Produção e produtividade em queda na indústria

Abril foi o fundo do poço para a manufatura nacional, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria). A pesquisa “Indicadores Industriais” aponta que o setor perdeu 23,3% do faturamento, além de tombar 19,4% nas horas trabalhadas e ter de reduzir em 2,3% seu número de empregados. A entidade aponta que a queda geral se deu pelos impactos da crise da covid-19, mas não deixa de ressaltar que a atividade há havia sofrido recuo em março.  

Em sintonia, a produtividade do trabalho na indústria brasileira caiu 2,8% na comparação do primeiro trimestre deste ano com os três meses finais de 2019. Foi o segundo o segundo pior resultado do indicador, desde o acumulado de abril a junho de 2018 (-3,3%) – época da greve dos caminhoneiros. A entidade também atribui esse decréscimo à pandemia e não vê melhora no curto prazo. O setor foi o primeiro do Brasil a sofrer seus efeitos, ao ficar sem insumos para trabalhar. 

O faturamento caiu pelo segundo mês seguido e chegou a seu nível mais baixo em abril. O emprego seguiu trajetória igual e foi o menor desde o início de 2004. As horas trabalhadas já encolheram 21% em dois meses, enquanto a capacidade instalada ociosa encolheu 6,6 pontos percentuais e chegou a 69,6%. O emprego industrial (-2,3%) foi o menor desde 2004, e a massa salarial também caiu (-9,5%), assim como o rendimento médio real (-6,5%).

Já o indicador de produtividade leva em conta o volume produzido dividido pelas horas trabalhadas na produção. Embora tenha recuado em relação ao trimestre anterior, o indicador ficou praticamente estável na comparação com o mesmo acumulado de 2019 (+0,1%) e avançou 1,1% no aglutinado de 12 meses. No texto da pesquisa, a CNI estima que a produtividade deve continuar a cair no segundo trimestre de 2020, embora em ritmo menor.

Desorganização da produção

Presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, lembrou que o PIM, que tem sua predominância nos segmentos eletroeletrônico, de informática e de duas rodas, foi impactado em dois tempos: primeiro pela falta de insumos nacionais e importados, e depois pelo mergulho da demanda do mercado doméstico – fechado pelas medidas de isolamento. Como consequência, a maioria das fábricas parou. Por isso, o dirigente não se surpreende que a produtividade tenha sido menor.

“A produtividade é o volume produzido dividido pelas horas trabalhadas na produção. Ora, se as empresas tiveram que reduzir o ritmo de atividade, produziram menos por hora trabalhada. E por que reduziram o ritmo de atividade? Em razão da pandemia, que desorganizou o processo produtivo e parou a economia. Trazendo isso para a nossa realidade, quer dizer que sofremos os mesmos problemas que sofre o resto do país e do mundo”, desabafou.

“Nova normalidade”

O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, estima que o Polo Industrial de Manaus tenha perdido o equivalente a pelo menos um mês de faturamento durante o auge da crise da covid-19. O dirigente diz não ter certeza de que o setor já tenha de fato passado por seu pior momento, vê dificuldades para uma retomada no curto prazo e torce para que as empresas consigam preservar empregos dentro da “nova normalidade” trazida pela pandemia.

“Em abril, 90% das empresas tiveram algum tipo de paralisação. Algumas prorrogaram para maio e tínhamos ainda 14% das empresas paradas, na segunda semana de junho. Não acredito que a gente vai recuperar isso no segundo semestre. Tem a questão do desemprego que reduz o consumo, e os que estão empregados não têm a confiança de sair gastando e devem consumir apenas o que for de primeira necessidade. O fato de muita gente continuar em casa também reduz bastante aquela compra por impulso. Vamos aguardar”, ponderou  

Retomada e reformas

No texto distribuído pela assessoria da entidade, o gerente-executivo de Economia da CNI, Renato da Fonseca, ressaltou que abril foi o pico da crise, em razão das medidas de isolamento social na maioria das cidades brasileiras de grande porte. O dirigente diz que a expectativa é que a economia comece a retomar em junho, embora pondere que o cenário pode ter “leve melhora” em maio. “Para uma retomada consistente, é preciso que o país volte à agenda das reformas com vistas à eliminação do Custo Brasil e aumento da competitividade. A primeira da lista deve ser a Tributária”, frisou.

Fonseca observa que a produtividade é o principal determinante da competitividade e, no longo prazo, é a maior fonte de crescimento. Mas, diante da pandemia, as empresas tiveram que se ajustar “rapidamente”, reduzir o ritmo de atividade sem planejamento e produzir menos por hora trabalhada. “Houve desorganização do processo produtivo, em razão da parada da economia. A forte redução do ritmo de produção sem planejamento resulta em menor produtividade, mas ela deverá se recuperar ao fim da crise”, finalizou. 

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