Produção pecuária do Amazonas cai novamente no 2º trimestre

A produção pecuária do Amazonas encerrou o segundo trimestre deste ano com um novo desempenho negativo na pecuária de corte, que acompanhou a média nacional em baixa recorde, em sintonia com a alta da inflação. A atividade leiteira também apresentou resultados pífios, impactada pela pandemia e pela cheia. A suinocultura, por outro lado, foi na direção contrária do dado recorde brasileiro e interrompeu sua trajetória ascendente. A avicultura de postura e a produção de leite também sofreram abalos. É o que mostram as Estatísticas da Produção Pecuária, composto por três pesquisas do IBGE.

De abril a junho de 2021, foram abatidos 41.657 bovinos no Estado, 26,44% a menos do que em igual intervalo de 2020 (56.632), mas 1,69% acima do registro dos três meses iniciais deste ano (40.964). O dado nacional (7.075.246) foi o mais baixo para o período, desde 2011, indicando queda de 4,4% no confronto com igual intervalo de 2020, embora tenha conseguido avançar 7,4% em relação ao trimestre anterior. Não foram registrados abates de vacas. Segundo o órgão de pesquisa, “manteve-se a tendência iniciada em 2020, com a retenção de fêmeas por conta do elevado preço do bezerro”.

O segundo trimestre de 2020 também registrou o abate de 2.607 cabeças de suínos, com decréscimo de 32,67% em relação ao acumulado de janeiro a março de 2021 (3.872) e incremento de 53,08% no confronto com o mesmo período de 2020 (1.703). O Estado – que contou novamente com três informantes – ficou bem atrás da média nacional nesse quesito. O Brasil registrou abate de 13,04 milhões de cabeças de suínos, um recorde na série histórica iniciada em 1997, que representou altas respectivas de 2,9% e de 7,6%.

A mesma dinâmica se deu na análise pelo peso das carcaças. Os bovinos (9.092.735 quilos) foram 1,31% abaixo em relação aos três meses anteriores (9.213.369 quilos) e encolheram 27,99% na comparação com o mesmo período do exercício anterior (12.626.654 toneladas). No caso dos suínos (171.014 quilos) foram registradas retração de 41,44% ante o acumulado de janeiro a março deste ano (241.879 quilos) e expansão de 110,57% no confronto com o primeiro trimestre de 2020 (81.215 quilos).

Ovos e leite

A produção amazonense de ovos de galinha caiu 3,79%, na comparação do intervalo de janeiro a março deste ano (14.309 mil dúzias) com o trimestre inicial de 2020 (14.873 mil dúzias), mas ficou 15,22% acima do patamar dos três meses iniciais do ano passado (12.419 mil dúzias). Na média brasileira, a produção alcançou a marca de 985,70 milhões de dúzias, alta de 0,9% em relação ao segundo trimestre de 2020 e de 0,5% diante dos três meses anteriores. Conforme o IBGE, foi um recorde para o período e a quarta maior produção da série histórica da pesquisa, iniciada em 1987.

A quantidade de galinhas poedeiras registradas no Amazonas também sofreu oscilação. Houve decréscimo de 6,28% entre o primeiro (2.069.050) e o segundo (1.939.158) trimestres de 2021, enquanto o confronto com o dado do mesmo acumulado do ano passado (1.930.491) rendeu elevação de 0,45%. O desempenho seguiu em sintonia com a média nacional (173.743.326), que passou a ser negativa na comparação com o primeiro trimestre de 2020 (174.078.437), embora tenha crescido ante o aglutinado de abril a junho do ano passado (173.345.666).

A aquisição de leite cru, por sua vez, foi de 2.020 milhão de litros, no trimestre inicial deste ano, 22,28% a menos do que nos três meses anteriores (de 2.599 milhão de litros) e 1,61% acima do patamar apresentado no mesmo período de um ano antes (1.988 milhão de litros). Na média nacional, a aquisição foi de 5,82 bilhões, o que equivale a uma redução de 1% em relação ao segundo trimestre de 2020 e queda de 11,4% na comparação com os três meses anteriores.

“Preços elevados”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, pontua que a queda de produção de carne bovina no Amazonas foi a maior desde 2020 e avalia que isso ocorre em função do recuo no consumo, como consequência dos “preços elevados” do alimento. No caso do abate de suínos, o pesquisador lembra que a queda ocorreu na contramão do registrado no levantamento anterior, representando um retorno ao nível do último trimestre do ano passado. O problema, nesse caso, estaria ligado à “falta de matéria prima para abate” ou mesmo pela diminuição de demanda. 

“Já o aumento no preço do leite pode ter causado a forte redução apresentada na produção do trimestre. O consumo afetou diretamente a produção e a aquisição. A queda no número de poedeiras, no entanto, é considerada uma variação normal para essa época do ano. A diminuição em 6%, refletiu diretamente na quantidade de ovos, que teve uma queda menor em relação ao trimestre anterior. O número de produtores, por outro lado, continuou o mesmo em relação aos trimestres passados”, analisou.

Cheia e exigências

Para o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, os dados do IBGE confirmam os impactos da cheia recorde deste ano na pecuária amazonense, especialmente na produção de leite. No caso do abate de bovinos, haveria ainda o efeito das “exigências ambientais restritivas” e da redução do consumo. Em ambos os casos, o dirigente salienta que houve estabilidade, ou até crescimento ante o ano passado, e expressa expectativa de que a situação se mantenha assim.

“No abate de suínos, o aumento foi significativo em relação ao mesmo período de 2020, mostrando que o segmento tem potencial, principalmente pelo grande mercado consumidor para essa carne, na capital. Já no caso da avicultura de postura, a produção se mantém estável, tanto em número de produtores, quanto na produção de ovos, sendo que a queda de poedeiras já era esperada para o período do ano”, arrematou. 

Exportações e entressafra marcam pecuária nacional

Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa Bernardo Viscardi, explica que o resultado recorde das exportações de carne suína in natura, embalado pelo pico das vendas para o exterior, em junho, ajudou a compor o cenário de recorde de produção na média nacional. “O consumo interno também foi importante, já que o preço da carne do porco é mais acessível do que a de boi”, acrescentou.

No que se refere ao recuo do segmento leiteiro, Viscardi lembra que o setor tem comportamento cíclico, já que os segundos trimestres regularmente apresentam a menor produção anual, por conta do período mais seco. “Nesse ano, a seca foi mais intensa em muitos Estados produtores, principalmente no Sul e Centro-Oeste, o que afeta as pastagens, a alimentação natural da vaca. E o preço dos insumos da ração, suplementos necessários nessa condição, também ficaram mais caros (…) “É mais difícil repassar o aumento de custo para o consumidor final, o que naturalmente desencoraja a produção”, concluiu.

Foto/Destaque: Divulgação

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