Produção de milho ganha reforço de 24 toneladas de sementes no Amazonas

A produção de milho do Amazonas vai ganhar reforço. Um carregamento de 24,76 toneladas de sementes deve aportar em Manaus entre hoje e amanhã, por via fluvial. A iniciativa faz parte do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) Sementes, programa executado em parceria entre a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e a Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas). 

Todos os indicadores mais recentes da produção de milho apontam para cima, conforme a estimativa mais recente da Conab. A projeção para a única safra amazonense do produto (28,4 mil toneladas) aponta para alta de 3,3%. A área total destinada ao plantio (11,2 mil hectares) ganhou acréscimo de 1,8% em relação à safra de 2018/2019 e a produtividade avançou 1,4% e totalizou 2.535 quilogramas por hectare. 

Os números sinalizam expectativa de plantio durante a vazante, a partir de agosto, mediante disponibilidade de fatores de produção, como insumo e crédito, entre outros. A produção de milho do Amazonas se concentra principalmente em Manacapuru e Boca do Acre. A atividade destaca-se nos municípios com maior plantel animal, já que entre 60% e 70% da produção é destinada à ração animal.

As sementes que estão chegando ao Amazonas foram adquiridas de fornecedores da agricultura familiar atuantes em uma associação de Sergipe, mediante dotação de recursos de R$ 495.200, via governo federal. Segundo o superintendente regional da Conab, Serafim Taveira, nos últimos dos anos, o milho tem sido beneficiado com políticas de apoio operacionalizadas pela estatal federal, por meio da modalidade Aquisição de Sementes do PAA. 

“É uma pena que ainda não tenhamos esse fornecimento no Amazonas. Nos últimos dois anos, a Companhia destinou mais de 41 toneladas de sementes de qualidade superior às que o Estado possuía para diversos agricultores amazonenses situados em cerca de 47 municípios. Sementes de qualidade distribuídas a quem produz, e com a capilaridade de distribuição do governo do Estado, formam o tripé que sustenta o crescimento da produção”, afiançou. 

Sem cadastro

A distribuição das sementes ficará a cargo do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas) e deve contemplar 1.238 agricultores familiares em 27 municípios, com destaque para os “povos tradicionais”. O titular da Sepror, Petrúcio Magalhães Júnior, salientou que o Estado ainda depende do fornecimento de sementes de outras regiões por não contar com produtores credenciados no Ministério da Agricultura para fornecimento de semente milho.

“O PAA Sementes é um programa de suma importância para a agricultura familiar, pois o milho é o principal componente da ração que será transformada em proteína animal para o consumo humano. Principalmente agora, em tempos de pandemia, observamos a alta do preço do milho, essa semente chegará em boa hora para os nossos produtores rurais do Amazonas”, arrematou o secretário estadual.

Soja para exportação

Outro produto empregado na fabricação de ração animal é a soja, mas este ainda não contou com ação semelhante, embora a cultura venha ganhando espaço no Amazonas, nos últimos anos. A expectativa é que a produção (5.600 toneladas) seja 5,7% superior ao resultado da safra de 2019/2020, em uma área total (2.400 hectares) 9% maior, conforme o boletim mensal da Conab. A produtividade (2.325 kg/he), contudo, encolheu 3,1%.

“A produtividade da oleaginosa no Amazonas registrou valor acima da média nacional, visto que, por ser um projeto piloto, a unidade de Humaitá tinha um processo mais concentrado, com melhores insumos. Entretanto, conforme o projeto vai se desenvolvendo, a área e a produção tendem a aumentar e, em contrapartida, a produtividade aproxima-se da média do país”, explicou Serafim Tavaveira.

A soja cultivada no Amazonas é produzida em Humaitá (a 591 quilômetros de Manaus), mais exatamente na Fazenda Santa Rita. A safra é comercializada ao Grupo Amaggi, que tem unidade exportadora em Itacoatiara (distante 269 quilômetros da capital), sendo destinada principalmente ao mercado estrangeiro, a despeito dos pleitos de produtores rurais do Amazonas.

“Atualmente, a soja tem destinação para exportação, pois ainda não temos fábrica de ração na região que utilize esses grãos. Entretanto, o governo do Amazonas tem dialogado com grupos empresariais interessados em investir no Sul do Estado, justamente em indústria de ração e de outros insumos para o setor agropecuário sustentável”, explicou o titular da Sepror, Petrúcio Magalhães Júnior.

Arroz e feijão

Arroz e feijão são os outros itens que fazem parte da safra de grãos do Amazonas, sendo estes destinados exclusivamente ao consumo humano local. A Conab espera uma produção (5.400 toneladas) duas vezes maior de arroz na safra de 2019/2020, com o dobro da área de plantio (2.400 hectares), mas com produtividade (2.239 kg/he) 0,5% menor. A atividade tem destaque nos municípios do rio Juruá, principalmente Eirunepé e Envira.

“Para incentivar a produção da cultura, o governo estadual distribuiu sementes de arroz, no ano passado, o que alavancou a produção. É preciso considerar que a produção e a área plantada no Amazonas são muito pequenas, então qualquer alteração em números absolutos representa uma variação significativa em termos percentuais”, assinalou o superintendente da Conab-AM. 

O inverso se dá no caso do feijão, onde os números de área (-20% e 2.800 hectares), produção (-18,8% e 2.600 toneladas) e produtividade (-0,9% e 921 kg/he) são negativos. O plantio está concentrado especialmente nos municípios na calha do rio Purus – em especial, Lábrea e Boca do Acre.

“O feijão também apresenta uma produção baixa e qualquer variação gera uma alteração percentual significativa. Também foi objeto de doação de sementes pelo governo do Estado, mas os números serão confirmados no segundo semestre, quando se iniciará efetivamente o plantio. A safra atual possui uma tendência à equalização das áreas plantadas, com o arroz crescendo e o feijão diminuindo, visto que ambos disputam espaço na várzea”, concluiu Taveira. 

Fonte: Marco Dassori

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