Produção de óleos essenciais promete deslanchar em 2010

Após fechar o ano passado com praticamente 3,70 toneladas de matéria-prima triturada para óleo essencial de andiroba, além da produção de quase 280 sacas de cocos de babaçu para a indústria de fitocosméticos, o município de Manaquiri (a 60 km de Manaus) estima produzir este ano a média mensal de 20,5 toneladas de óleos essenciais, concentrando definitivamente em suas terras 45% da base total de insumos destinados ao polo de cosméticos do Estado.

Os dados foram divulgados pela AAM (Associação Amazonense dos Municípios) a partir de levantamento feito pela Coopfitos (Cooperativa Mista de Produtores e Beneficiadores de Fitoterápicos e Fitocosméticos de Manaquiri), que estimou incremento na geração de emprego e renda a mais de 200 pessoas da agricultura familiar este ano. Além do óleo de andiroba e babaçu, o município vai disponibilizar para o mercado interno a matéria-prima para cosméticos à base de tucumã (5,2 toneladas de óleo).

A co-responsável pela usina de Manaquiri e gerente da Uaca 1 (Unidade de Atendimento Coletivo de Agronegócios) do Sebrae-AM (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa), Wanderléia Oliveira, disse que a lista de beneficiamento das comunidades ainda engloba projetos para o açaí, abacaba, patauá e castanha-da-amazônia para este ano. Segundo a representante, o diferencial da produção em Manaquiri é representado pelas ações do centro de mudas destinadas ao manejo florestal e ao projeto de implantação do núcleo de cosméticos avançado ainda no primeiro semestre deste ano, que também vão proporcionar renda aos filhos e mulheres dos extrativistas. “Esse volume de extração terá como carros-chefes o óleo de babaçu e andiroba, que exigem manejo em áreas muito extensas, por isso passamos quase dois anos fortalecendo a idéia do cooperativismo junto à mão de obra local”, afirmou a gerente.

Na outra ponta, o presidente da Coopverde (Cooperativa Mista de Produtores de Produtos da Floresta e Óleos Essenciais), Abrahim Souza Samej, considerou que a construção da Casa de Extração, em meados de junho, facilitará um acréscimo de 10% a 15% na produção esperada para o primeiro semestre, perto de 14 toneladas.

O dirigente disse ainda que a aquisição de óleos essenciais pela fábrica francesa Ganz Chemical ao longo do ano passado (19,5 toneladas), apesar de reduzida em mais de 20% em relação a 2008, gerou à cooperativa perto de US$ 8,2 milhões, sendo 70% provenientes da castanha-da-amazônia e piprioca. “Queremos aumentar em pelo menos 5% a produção este ano. Temos condições para isso. O que emperra nossos projetos é a possibilidade já acenada pelo nosso principal comprador de não poder absorver a demanda por falta de rotatividade no crédito”, revelou.

Se concretizada essa meta dos produtores rurais do setor, as exportações locais de óleos essenciais e produtos derivados podem receber uma injeção de aproximadamente US$ 45 milhões a partir do cumprimento da meta mensal de produção das usinas de Manaquiri e Silves. A expectativa é que a produção total das usinas alcance as 216 toneladas de óleos entre janeiro e dezembro, cujo destino será a composição de insumos para o crescente polo de biocosméticos.

Associação de Silves projeta lucros de até R$ 80 mil na venda de produtos

Outra entidade que pretende exportar essências naturais da Amazônia para a Europa é a Avive (Associação Viva Verde da Amazônia). No anúncio, feito no fim da última semana de janeiro, a coordenadora da cooperativa, Franciane Canto, afirmou que a produção em Silves (a 203 km de Manaus, em linha reta) ainda está sendo feita em caráter artesanal, mas a estimativa da associação é que o principal item da marca, os incensos naturais, gere lucros de até R$ 50 mil por mês.

