18 de maio de 2021

Produção pecuária fecha ano de 2020 com números distintos

A produção pecuária do Amazonas encerrou o ano com desempenhos positivos para a avicultura de postura e para a suinocultura, com números melhores do que os da média nacional. A atividade leiteira também sinalizou bons resultados, a despeito da lacuna na série histórica. Os abates da bovinocultura, por outro lado, emendaram um novo resultado negativo recorde, em sintonia com o repique da pandemia e a alta da inflação de alimentos. A conclusão vem da análise dos dados mais recentes das Estatísticas da Produção Pecuária, composto por três pesquisas trimestrais do IBGE.

Abates da bovinocultura emendaram um novo resultado negativo no ano passado
Foto: Divulgação

De outubro a dezembro de 2020, foram abatidos 45.403 bovinos, 24,15% a menos do que em igual intervalo de 2019 (59.856) e 13,11% abaixo do registro de julho a setembro do ano passado (52.257). Foi o resultado mais baixo para o quarto trimestre, desde 2009 (38.485), em uma série histórica iniciada em 1997. As quedas se deram tanto para abates de bois (-13,65% e -15,90%, respectivamente), quanto de vacas (-11,82% e sem dado para o quarto trimestre de 2019). O dado nacional (7.308.649 cabeças) também encolheu em relação ao trimestre anterior (7.733.485) e ao mesmo período de 2019 (8.080.907).

O quarto trimestre de 2020 também registrou o abate de 2.536 cabeças de suínos, com acréscimo de 27,44% em relação ao acumulado de outubro a dezembro de 2019 (1.990) e incremento de 50,95% no confronto com o terceiro trimestre de 2020 (1.680) –período de retomada para a economia amazonense, logo após a primeira onda de Covid-19. O Estado –que contou novamente com três informantes –superou a média nacional (12.500.217), que cresceu na variação anual (11.911.564), mas tropeçou na trimestral (12.728.048).

A mesma dinâmica se deu na análise pelo peso das carcaças. Os bovinos (10,408 mil toneladas) amargaram retrações de 14,60%, em relação aos três meses anteriores (12,187 mil toneladas), e de 20,49%, em comparação ao mesmo período do exercício anterior (13,090 mil toneladas). No caso dos suínos (162,377 toneladas), foi registrada expansão de 59,63%, ante o acumulado de julho a setembro (101,718 toneladas), e de 49,84%, no confronto com o quarto trimestre de 2019 (108,364 toneladas).

Ovos e leite

A produção amazonense de ovos de galinha cresceu 26,43% nos últimos três meses de 2020 (14.738 mil dúzias) em relação ao acumulado de outubro a dezembro de 2019 (11.657 mil dúzias), mas ficou 0,68% abaixo do patamar do terceiro trimestre do ano passado (14.839 mil dúzias). O desempenho da avicultura de postura local também seguiu trajetória diferente da média brasileira (990.390 mil dúzias), que encolheu ante os três meses anteriores (1.016.476) e ao quarto trimestre de 2019 (991.454). 

A quantidade de galinhas poedeiras registradas no Amazonas apontou desempenhos diferentes, indicando diferenciais de produtividade, em ambas as comparações –menor na análise trimestral e maior na anual. Houve uma virtual estabilidade (-0,01%) entre o terceiro (2.022.993) e o quarto (2.022.778) trimestres do ano passado, enquanto o confronto com o dado do mesmo acumulado de 2019 (1.842.253) rendeu expansão de 9,80%.

A aquisição de leite cru, por sua vez, foi de 2,692 milhão de litros, no trimestre final do ano passado. Por motivos internos, a série histórica veio descontinuada e o órgão de pesquisa federal não informou os dados de julho a setembro de 2020, e de outubro a dezembro de 2019, para os devidos comparativos.  Na média nacional (6.747.822) houve elevação, tanto na base trimestral (6.488.896), quanto na anual (6.671.938). O IBGE-AM reforça que os dados do abate de frango e da produção de couro não foram divulgados para o Amazonas, em razão do número reduzido de informantes locais e da necessidade de manter o sigilo sobre os mesmos.

“Poder de compra”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, sublinha que as quantidades de ovos e de poedeiras se mantiveram praticamente inalteradas em relação aos dados do trimestre anterior, mantendo em alta produção, quando se analisa a série histórica dos últimos quatro anos. Já a produção de leite cru, segundo o pesquisador, apresentou crescimentos em relação ao segundo trimestre, voltando ao nível médio de produção trimestral dos últimos três anos, apontando para aumento do consumo do produto.

“O número de bovinos abatidos no último trimestre do ano passado, no entanto, se revelou o menor quantitativo para o Estado nos últimos quatro anos. A queda de quase 14% em relação ao trimestre anterior pode indicar menor poder de compra do consumidor, que a elevação de preços do produto afastou o consumo, ou que a própria produção não teve demanda para elevar o abate ao patamar do trimestre anterior”, conjecturou.

Cheia e pandemia

Na avaliação do presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, a redução trimestral no abate de bovinos se deu pelas dificuldades de translado de animais em ramais e estradas rurais em um período chuvoso, mas a segunda onda da pandemia também ajudou a esvaziar os números do Amazonas. O dirigente diz, por outro lado, que o abate de fêmeas é natural, seja porque os produtores estão fazendo seleção do rebanho e descartando as que não tem bom padrão comercial, seja porque precisam vender parte dos animais para se capitalizar.

“A pesquisa mostra também o crescimento da produção de ovos de galinha, apesar da concorrência agressiva dos produtos oriundos do Centro-Oeste, demonstrando que o polo granjeiro amazonense se mantém competitivo e ofertando o alimento mais barato e acessível à população de nosso Estado. Já o resultado da produção de leite mostra o crescimento desse segmento, que vem tendo investimentos privados, em fazendas e laticínios. Nossas expectativas são positivas para os próximos trimestres, mas teremos de acompanhar os impactos da cheia em curso”, ponderou.

“Crescimento sustentado”

Já o titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrucio Magalhães Júnior, recorre aos dados do PIB do Estado para reforçar que, a despeito de quedas pontuais, o valor contabilizado pela pecuária amazonense no quarto trimestre do ano passado foi o maior de 2020, além de superar os registros dos três primeiros trimestres de 2019. No entendimento do secretário estadual, portanto, a base de dados do mesmo IBGE apontaria para um crescimento sustentado que envolve a cadeia de bovinos e suínos. 

“Temos procurado fortalecer a pecuária leiteira, os laticínios, e destravar alguns gargalos, para uma maior recepção de leite. Para a cadeia de ovos, houve mudança na legislação tributária estadual para proteger a produção local e continuar avançando nessa cadeia produtiva, que é exemplo bem sucedido no Estado. Em breve, estaremos lançando o novo Plano Safra 2021/2022, para fortalecer a pecuária amazonense, fomentar o setor agropecuário e garantir uma maior participação no PIB do Estado, além de gerar mais emprego e melhorar a renda do povo interiorano”, finalizou.

Foto/Destaque: Diego Peres / Secom

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