Produção de motocicletas no PIM apresenta crescimento

Produção de motocicletas do PIM (Polo Industrial de Manaus) registrou em maio a fabricação de 14.609 motocicletas. O volume representa uma alta de 887,8% em relação ao mês de abril (1.479), e marca o início de uma retomada gradual das atividades do setor. No varejo, a média diária de vendas cresceu 10,7% na primeira semana de junho. Segundo a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), o momento é de análise do comportamento do mercado para os próximos meses.

Segundo a Abraciclo, comparado ao mesmo período do ano passado, maio registrou uma queda de 85,5% na produção, quando o setor produziu  100.998 motocicletas. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano foram fabricadas 313.687 unidades, representando uma redução de 33,1% na comparação com o mesmo período de 2019 (468.984 unidades).

“As atividades começaram a ser retomadas na primeira quinzena de maio, com o retorno de aproximadamente metade das fábricas que estavam paradas. Na última semana do mês a volta das atividades fabris chegou a 80%. Os dados de maio refletem essa retomada gradual de atividades do setor e apontam para tendência de uma nova melhora no comparativo mensal de produção em junho”, afirma Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo.

Para Fermanian, apesar da retomada da produção,  o cenário ainda é de incertezas, o que impossibilita refazer as projeções para o resto do ano. “Precisamos acompanhar atentamente o mercado nas próximas semanas para termos uma base mais ampla e confiável antes de revisarmos os números”, diz.

Segundo o presidente do Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Wilson Périco, a indústria vive um período a qual nunca havia enfrentado. As consequências negativa que a pandemia trouxe para a economia, como o grande número de pessoas perdendo seus empregos, foram fundamentais para  redução das atividades da indústria.  Para ele, a diminuição do consumo no comércio ainda vai refletir de forma direta na indústria, até lá, vai ser necessário observar como o mercado vai reagir.

“O momento ainda é muito novo para a indústria. Ainda esperamos de qual será o tamanho do mercado que o PIM vai atender. Temos tido notícias de muitas pequenas e micro empresas, principalmente comércio e serviços que não abrirão. Isso traz um impacto social com relação aos empregos. O nível de desemprego do país está aumentando. Quanto maior o desemprego, menor a renda e o consumo. Até as pessoas que se mantém empregadas, sentem insegurança porque não sabem se manterão seus empregos. Então, há uma tendência de retração de consumo no primeiro momento. Isso pode afetar a demanda e o tamanho do mercado que o PIM atende. Precisamos aguardar. Os 100% vai acontecer, mas não vai ser nos níveis que foram em janeiro e fevereiro”, disse. 

De acordo com Périco, atualmente o PIM conta com 42% das empresas trabalhando acima de 80% de suas capacidades, mas ainda existe um teto de 20% das empresas que estão paradas. “São segmentos e demandas distintas, além de estruturas comerciais e de estoques distintas. Agora se espera que a abertura gradual implantada por vários estados seja mantida, para verificar qual o tamanho do novo mercado, para que as empresas possam se estruturar de acordo com as novas demandas”, disse.

Segundo WilsonPérico, no período de pandemia as empresas do PIM tomaram todas as medidas necessárias para manter os empregos de seus funcionários, como as férias coletivas, suspensão de contrato e banco de horas para os colaboradores, e destacou, que o momento será de readequação das atividades fabris com a demanda do mercado

“Nós não temos informação que alguma demissão tenha ocorrida por conta da pandemia. Ninguém pode afirmar isso. Nós vamos ter que adequar a capacidade das empresas, e isso fala de pessoas e a quantidade de pessoas, de acordo com a demanda que elas terão. Temos que aguardar para ver qual vai ser o tamanho desse novo mercado e sua adequação para ver esse impacto. As empresas estão tomando muitas medidas e um esforço grande para evitar demissões”, explicou

Vendas no atacado

Enquanto isso, em maio as fábricas repassaram para as concessionárias 18.355 motocicletas, representando um crescimento de 254,8% no comparativo com abril (5.173 unidades). Em relação ao mesmo período do ano passado onde as fábricas produziram  95.755 unidades, a queda foi de 80,8%. No acumulado de 2020, as vendas no atacado somaram 300.930 unidades, correspondendo a uma queda de 34,1% na comparação com o mesmo período de 2019 (456.772 unidades).

Otimismo nas vendas

Segundo a Abraciclo, com 20 dias úteis, a média diária de vendas em maio foi de 1.460 unidades. Na comparação com abril (1.345 unidades), que teve um dia útil a mais, foi registrada alta de 8,6%. Na comparação com maio de 2019 (4.454 unidades), com 22 dias úteis, houve queda de 67,2%.