De acordo com Franciane, para vender os produtos a Avive fez contato com interessados em Portugal, Espanha, Holanda e França, principais destinos para os quais serão destinadas 30 mil amostras, entre essências aromáticas, sabonetes, velas e incenso. “A gente espera lucros de até R$ 80 mil na venda desses produtos, sendo que 40% desse valor devem ser revertidos em lucro para a instituição. Por isso, cada cooperada vai receber um salário mínimo mensalmente graças aos níveis de produção alcançados pela Avive no último bimestre”, comemorou. Segundo a coordenadora, os contatos com empresários estrangeiros têm sido proveitosos, porque o mercado europeu é bem receptivo aos produtos amazônicos. “Cada produto feito à base de essências naturais agrega valores de luxo e excentricidade no mercado europeu. Infelizmente, nossos incensos deverão chegar ao comércio mais caros que os concorrentes indianos. Esses incensos são vendidos por R$ 3 a caixa, enquanto o nosso custará entre R$ 5 e R$ 10”.

A rotatividade de crédito pré-crise, segundo a economista Paloma Gomes Ferreira, dava às indústrias internacionais a possibilidade de parcelar dívidas em 12, 24 e até 60 meses. A instabilidade no sistema financeiro internacional, segundo a especialista, fez retrair o giro de capital e impossibilitou o fechamento de novos contratos ou investimentos. “Por isso, sem outro meio de parcelarem dívidas futuras, as empresas compradoras de matérias-primas tendem a comprar menos, até porque a recessão econômica envolve um processo demissionário. Sem dinheiro, ninguém compra perfume, considerado bem supérfluo. É inevitável”, explicou.

Dados do MDA apontam que, no ano passado, os embarques de óleos essenciais renderam ao país mais de US$ 102 milhões referentes a 95 toneladas produzidas destinadas à França, Espanha, Japão e EUA. O aquecimento do mercado, segundo o MDA, está diretamente relacionado ao crescimento mundial do setor de aromas e fragrâncias, cuja média oscila entre 5% a 6% ao ano.

Para ADS, demanda ainda é tímida

Jornal do Commercio – Quais foram os principais óleos produzidos em 2009?

Valdelino Cavalcante: Em 2009, os principais óleos produzidos foram de andiroba, copaíba, manteiga de murumuru e de castanha-da-amazônia, cuja produção vem sendo incentivada pelo programa governamental Zona Franca Verde. Percebemos que ocorreu a estabilização frente à expectativa do ano anterior e por conta dos contatos feitos antes da safra. Em função da expectativa que se criou em torno da crise econômica mundial, infelizmente algumas empresas que processam o óleo e exportam cancelaram os pedidos.

 JC – Que benefícios a produção de óleos trouxe para a economia do interior?

Valdelino Cavalcante: Carauari, que é o município pioneiro no processo de extração para pesquisa de geração de energia elétrica, agora comercializa essa produção com uma empresa nacional do segmento de cosméticos apoiado pela SDS/CEUC, através do projeto “Corredores Ecológicos”, que tem permitido às comunidades melhorarem a eficiência no processo de conservação e transporte das sementes.

Em Lábrea, a Aspacs (Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha) compra a produção de sementes dos ribeirinhos e a processa na unidade de beneficiamento.
Já em Manicoré, a produção está sendo comercializada com a empresa Beraca, estabelecida em Belém, que apoiou em 2009, em parceria com a ADS, a certificação orgânica das áreas de coleta. A cooperativa Verde de Manicoré (Coovema) aposta também na produção de óleo de castanha e já tem algumas demandas para 2010.

 JC – Como o senhor considera a demanda por óleos essenciais ao longo dos dois últimos anos?

Valdelino Cavalcante: Apesar da abundância desses produtos na floresta, a procura das empresas atuantes no segmento de cosméticos, fitoterápicos e alimentos ainda é tímida. Observamos, entretanto, nos últimos dois anos, uma tendência de crescimento promissora em função da aprovação do PPB (Processo Produtivo Básico) e do apoio governamental por meio do Programa Zona Franca Verde.

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