Produção do Amazonas sai do ritmo no mês do Carnaval

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Dizem que o ritmo do Carnaval é de festa, mas as indústrias não devem ter ficado animadas com a ocorrência do evento em março

Dizem que o ritmo do Carnaval é de festa, mas as indústrias não devem ter ficado animadas com a ocorrência do evento em março. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção das indústrias amazonenses apresentou a pior variação dos 14 Estados pesquisados, tanto em relação a igual período de 2010, quanto ao mês anterior.
O assessor econômico da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Freitas, comenta que as alterações anotadas pelo segmento industrial do Estado costumam ser similares à média nacional. Entretanto, quando apresentam crescimento, sobressaem à média do país, assim como quando o caminho é oposto.
Enquanto o Brasil obteve uma queda de 2,1% em comparação a março do ano passado, o Amazonas atuou como um dos protagonistas do valor negativo, com um tombo percentual de 14,6%. A análise do IBGE aponta o ‘efeito calendário’ como um dos grandes motivadores do saldo, em virtude da diferença de dois dias úteis entre os mesmos meses.
De acordo com dados do coordenador de informações do instituto de pesquisa no Amazonas, Adjalma Nogueira, esta foi a queda mais intensa desde abril de 2009, quando o percentual atingiu 21,4% negativos.
A grande influência para essa contribuição veio do saldo de -46,3% na atividade das indústrias que fabricam alimentos e bebidas, principalmente aquelas destinadas ao preparo de pó e xarope, como é o caso de boa parcela dos empreendimentos do ramo no Estado.
Outro impacto veio dos fabricantes de material eletrônico e equipamentos de comunicação, além do segmento de edição e impressão que, devido à menor produção de televisores, registraram algarismos de 12,7% e 15,1% menores, respectivamente.
Segundo indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), apesar da produção de modelos LCD ter obtido um incremento de 11,85%, a de televisão em cores ficou 57,32% menor, assim como a de tecnologia plasma, com uma diferença de 3.507 unidades na produção, quando comparada a março do ano anterior.

Medidas governamentais

Gilmar Freitas ressalta que as medidas governamentais para evitar o aumento da demanda já causam seus primeiros reflexos e também afetam o resultado.
O assessor econômico da Fieam explica que as encomendas cresceram de forma acelerada, o que favoreceu a inflação, devido à produção da indústria sem folga. “A utilização da capacidade instalada já estava chegando ao limite. Hoje, com as medidas, é possível reduzir isso aos poucos”, avaliou.
Nacionalmente, a indústria operou em março com uma capacidade 1 ponto percentual menor que a de fevereiro (82,4% ante 83,4%), de acordo com levantamento da CNI (Confederação Nacional das Indústrias).
Quem evitou um ‘desmoronamento’ completo na produção foram as indústrias de equipamentos médico-hospitalares, ópticos e outros, responsáveis por lentes para óculos e relógios de pulso ou de bolso, com avanço de 40,8%. Mas, mesmo com menor vigor, o destaque ficou por conta dos fabricantes de duas rodas que, após a crise, vêm crescendo a passos largos, desta vez com um arrocho de 25,4%.
Apesar da produção industrial na região de janeiro a março ter crescido 3,7%, em comparação ao trimestre imediatamente anterior, a soma dos três meses iniciais caiu 2,5% ante igual período de 2010.
Quando confrontado a fevereiro, a tendência de queda permaneceu no setor industrial do Amazonas, com um percentual 8,9% inferior, após quatro meses de taxas positivas. Já no acumulado dos últimos doze meses, para evitar a descrença total, houve avanço de 8,0%.

Sete das 14 regiões verificadas pelo IBGE registram crescimento no período

A produção industrial cresceu, em março, em sete das 14 regiões pesquisadas pelo IBGE. O avanço registrado na Pesquisa Industrial Mensal/Produção Física Regional foi maior nos locais que tinham apresentado queda da produção em fevereiro, como a Bahia, que neste levantamento registrou aumento de 7%, e a Região Nordeste, com crescimento de 6,2%.
O ritmo da indústria também seguiu em alta no Ceará (2%), Rio Grande do Sul (1,9%), em São Paulo (1,6%), no Espírito Santo (1,6%) e Paraná (1,1%).
Entre as regiões que apresentaram queda da produção, em relação a fevereiro, o Amazonas(–8,9%) foi seguido pelo Pará (-4,6%), Rio de Janeiro (-3,8%), por Pernambuco (-2,2%), Santa Catarina (-1,2%), Goiás (-0,6%) e Minas Gerais (-0,1%).
O crescimento médio nacional da indústria em março foi de 0,5%, em relação ao mês anterior, conforme informou o IBGE na semana passada.
Considerando o resultado dos três primeiros meses de 2011, a produção industrial aumentou 1,3% em relação ao trimestre anterior. As maiores taxas foram registradas no Espírito Santo (8,3%), Paraná (5,7%), Amazonas (3,7%), em São Paulo (2,2%) e no Ceará (2,1%). Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, a expansão ocorreu em sete locais pesquisados e, mais uma vez, o Espírito Santo (11,3%) lidera a lista dos resultados positivos, seguido pelo Paraná (4,8%), por Minas Gerais (4,5%), São Paulo (3,8%) e pelo Rio de Janeiro (2,7%).

Bens de consumo

Segundo o IBGE, o crescimento mais significativo nesses locais é resultado da forte presença de segmentos da produção de bens de consumo duráveis, como automóveis, celulares e motocicletas, de bens de capital, usados para a construção, transportes e fins industriais, e dos setores extrativos, como petróleo, gás natural e minérios de ferro.

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