Produção industrial amazonense aponta retrocesso para todo o ano

Em sintonia com o impacto do Covid-19 na cadeia de suprimentos global, a produção industrial do Amazonas voltou a cair na passagem de janeiro para fevereiro, após a elevação da virada do ano. A manufatura amazonense perdeu para a brasileira em praticamente todas as comparações, a despeito de a indústria nacional ter crescido apenas na variação mensal. Os dados estão na pesquisa mensal do IBGE para o setor, divulgada nesta quarta (8).

A atividade industrial amazonense recuou 2,2% em relação a janeiro, comprometendo o ganho de um mês antes (+1,2%). A queda registrada no confronto com fevereiro de 2019 foi de 3% e veio na contramão do desempenho do levantamento anterior (+4,4%). A manufatura do Amazonas, contudo, seguiu no azul na variação acumulada do bimestre (+0,8%) e de 12 meses (+4,7%).

O decréscimo mensal fez o Estado despencar do 11º para o penúltimo lugar entre as 14 unidades federativas pesquisas mensalmente pelo IBGE, em um mês em que a média nacional apontou para uma alta de 0,5%. O Amazonas fico à frente apenas da Bahia (-3,2%) neste tipo de comparação e logo atrás do Rio de Janeiro (-1%). Na outra ponta, Pará (+7,2%), Espírito Santo (+5,9%) e Pernambuco (+4,5%) encabeçaram a lista.

O tombo em relação a fevereiro de 2019 fez a indústria amazonense cair da quarta para a 11ª posição do ranking mensal do IBGE e em um patamar bem aquém da média brasileira (-0,4%). Pernambuco (+6,7%), Rio de Janeiro (+9,8%) e Pará (-6,6%) alcançaram os melhores resultados. Em contraste, os desempenhos mais baixos ficaram em Minas Gerais (-6,3%), Espírito Santo (-4,5%) e São Paulo (-3,1%), em um panorama de cinco números negativos.

No acumulado do bimestre, o Amazonas ficou em sétimo lugar e bem à frente da média nacional (-0,6%). Rio de Janeiro (+9,7%), Pernambuco (+7,6%) e Bahia (+5,8%) lideraram as estatísticas neste tipo de comparação, enquanto Espírito Santo (-13,5%), Minas Gerais (-10,4%) e Mato Grosso (-1,4%) ficaram no rodapé de uma lista com seis números negativos. 

Condicionadores e bebidas

Apenas três das nove atividades da indústria local levantadas pelo IBGE tiveram bom desempenho em relação ao mês anterior. O maior número veio de máquinas e equipamentos (condicionadores de ar, com +64,1%), seguido por bebidas (+9,9%) e coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (gás natural, com +3,7%).

Os desempenhos negativos se deram principalmente no subsetor de produtos de borracha e de material plástico (-19,3%). Na sequência, vieram indústria extrativa (óleo bruto de petróleo, com -13,6%), equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (celulares e computadores com -12,5%), produtos de metal (lâminas, aparelhos de barbear e estruturas de ferro, com -12,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (conversores, alarmes, condutores e baterias, com -11,7%), outros equipamentos de transporte (motocicletas, com -9,1%) e impressão e reprodução de gravações (DVDs e discos, com -0,4%).

Coronavírus e base 

Em sua análise para o Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, considerou que a retração registrada na passagem de janeiro para fevereiro era algo que já era esperado, dada a falta de insumos em algumas atividades, em decorrência do estrangulamento logístico gerado pela crise do Covid-19. O recuo em relação a fevereiro de 2019, por outro lado, seria praticamente inescapável dada a base de comparação mais forte (+7%).

“Em fevereiro, algumas indústrias estavam passando por contingenciamento de matéria prima devido, as ocorrências do coronavírus na Asia. O impacto no PIM pode se refletir em todas as atividades, embora também possa ser diferenciado, uma vez que cada atividade tem sua característica de produção, venda e distribuição. A indústria local passa por um momento único e não é possível fazer previsões. É certo apenas que a pandemia vai afetar a produção”, ponderou.

“Nova realidade”

O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, lembrou a Jornal do Commercio que o primeiro trimestre é um período em que as empresas tradicionalmente restabelecem seus níveis de estoque para, a partir de março, começarem a trabalhar com mais intensidade para atender a demanda do Dia das Mães.

“Em março deste ano já estávamos sentindo os efeitos do coronavírus na atividade. Um mês antes, as empresas sinalizavam ficar sem insumos da China. Logo depois, tivemos medidas restritivas de fechamento do comércio e isolamento social, o que afetou o setor. Vamos acompanhar, pois os resultados do setor neste ano devem ser bem afetados pelo Covid-19. Mas, também será um ano de aprendizado e estaremos mais fortalecidos quando a pandemia passar, dentro de uma nova realidade de fazer negócios”, finalizou.

Fonte: Marco Dassori

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