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Produção industrial do Amazonas registra maior queda no país, em julho

A indústria do Amazonas voltou a despencar em julho. A produção desabou 8,8% em relação a junho, que teve a mesma quantidade de dias úteis. Foi a terceira queda ocorrida em 2023, nesse tipo de comparação, e veio mais forte do que o do levantamento anterior (-5,1%). O desempenho negativo foi o pior do país, em um mês de queda generalizada para o setor. O confronto com julho de 2022 mostrou tombo ainda maior, de 11,1%. O resultado foi puxado pelos segmentos de bens de informática, eletroeletrônicos e bebidas. Na média brasileira, o setor se manteve basicamente estável (+0% e -0,6%, na ordem).

A manufatura amazonense, contudo, ainda consolida o acumulado do ano no azul, com 6,5% de acréscimo, o segundo maior índice de crescimento do país. A indústria extrativa estagnou e a expansão da indústria de transformação foi mais disseminada, com destaque para derivados de petróleo, produtos de metal e motocicletas. Em 12 meses, o avanço já caiu para 5,7%, mas também ficou na vice-liderança do ranking. Em contraste, a indústria nacional (-0,4% e 0%) também não saiu do lugar, em ambas as comparações. Os números são da Pesquisa Industrial mensal e foram divulgados pelo IBGE, nesta quarta (13).

O tombo de 4% na comparação com junho levou o Amazonas a passar do penúltimo para o último lugar, em um mês em que apenas o Ceará (+1,2%) conseguiu avançar na produção, entre as 17 unidades federativas investigadas pelo IBGE. O decréscimo de 11,1% na variação anual fez o Estado desabar da sexta para a última posição, empatando com o Mato Grosso do Sul, em um rol liderado pelo Rio Grande do Norte (+50,7%). No acumulado do ano (+6,5%), o Amazonas só perdeu para o Rio Grande do Norte (+9,8%), e no aglutinado dos 12 meses (+5,7%) só perdeu para o Mato Grosso (+5,9%). 

Eletroeletrônicos e bebidas

Na comparação com julho de 2022, a indústria extrativa (óleo bruto de petróleo) interrompeu dois meses de ascensão para retrair 3,2%. A indústria de transformação mergulhou mais fundo (-11,7%), eliminando o ganho anterior (+6,9%). Apenas quatro de seus dez segmentos avançaram: petróleo e combustíveis (gás natural, com +34,4%); “outros equipamentos de transportes” (motocicletas e suas peças, com +17,2); produtos de metal (lâminas, aparelhos de barbear, estruturas de ferro, +5,1%); e produtos de borracha e material plástico (+0,4%).

As maiores quedas vieram dos subsetores de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (celulares, computadores e máquinas digitais, com -32%) e de bebidas (-21,6%). As divisões de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (conversores, alarmes, condutores e baterias, com -16,3%); “produtos diversos” (artefatos de joalheria, isqueiros, lentes oculares, lápis, e fitas para impressoras, com -13,8%); máquinas e equipamentos (condicionadores de ar e terminais bancários, com -5%); produtos químicos (metais preciosos, inseticidas, nitrogênio e desinfetantes, com -1,5%) também naufragaram.

O acumulado dos sete primeiros meses do ano ainda mostra um quadro mais favorável e de altas mais disseminadas. A indústria de transformação expandiu 7% e a extrativa ficou estável (+0,1%). Os aumentos de produção vieram de derivados de petróleo e combustíveis (+25,1%); produtos de metal (+13,4%); “outros equipamentos de transporte” (+12,2%); produtos químicos (+8,8%); equipamentos de informática e produtos eletrônicos e ópticos (+7,4%); “produtos diversos” (+6%); e borracha e material plástico (+2,3%). Na outra ponta ficaram apenas os subsetores de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-7,9%); máquinas e equipamentos (-4,8%); e bebidas (-0,8%).

“Sem otimismo”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, destaca que o recuo da indústria do Amazonas comprometeu os ganhos dos últimos meses. “Pelo segundo mês seguido, o indicador foi negativo. O acumulado de 2023 ainda está positivo ao ponto de colocar o Estado com o segundo melhor desempenho nacional. No entanto, se houver mais redução de produção nos meses seguintes, logo poderá ser zerada ou até mesmo ficar negativa. O resultado da média móvel trimestral (-1%) não deixa margem para otimismo quanto à próxima divulgação, uma vez que já é o segundo mês seguido de queda”, alertou. 

Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o analista da pesquisa, Bernardo Almeida, assinala que a indústria nacional vem perdendo o ritmo desde março, quando atingiu alta de 1,1%. “Isso pode ser explicado pela conjuntura atual, pela taxa de juros que ainda se encontra em um patamar elevado, o que pressiona a linha de crédito disponível para o investimento. Isso recai diretamente sobre a cadeia produtiva, sobre as tomadas de decisões por parte dos produtores, já que o investimento se torna mais caro. Isso vale também para os resultados regionais, com um cenário disseminado de resultados negativos em 14 dos 15 locais pesquisados”, analisou.

Juros e inflação

O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, salientou à reportagem do Jornal do Commercio que a desaceleração da indústria se deu em âmbito nacional, com queda mais acentuada no Amazonas, onde o setor conta com “relevante participação”. O dirigente observa ainda que o “fator sazonal” deve ser levado em conta, ao lembrar que a indústria amazonense também amargou quedas em junho (-1,6%) e julho (-2,6%) de 2022.

“A inflexão negativa no Amazonas foi sentida principalmente nos segmentos de informática, eletrônicos e bebidas, três setores de grande participação no resultado da indústria local. Além da conjuntura atual, impactada pela taxa básica de juros em patamar elevado, o que encarece o investimento, e a inflação ainda volátil, temos problemas estruturais na indústria que perpassam por questões de infraestrutura, tributária e de competitividade”, apontou. “A expectativa permanece de crescimento moderado. Com uma pequena melhora, por conta das atividades de final de ano, assim esperamos”, emendou.

No entendimento do presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Insumos e Componentes do Amazonas), Roberto Moreno, apesar das oscilações, o saldo da indústria incentivada ainda é positivo. “Continuamos com grande sazonalidade entre os indicadores e continuo entendendo que as comparações com os meses análogos de 2022 são positivas. Temos novamente a demonstração da forte contribuição econômica da ZFM, com sua representatividade em todos segmentos da nação”, asseverou.

De acordo com o dirigente a conjuntura é favorável para melhores resultados para o PIM, pelo menos no curto prazo. “Estamos em preparação e atendimento de pedido para o fim do ano e com um bom andamento do processo da Reforma Tributária no Congresso, deveremos ter uma continuidade desse crescimento, mesmo que percentualmente sem demonstrar altas variações, mas contribuindo para um fechamento positivo em um balanço futuro”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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