3 de julho de 2022
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Produção de petróleo cresce no Amazonas

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A produção de combustíveis no Amazonas esboçou recuperação, em março. Em seu Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural, a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) destaca que os oito campos de petróleo situados na bacia do Solimões produziram 13.820 bbl/d (barris diários) e 14.073 m3/d (metros cúbicos diários). Com isso, o Estado somou 102.339 boe/d (barris de óleo equivalente por dia). Especialistas consultados pela reportagem do Jornal do Commercio observam que a alta ocorre em meio ao choque mundial de oferta de derivados de petróleo, e tentativas da Petrobras evitar desabastecimento interno. 

De acordo com a agência reguladora, a produção de petróleo no Amazonas somou 423.687,04 bbl (barris de petróleo) em março, número 15,47% superior ao registrado em fevereiro (366.921,23 bbl). Já o gás natural totalizou 435.905 milhões de metros cúbicos (Mm3), equivalendo a um salto de 17,73% sobre o dado do mês anterior (370.250,89 Mm3). Os resultados da comparação com o mesmo mês de 2021, contudo, foram em direções opostas. O petróleo experimentou queda de 11,99%, mesmo levando-se em conta a base de comparação enfraquecida pela segunda onda da pandemia. O gás natural avançou apenas 2,37%. 

Os dados da ANP mostram um crescimento mais modesto para o petróleo em âmbito nacional, embora também mais consistente. O Brasil produziu 2,981 MMbbl/d (milhões de barris diários) em março, alcançando um aumento de 2,2%, se comparado com fevereiro, e expansão de 4,8%, frente ao terceiro mês de 2021. Os números para o gás natural foram mais acanhados e indicam que a oferta somou 134 MMm3/d (milhões de metros cúbicos diários) no mesmo período, configurando aumento de 0,9% na variação mensal e alta de 6,6% no comparativo anual.

O Pré-sal respondeu por 75,2% da produção nacional, no período, ao registrar volume de 2,876 milhões de barris de óleo equivalente por dia, a partir de 131 poços. Houve incremento mensal de 1,2% e elevação anual de 8,1%, Desse total, a maior parte (2,267 MMbbl/d) foi petróleo e o restante (96,7 MMm3/d), gás natural. Os campos marítimos produziram 97,1% do petróleo e 86,9% do gás natural. Os campos operados pela Petrobras foram responsáveis por 94,2% da produção no Brasil.

O aumento na oferta também vai ao encontro de um mercado gradativamente mais rentável. A ANP informa que a arrecadação com a Participação Especial referente à produção do primeiro trimestre de 2022, escalou 20% em relação ao trimestre anterior. Foi a quinta vez consecutiva que a participação governamental bateu recorde de recolhimento. Conforme análise da agência reguladora, a expansão “resulta principalmente da elevação do preço de referência do petróleo, acompanhando a cotação do petróleo do tipo Brent cotado no mercado internacional”. 

“Equilíbrio da demanda”

Em entrevista anterior, o analista ambiental e colaborador do Jornal do Commercio, Daniel Nava, apontou que a demanda menor dos habitantes da região Norte, em virtude da inflação, havia afetado a queda de produção de fevereiro. Em nova entrevista à reportagem do Jornal do Commercio, Nava, que também foi secretário estadual de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos, e superintendente da CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais), pontua que o aumento de produção ocorre já em uma conjuntura de crise de oferta e de maior valorização internacional da commodity.

“O ano ainda guarda a influência da pandemia e das naturais limitações na economia. O conflito da Ucrânia gera a tendência de alta nas cotações internacionais vigentes, o que também influencia o aumento da produção, em busca do equilíbrio da demanda interna e externa, bem como, natural aumento da arrecadação aos Estados produtores. Mas, enquanto persistir o conflito, não há como fazer previsões futuras”, ponderou.

Embora tenha assinalado anteriormente que “as trocas de presidentes da Petrobras” são fatores negativos e de “falta de rumo”, o especialista descarta a possibilidade de as eleições e as pressões do governo federal sobre a Petrobras gerarem efeitos na produção e nos preços dos combustíveis nos próximos meses. “A Petrobras vem fortalecendo estruturas de governança, para não sofrer esse tipo de impacto”, resumiu.

Fator pandemia

O também geólogo, consultor ambiental, e ex-articulista do Jornal do Commercio, Jorge Garcez, avalia que a produção de petróleo está menor do que a registrada há um ano, em razão dos “reflexos das medidas de contenção contra o avanço da Covid-19”. “O aumento relativo do gás natural, embora pequeno, reflete a demanda da população que ficou em casa, consumindo mais, além do crescimento dos serviços de alimentação por ‘delivery’. Devemos considerar também que esse pequeno incremento, que deveria ter sido maior, deve estar relacionado à população que perdeu receita e outra que ficou sem moradia e foi morar nas ruas”, sentenciou.

Garcez, que é especialista em Engenharia Ambiental, Sistemas Energéticos, Ciências Ambientais e Sustentabilidade na Amazônia e Engenharia de Minas, lembra que a produção de petróleo “é sempre muito pequena no Amazonas”, que não é um “grande produtor on shore”. E, por isso, destaca que qualquer variação na produção se reflete em um alto percentual “ilusório”. Mas, ressalva que o Estado segue sendo um grande produtor de gás natural ‘on shore’.

“Creio que as tendências não mudarão muito, até porque a real produção de petróleo no nosso caso depende muito mais de condições geológicas e de pressão em relação às estruturas fornecedoras de óleo, do que de demanda de mercado consumidor. Não esquecendo, que nosso petróleo é associado e o gás natural não é associado, ou seja, estão livres entre si, e daí, possibilitam que sejamos a maior reserva ‘on-shore’ de gás natural e a quarta maior de petróleo ‘on-shore’ do Brasil”.

O geólogo enfatiza que o óleo produzido no Estado é de “excelente qualidade e muito leve”, enquanto o gás é “bastante úmido” –contendo alta proporção de condensados e GLP e com vantagem do baixo custo de produção. “Continuaremos a ter preços elevados de combustíveis fósseis para a população em geral e demais setores consumidores, sem previsão concreta de baixa de preços, antes do final de 2023. É quem garantirá os pagamentos de auxílios sociais do governo federal para os próximos quatro anos de governança. Nossa matriz de óleo & gás natural, ainda representa cerca de 15% do PIB do Amazonas”, finalizou.

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