésica, acupuntura, ventosas, hidroterapia e massagem.

“O melhor tratamento é de longe a combinação de um pouco de analgésico com os meios físicos e a atividade física”, afirmou Daniel Ciampi.

Dor nas costas

Falando em dores, existem algumas que nada tem a ver com a covid-19, mas causam um estrago tremendo no dia-a-dia de quem as sofre, como a dor nas costas, por exemplo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a dor nas costas atinge cerca de 80% da população brasileira. Dados da Fundação Oswaldo Cruz apontam que 36% dos brasileiros possuem a forma crônica do quadro.

Para Luan Andrade, educador físico da Fórmula Academia, de Manaus, as dores na coluna podem ter várias causas, mas a mais comum está relacionada à má postura.

“Na academia, as reclamações são principalmente de dores na lombar e cervical. Isso acontece porque as duas regiões auxiliam na mobilidade do indivíduo e sofrem impacto dos movimentos. O sedentarismo e os problemas pélvicos, como se manter muito tempo sentado ou em pé, também podem causar dores, principalmente na lombar”, explicou.

Luan orienta que antes de iniciar qualquer atividade, a pessoa procure um médico para avaliação, já que o problema pode estar relacionado a algo mais grave do que a falta de postura adequada, como por exemplo, artrose e hérnia de disco.

Caso o problema seja apenas a má postura, as dores na coluna podem ser evitadas com mudanças de hábitos como controle de peso, com uma alimentação saudável e a prática regular de atividade física. Se a pessoa desenvolve uma atividade que precisa ficar muito tempo sentada, a dica é a cada duas horas relaxar o corpo tirando cinco minutos para fazer alongamento das costas. A cadeira de trabalho também deve ser adequada ergonomicamente para que o profissional fique confortável. Alongamentos como esticar o pescoço, inclinar a cabeça para baixo e estender os braços podem ser feitos nesse momento de intervalo.

“Além desses alongamentos, pilates e treino de musculação para enrijecer a estrutura das costas são algumas atividades que podem ajudar”, concluiu Luan.

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