“Esses números mostram que aos poucos o mercado está retomando à atividade. Alguns estados estão no processo de flexibilização da quarentena, permitindo a reabertura das concessionárias”, explicou Fermaniam

O presidente da Abraciclo destaca ainda que nos cinco primeiros dias úteis de junho a média diária de vendas chegou a 1.616 unidades, o que representa uma alta de 10,7% na comparação com a média diária total de maio. “Acredito que o resultado de junho será mais positivo para o mercado, consolidando a perspectiva de retomada dos negócios”, avalia Fermanian.

Desempenho por categoria

Em maio, a Street se manteve como a categoria mais comercializada no atacado com 7.593 unidades, representando uma alta de 214,8% em relação a abril (2.412 unidades) e 83,2% inferior a maio do ano passado (45.285 unidades). 

O segundo lugar também se manteve com a Trail, com 3.743 motocicletas comercializadas, volume 201,1% superior em relação ao mês anterior (1.243 unidades) e redução de 80,5% na comparação com maio de 2019 (19.173 unidades).

Com 3.293 unidades comercializadas, a Scooter veio na sequência com resultado 633,4% superior do que o registrado em abril (449 unidades). Em relação a maio do ano passado (9.480 unidades), houve recuo de 65,3%.

No acumulado do ano, a Street segue como a categoria líder no Brasil, com 153.052 unidades e 50,9% de participação. No ano passado, nesse mesmo período, o percentual era de 50%. A Scooter, que está no quarto lugar entre as categorias mais vendidas, com 27.732 unidades, detém hoje 9,2% do mercado. Em 2019, o percentual era de 8,6%.

Emplacamento

Em maio, os emplacamentos registraram uma ligeira alta em relação à abril. Segundo dados do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), foram registradas 29.192 motocicletas licenciadas, o que  corresponde um aumento de 3,3% em relação à abril (28.246 unidades), e recuo de 70,2% em relação a maio de 2019 (97.989 unidades).

“É importante destacar que devido à paralisação dos Detran’s de diversas cidades existe um volume de motocicletas vendidas que ainda não foi emplacado”, completou o presidente da Abraciclo.

A região Nordeste foi a que mais emplacou motocicletas no Brasil em maio, com 7.634 unidades, seguida pela Sudeste (6.423 unidades), Centro-Oeste (5.562 unidades), Sul (5.083 unidades) e Norte (4.490 unidades). O ranking de licenciamentos por estado foi liderado por Minas Gerais (4.500 unidades), seguido pela Bahia (3.153 unidades), Mato Grosso (2.731 unidades), Paraná (2.149 unidades) e Pará (1.734 unidades). O estado de São Paulo, que historicamente representa o maior mercado do país, sentiu fortemente o impacto da pandemia e registrou apenas 444 motocicletas emplacadas, ficando na 19ª posição no ranking nacional. No acumulado do ano, as vendas no varejo somaram 304.286 unidades, correspondendo a uma retração de 32,4% na comparação com o mesmo período de 2019 (450.011 unidades).

Exportações

Em maio, foram exportadas 236 motocicletas, uma retração de 44,6% em relação a abril (426 unidades) e de 92,7% ante as 3.232 motocicletas embarcadas para o exterior no mesmo mês do ano passado.

Segundo dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, os três principais mercados para as motocicletas produzidas no PIM foram: Canadá (224 unidades e 30,7% do volume total exportado), Austrália (212 unidades e 29%) e Guatemala (106 unidades e 14,5%).

No acumulado do ano, as exportações somaram 7.487 unidades, representando uma queda de 57,3% na comparação com o mesmo período do ano passado (17.538 unidades). O maior volume foi enviado para a Argentina (4.285 unidades e 43% do total exportado). Na sequência, vieram Colômbia (1.372 unidades e 13,8%) e Estados Unidos (1.294 unidades e 13%).

Ação social em Manaus

A Abraciclo juntamente com a Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, CIEAM (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) e Eletros ( Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) se uniram e formaram a Ação Social Integrada do Polo Industrial de Manaus, que conta com a parceria de outras empresas e entidades amazonenses e está trabalhando para ajudar famílias que foram duramente atingidas pela pandemia do coronavírus (covid-19).

Esta ação se intensificou em maio e já arrecadou mais de 100 toneladas de alimentos, distribuídas em Manaus e outras cidades, além de possibilitar a doação de mais de 100 mil máscaras cirúrgicas para hospitais e entidades amazonenses ligadas à saúde. “Esta é uma campanha de solidariedade e de caridade. Agradeço em nome de todos que estão recebendo essa ajuda”, destacou Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus.

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