Produção fabril fica estável em maio

A produção industrial ficou estável em maio frente a abril, livre de influências sazonais. Em abril, o desempenho do setor havia sido negativo em 0,8%. Em relação a maio de 2009, a expansão foi de 14,8%. As informações foram divulgadas ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Com o resultado, a indústria acumula crescimento de 17,3% em 2010. Nos últimos 12 meses, a alta ficou em 4,5%.
A estabilidade resulta de um crescimento da produção de bens de capital (máquinas e equipamentos) de 1,2% frente a abril. Já os bens de consumo semi e não-duráveis (alimentos, vestuário e outros) tiveram queda de 0,9%. Os bens intermediários, os de maior peso na estrutura industrial, registraram crescimento de 0,1%.
Entre abril e maio, a produção cresceu em 16 atividades e caiu em outras 11. Os destaques positivos ficaram com bebidas (4,8%), material eletrônico e de comunicação (6,1%) e veículos automotores (1,4%). Já as quedas que mais influenciaram o resultado do conjunto da indústria ocorreram em refino de petróleo e produção de álcool (-4,6%), alimentos (-1,7%) e farmacêutica (-4,6%).

Bens de capital

Os números do IBGE surpreenderam os economistas, cujas expectativas variavam de alta de 0,95% a 2,50%. O destaque foi o crescimento dos bens de capital, demonstrando investimentos que podem elevar a capacidade de produção. Mesmo assim, os economistas avaliam que o cenário mantém as pressões inflacionárias que o BC (Banco Central) deve conter de olho na meta de inflação de 2011. Na quarta-feira, 30, o próprio BC revelou, no Relatório Trimestral de Inflação, que a probabilidade de o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) estourar a meta, de 4,5% com variação máxima de dois pontos, é atualmente em torno de 17%.
A economista-chefe da Rosenberg e Associados, Thaís Zara, por exemplo, avalia que a hipótese mais provável para a estabilidade do setor manufatureiro foi o fim dos incentivos fiscais ao consumo e uma acomodação natural da atividade das fábricas. O técnico da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo, também avalia que o fim dos benefícios relativos ao IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre eletrodomésticos e automóveis está provocando uma “acomodação” no ritmo da produção de bens de consumo duráveis. “O segmento vinha com trajetória positiva importante ao longo de 2009 com as isenções fiscais. Com o fim do benefício do IPI, há acomodação dessa categoria, ainda que tenham ocorrido avanços significativos em alguns segmentos, como fabricação de televisores”, ponderou.
A produção de material elétrico e de comunicações representou o maior impacto positivo para o resultado da produção industrial no período. Segundo Macedo, o aumento na produção dessa atividade foi puxado pelos televisores, sob a influência positiva das vendas para a Copa. A produção de bens duráveis aumentou 0,1% em maio ante abril, resultado muito próximo aos apurados, ante mês anterior, em abril (0,2%) e março (0,1%). Na comparação com maio do ano passado, a produção dessa categoria aumentou 15,4%.
“A indústria se encontra muito próxima do seu patamar mais elevado, que foi em março de 2010, e agora atinge acomodação”, disse Macedo. Segundo ele, algumas atividades que mostraram pressões negativas em maio, identificadas sobretudo com bens de consumo semi e não duráveis, podem justificar o resultado de maio abaixo das projeções do mercado.

Alta na manufatura de bens de capital sustenta resultado positivo

André Macedo citou, por exemplo, a paralisação técnica e programada em maio que atingiu o setor de refino de petróleo e álcool (que tem uma parte de sua composição, a gasolina, na categoria de semi e não duráveis), levando a uma queda de 4,6% nessa atividade em maio ante abril. Outro exemplo citado é a queda, também de 4,6%, na indústria farmacêutica no mesmo período, também vista como uma acomodação depois de vários meses de crescimento; há, ainda a queda de 1,7% na indústria de alimentos, que havia registrado quatro meses consecutivos de expansão em base mensal.
Segundo Macedo, o índice de média móvel trimestral, que prosseguiu em crescimento (0,8%) em maio, mostra que a indústria prossegue com tendência ascendente, apesar de alguma desaceleração no ritmo de aumento desse indicador. “Percebemos o cenário atual do setor industrial como um período de acomodação”, asseverou.
Segundo Macedo, a alta na produção de bens de capital em maio, no 14º crescimento consecutivo ante o mês anterior, “talvez” seja o “grande resultado positivo, em função da qualidade que os bens de capital trazem para a indústria, significando aumento de capacidade, ampliação do parque industrial.”
A produção de bens de capital, na comparação com maio de 2009, subiu 38,5%, impulsionada por bens de capital para transporte (34,2%, com destaque para caminhões) e para uso misto (46,7%, com destaque para equipamentos para telefonia e produtos de informática), além de bens de capital para construção (154,7%), para uso industrial (33,6%) e agrícola (51,2%). No acumulado em 12 meses (0,8%) os bens de capital mostraram, em maio, o primeiro resultado positivo desde abril de 2009.

Novos dados

O IBGE divulgou ontem uma pequena revisão, motivada pela introdução de novos dados na série com ajuste sazonal, no resultado da produção industrial de abril em relação a março, de -0,7% divulgados anteriormente para -0,8%. O resultado de março ante fevereiro ficou inalterado, mas houve revisão também no dado de fevereiro ante janeiro, de 1,5% apresentados anteriormente para 1,4%.
Como o BC já elevou a Selic de 8,75% para 10,25% neste ano, a economista-chefe da Rosenberg e Associados acredita que serão necessários mais duas elevações de 0,75 ponto porcentual em cada uma nas reuniões que serão concluídas nos dias 21 deste mês e 1º de setembro. Thais, contudo, ressalta que um terceiro aumento não seria necessário a partir de agora, pois as incertezas sobre a expansão da economia mundial ainda persistem, sobretudo as relacionadas à recuperação da atividade na Europa.
Como a ação da alta dos juros no Brasil deve diminuir o ritmo do PIB a ponto de crescer 4,5% no ano que vem, ela acredita que os juros ficarão estáveis em 11,75% até dezembro de 2011. Tal estratégia será eficiente para diminuir a inflação da alta de 6% que deve ser registrada em 2010 para um aumento de 4,7% no próximo ano.
Thais estima que a produção industrial deve crescer 11% neste ano, o que será importante para ajudar na expansão do PIB, que deve ser de 7%,, número que ela previa antes da projeção do BC de elevação de 7,3% para 2010. Segundo ela, a atividade do setor manufatureiro deve viabilizar um avanço da formação bruta de capital fixo de 15% neste ano. Para a economista, tais resultados estão relacionados às boas perspectivas da economia no médio prazo, baseadas em alguns elementos, como a geração de empregos, o ritmo vigoroso do consumo, melhoria da renda da população e expansão do crédito às famílias e empresas.

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