Produção integrada é caminho para viabilizar selo de qualidade

A cadeia produtiva do tomate para processamento com selo de qualidade é o objetivo de um projeto coordenado pela Embrapa Hortaliças (Brasília-DF), que pretende implantar um sistema de Piti (Produção Integrada para Tomate Indústria) no Estado de Goiás, responsável por cerca de 80% da produção nacional.
O projeto de certificação de tomate industrial conta com a participação das indústrias de processamento, das universidades Federal de Goiás e de Brasília, de instituições como a Agência Rural e a Agrodefesa, além do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), das secretarias de Agricultura de Goiás e de Minas Gerais, de produtores e de consumidores.
O sistema Piti tem como metas viabilizar a organização da cadeia produtiva de tomate para processamento e, em consequência, permitir que se obtenha uma produção final diferenciada, de maior qualidade e valor agregado, apta a preencher um nicho no mercado nacional e também em mercados internacionais, em que a rastreabilidade do produto é um requerimento para a comercialização.
A certificação vai incluir tecnologias nas áreas de fitopatologia, entomologia, plantas daninhas, melhoramento genético, nutrição, solos, irrigação e pós-colheita.
Em 2007, as normas para a Produção Integrada de Tomate Indústria começaram a ser testadas em cinco unidades-pilotos. No total, são mais de 156 hectares nas regiões de Itaberaí, Leopoldo Bulhões, Goianésia e Morrinhos, em quatro propriedades que fornecem matéria-prima para três empresas de processamento. Para obter o certificado de produção integrada, as propriedades têm que cumprir uma série de obrigações legais e técnicas, visando a preservação dos recursos naturais e a garantia de qualidade dos produtos.

Validação de normas

De acordo com a pesquisadora Geni Livtin Villas Bôas, coordenadora do projeto, o objetivo das unidades-pilotos é validar as normas da Produção Integrada definidas pelo comitê gestor do projeto, formado por pesquisadores, técnicos e representantes da indústria e dos produtores.
Além das normas, também serão validados os cadernos de campo, uma planilha na qual o produtor deve anotar todos os dados gerados durante o ciclo da cultura, como adubação, irrigação, aparecimento de doenças ou pragas e aplicação de agrotóxicos.
Segundo a pesquisadora Alice Quezado Duval, que também participa do projeto, um grupo de pesquisadores da Embrapa Hortaliças está realizando visitas periódicas de acompanhamento para detectar e corrigir possíveis problemas na aplicação da norma e também receber sugestões dos produtores e técnicos que participam do projeto.

Principais dificuldades

Geni Villas Boas explicou que é necessário adequar as normas e torná-las factíveis, uma vez que elas terão força de lei depois de sua publicação.
Para a pesquisadora, as anotações no caderno estão entre as principais dificuldades encontradas pelos produtores selecionados pelas empresas para participar da validação das normas. Ela também citou como gargalos o manejo de pragas e doenças e o uso adequado de agrotóxicos.
A colheita da primeira unidade-piloto, em Itaberaí, ocorreu no início de agosto. Ela e as outras áreas passarão por uma pré-auditoria externa, nos moldes das auditorias realizadas para obtenção do selo de Produção Integrada. Em 2008, a idéia da equipe do Piti é ampliar o número de produtores nessa fase de testes e publicar a norma.
Produção integrada começou na Europa –o modelo integrado objetiva a produção de alimentos de alta qualidade, com a utilização de técnicas que consideram os impactos ambientais sobre o solo, a água e a produção.

Redução de agrotóxicos

Esse conceito surgiu na Europa, na década de 1970, como uma resposta à necessidade de reduzir o uso de agrotóxicos na produção de frutas e maior atenção e respeito ao meio ambiente. No Brasil, a Produção Integrada de Maçãs foi a pioneira, a partir de 1996, liderada pela Embrapa Uva e Vinhos (Bento Gonçalves-RS). Hoje existem normas técnic

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