Produção de motos no PIM sofre queda em outubro

Desequilíbrio entre produção e demanda resulta em queda na fabricação de motocicletas no PIM (Polo Industrial de Manaus) e setor registra 90.880 unidades em outubro. A quantidade representa uma queda de 13,5% em relação a setembro, (105.046 unidades). O aumento do uso do modal  como transporte seguro e instrumento de trabalho para fonte de renda nos serviços de entrega foram um dos principais fatores que influenciaram na capacidade de produção das fábricas. Os dados foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares).

Segundo o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, a alta na demanda ainda não está plenamente suportada pelas unidades fabris, devido às modificações nos processos produtivos criado pelas empresas para combater à Covid-19. Para ele, o maior desafio do setor é ter sob controle a pandemia para as fábricas retornarem aos níveis normais de produção. Ele reforçou que, enquanto houver riscos de disseminação do vírus a estrutura precisará ser mantida para preservar a saúde do colaborador.

“As plantas foram impactadas diretamente pelas diversas adaptações necessárias para atender às medidas sanitárias recomendadas pelos órgãos de saúde, como as mudanças no layout das áreas produtivas, bem como as demais necessidades estabelecidas pelos protocolos de preservação da saúde dos funcionários. O maior distanciamento entre os postos de trabalho, por exemplo, gera aumento no tempo de produção das motocicletas”, disse.

Em relação ao mesmo período do ano passado (109.118), a queda na produção é de 16,7%. No acumulado de janeiro a outubro foram produzidas 784.421 motocicletas, retração de 17% na comparação com o mesmo período de 2019 (945.568 unidades). Conforme a entidade, apesar da redução no volume, o setor mostra um desempenho sustentável e prevê números positivos para o término do ano, além de uma expectativa de crescimento em torno de 10% da sua produção para 2021.

Com a mudança no cenário do mercado de motocicletas imposta pela pandemia da covid-19 levou o Setor de Duas Rodas a revisar suas projeções para 2020. A produção esperada para 2020 deve ficar em torno das 937 mil motocicletas, volume que representaria uma retração de 15,4% na comparação com 2019.

Insumos

Outro ponto que tem exigido planejamento por parte das indústrias para manter o ritmo de produção é a ausência de insumos importados. Fermanian explicou, que apesar de pequenos problemas relatados pelos associados, cada empresa vem montando estratégias específicas para concretizar o plano dos processos produtivos estabelecidos. “A substituição de insumos de fornecedores externos para internos é uma estratégia de cada fabricante, e certamente todos eles estão debruçados nesse momento para achar a solução e a melhor alternativa para abastecer sua linha de produção”, ressaltou.

Empregabilidade

Fermanian mostrou-se bastante otimista com os níveis de empregos gerados pelo setor no período da pandemia, e destacou que apesar da queda de produção no acumulado do ano, dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) apontam que o setor totalizou no ano, 12.800 empregos diretos na indústria contra 12.159 de dezembro do ano passado. Além disso, existem expectativas de investimentos para 2021.

“Os investimentos estão mantidos e os novos modelos previstos para lançar no futuro estão em curso, inclusive investimento em novas tecnologias no programa de emissão de poluentes também está em curso para motocicletas produzidas a partir de 2023”, disse.

Vendas do atacado

Em outubro, as fábricas repassaram para as concessionárias 90.807 motocicletas. Esse volume foi 9,8% inferior ao registrado em setembro (100.656 unidades) e 11,4% menor em relação ao mesmo mês do ano passado (102.545 unidades). No acumulado do ano, as concessionárias receberam 756.451 motocicletas, correspondendo a uma queda de 17,7% na comparação com o mesmo período de 2019 (918.609 unidades).

Desempenho por categoria

O aumento de 42,5% nas vendas no atacado, levou a categoria Sport registrar um crescimento percentual. Em outubro, foram repassadas 764 motocicletas ante as 536 registradas em setembro do presente ano. A Street foi a categoria mais comercializada no atacado, com 45.072 unidades,. O volume representa uma queda de 12% na comparação com setembro (51.196 unidades) e de 13,4% em relação a outubro de 2019 (52.052 motocicletas).

No ranking de vendas no atacado do acumulado do ano, a Street manteve a liderança, com 391.552 unidades e 51,8% de participação no mercado. Em segundo lugar, ficou a Trail, com 139.167 unidades e 18,4% de participação.

Emplacamentos com queda de 3,5%

De acordo com dados do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) o número de emplacamentos teve uma queda de 3,5% em relação a setembro (99.609 unidades) e de 2,3% na comparação com o mesmo mês de 2019 (98.338 unidades). A média diária de vendas em outubro, que teve 21 dias úteis, foi de 4.577 unidades – esse foi o melhor resultado para o mês de outubro desde 2014 (5.231 motocicletas/dia). Em relação a setembro  (4.743 motocicletas/dia), com o mesmo número de dias úteis, foi registrada queda de 3,5%. Na comparação com outubro do ano passado (4.276 unidades/dia), com 23 dias úteis, houve alta de 7%.

A região Sudeste teve 37.291 unidades emplacadas e 38,8% de participação no mercado. A região Nordeste ficou em segundo lugar (28.358 motocicletas e 29,5% de participação). Na sequência vieram Norte (11.024 unidades e 11,5% e participação), Sul (10.170 unidades e 10,6% de participação) e Centro-Oeste (9.271 unidades e 9,6% de participação).

Os cinco estados que apresentaram o maior volume de emplacamentos em outubro foram: São Paulo (22.083 motocicletas licenciadas), Minas Gerais (7.858 unidades), Ceará (5.341 unidades), Rio de Janeiro (5.338 unidades) e Pará (5.218 unidades). As vendas no varejo totalizaram 726.973 motocicletas no acumulado do ano, correspondendo a uma queda de 18,8% em relação ao mesmo período de 2019 (894.764 unidades). 

Exportações têm queda acentuada

A quantidade motocicletas para o mercado externo registraram queda de 35,7% em outubro, quando foram exportadas 2.330 unidades em relação às 3.622 motocicletas registradas em setembro deste ano. Em comparação com o mesmo mês do ano passado (3.148 motocicletas), a retração foi de 26%. 

O principal destino das motocicletas produzidas no PIM em outubro foi a Argentina. Segundo dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, que registra os embarques totais de cada mês, analisados pela Abraciclo, foram exportadas 1.248 unidades, representando 50,4% do total exportado. Em segundo lugar, ficaram os Estados Unidos (312 motocicletas e 12,6% de participação), seguidos pela Colômbia (272 unidades e 11%).

No acumulado do ano, as exportações somaram 25.983 unidades, correspondendo a uma redução de 19,5% na comparação com o mesmo período do ano passado (32.284 motocicletas). A Argentina manteve o posto de principal parceiro comercial também no acumulado, com 8.441 motocicletas e 34,4% do volume total exportado. Na sequência, vieram a Colômbia (5.136 unidades e 20,9% de participação) e Estados Unidos (4.591 unidades e 18,7%).

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