Produção de motocicletas cai 11% em setembro, diz Abraciclo

A indústria de motocicletas do PIM desacelerou em 11,9% a produção, na passagem de agosto (123.722 unidades) para setembro (108.948), mas se manteve 3,7% acima do patamar do mesmo mês de 2020 (105.046). Os dados foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), nesta quarta (13). A entidade lembra, contudo, que o mês passado contou com dois dias úteis a menos do que o apresentado em agosto. 

No acumulado dos nove primeiros meses do ano, por outro lado, os índices de crescimento do parque industrial de Manaus se mantêm ascendentes em uma escala de dois dígitos. No total, foram fabricadas 896.558 unidades de janeiro a setembro, volume 29,3% superior às 693.541 unidades entregues pela indústria incentivada, em igual intervalo de 2020. A Abraciclo aponta ainda que o dado parcial deste ano já ultrapassa em 7,2% o total produzido em 2019 (836.450 unidades), no período pré-pandemia. A mesma base de dados aponta que as vendas internas e externas também se mantiveram no azul.

Em texto divulgado pela assessoria de imprensa da Abraciclo, o presidente da entidade, Marcos Fermanian, avalia que os números comprovam a recuperação do setor, que sustenta previsão de fechar o ano com 1,22 milhão de unidades fabricadas. “As associadas estão acelerando o ritmo para atender a demanda. Além disso, mantêm a programação de lançamentos para ampliar a oferta e atender às exigências do consumidor”, afirma.

O dirigente acrescenta que oscilações pontuais na produção são esperadas e destaca o compromisso das fabricantes em manter o ritmo de produção. “Todas as associadas operam normalmente. A produção é verticalizada e a maioria das peças foi nacionalizada, o que reduz a dependência de fornecedores externos. O segmento não é tão impactado pela falta de insumos, como acontece com outros setores da indústria”, frisou.

O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antônio Silva, ressaltou à reportagem do Jornal do Commercio que, no atual panorama econômico, considera importante se ater aos “números consolidados do ano”. Ele lembra que agosto normalmente é um “mês de produção elevada”, ao apontar que agosto de 2019 registrou fabricação de 114.660 unidades. Mesmo assim, destaca o dirigente, a marca foi superada pelo oitavo mês deste ano em 8%. “Os números de setembro do atual exercício, embora inferiores aos de agosto, são superiores ao mesmo período de 2020 e 2019. Ademais, os números no ano também denotam um cenário de solidez do segmento de motocicletas, a despeito das dificuldades econômicas, existe uma demanda represada substancial por veículos de duas rodas”, ressaltou.

Varejo aquecido

A mesma base de dados da Abraciclo indica que o mercado nacional de motocicletas segue aquecido e com índices mais fortes do que os da produção, a despeito do descompasso na oferta. Em setembro, foram licenciadas 108.816 motocicletas, volume 6,2% superior ao registrado em agosto (102.463). Na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando foram vendidas 99.609 unidades, o aumento foi de 9,2%. No acumulado do ano, foram emplacadas 840.971 motos, equivalendo a uma elevação de 33,3% em relação ao mesmo período de 2020 (630.859 unidades).

Com 20 dias úteis, setembro registrou média diária de vendas de 5.441 unidades, o melhor resultado para o mês desde 2014 (5.445 unidades/dia) e a melhor média dos últimos 78 meses consecutivos. Só ficou abaixo do desempenho registrado em março de 2015 (5.659). Na comparação com agosto, que contou com 22 dias úteis, houve alta de 16,8% (4.657). Em relação a setembro de 2020, com 21 dias úteis, o incremento foi de 14,7% (4.743).

A Street foi a categoria mais emplacada no mês, com 53.018 unidades e 48,7% de participação no mercado. Na sequência ficaram a Trail (23.241 unidades e 21,4% do mercado) e a Motoneta (14.966 e 13,8%). As motos de baixa cilindrada (até 160 cilindradas) representaram 80,3% das vendas no varejo, com 87.383 unidades. Os modelos de 161 a 449 cilindradas responderam por 16,1% (17.482 unidades), enquanto as que contam com mais de 450 cilindradas responderam por 3,6% (3.951) do volume comercializado.

No acumulado do ano, o destaque veio da Scooter, que avançou em 54,3% no número de emplacamentos entre setembro de 2020 (52.380) e o mês passado (80.815). Em números absolutos, no entanto, a Street foi a categoria que registrou o maior volume de licenciamentos, com 408.963 unidades e 48,6% de participação do mercado.

Para Fermanian, o mercado deve seguir em alta, apesar da crise da covid-19. “A alta no combustível tem levado muitas pessoas a adquirir uma motocicleta por ser uma opção mais barata e econômica. Além disso, é uma alternativa de deslocamento seguro para evitar a aglomeração do transporte público e fonte de renda para aqueles que passaram atuar nos serviços de entrega, um setor que já vinha crescendo e ganhou impulso ainda maior durante a pandemia”, ponderou.

Exportações em alta

Nas vendas externas, também houve desaceleração, embora os índices tenham se mantido ainda mais fortes no acumulado. As exportações caíram 13,1%, entre agosto (5.607) e setembro (4.872), mas avançaram 34,5% ante 12 meses atrás (3.622). O levantamento do portal de estatísticas Comex Stat informa que os principais destinos foram Colômbia (1.234 motocicletas e 27% do total), EUA (893 e 19,5%) e Argentina (862 e 18,8%).

A motocicleta (US$ 12.16 milhões) foi o segundo item mais vendido na pauta de exportações do Amazonas, no mês passado, ficando bem à frente de outros manufaturados do PIM, como aparelhos de TV (US$ 1.75 milhão) e celulares (R$ 516.096), entre outros. Perderam apenas para elaboração de bebidas (US$ 14.10 milhões). Em agosto, as motocicletas chegaram até a liderar a lista com, com US$ 16.82 milhões em vendas externas, deixando os concentrados (US$ 13.62 milhões) duas posições atrás.

De janeiro a setembro, foram exportadas 42.765 motocicletas, alta de 79,8% na comparação com o mesmo período de 2020 (23.779). A base de dados do Comex Stat confirma que o ranking também foi encabeçado por Argentina (12.183 unidades e 28,4% do total), Colômbia (9.785 e 22,8%) e EUA (9.387 e 21,9%), embora com posições diferentes. 

Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima, projetou que as exportações do Amazonas serão “bem superiores” neste ano e devem chegar a US$ 1 bilhão, em dezembro. Os motivos seriam a “desaceleração da pandemia” e a abertura de novos negócios no comércio exterior, assim como o próprio “aumento vegetativo” do mercado. O dirigente lembra que os países vizinhos “têm comprado muito” da ZFM, ajudando a fortalecer o comércio exterior amazonense, assim como a valorização do dólar.

Na mesma linha, Marcos Fermanian também aponta o refluxo da pandemia para justificar a alta, assim como o aprimoramento das motocicletas ‘made in ZFM’. “O aumento de negócios é um reflexo da recuperação econômica da América do Sul, após um período de crise. Vale ressaltar também a boa aceitação das motocicletas fabricadas no Brasil pelo mercado americano, o que comprova o alto valor agregado do produto nacional”, concluiu.

Foto/Destaque: José Paulo Lacerda/CNI

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email