Produção de duas rodas tem avanço em março, mas recua no varejo

A crise do Covid-19 ainda não foi sentida nos números de produção de motocicletas fabricadas pelo PIM contabilizados em março, embora já tenham impactado fortemente o desempenho do varejo no mesmo mês, conforme o mais recente levantamento da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), divulgados nesta terça (14).

As montadoras de Manaus fabricaram 101.425 motocicletas, 10,8% a mais do que em março 2019 (91.535) e 7,4% acima da marca de fevereiro de 2020 (94.442). O desempenho consolidou crescimento de 7% para o polo de duas rodas, com 296.159 (2020) contra 276.760 (2019) unidades produzidas, em relação ao registro dos três meses inicias do exercício anterior.

As vendas ao atacado foram na direção contrária. Em março, as fábricas repassaram 92.900 motocicletas às concessionárias, 0,8% abaixo do patamar de 12 meses atrás (93.605) e 0,9% a menos do que o número apresentado em fevereiro de 2020 (93.757). No acumulado dos três meses iniciais de 2020 (277.402), o volume comercializado ficou apenas 2,5% acima do alcançado no mesmo período do ano passado (270.724).

“O setor começou março com forte atividade industrial. Mas, para preservar a segurança dos colaboradores e cumprir as determinações das autoridades governamentais e de saúde, cerca de 60% das associadas do segmento de motocicletas anunciaram paralisações temporárias de suas fábricas em Manaus, em função dos impactos da pandemia. As paralisações ocorrem em períodos variados, começando em 30 de março e se estendendo até 5 de maio”, salientou o presidente da Abraciclo Marcos Fermanian, em material distribuído pela assessoria de imprensa da entidade.

Varejo fechado

A Abraciclo informa que a perspectiva de baixa atividade comercial, devido às ações preventivas de confinamento da população em suas residências – assim como o fechamento dos segmentos não essenciais do varejo –, também foi um fator considerado para a decisão de suspensão temporária da produção. “Os resultados serão sentidos no balanço de abril”, acrescentou Marcos Fermanian.

Os números do varejo reforçam a conclusão. De acordo com levantamento do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), março apresentou queda de licenciamentos na comparação com o mesmo mês do ano passado, de 83.798 (2019) para 75.372 (2020) motocicletas. Ficou também 5,6% aquém de fevereiro de 2020 (79.812). No primeiro trimestre, as vendas encolheram 4,6%, ao totalizar 246.848 (2020) contra 258.652 (20190 unidades.

Março fechou com média diária de vendas de 3.426 unidades, em 22 dias úteis. Foi o menor número para os meses de março desde 2004 (3.491 unidades/dia). Na comparação com o mesmo mês de 2019 (19 dias úteis), a queda foi de 22,3% (4.410 unidades/dia). Em relação a fevereiro de 2020 (18 dias úteis), o recuo foi de 22,7% (4.434 unidades/dia). A Abraciclo destaca, contudo, que “alguns Detran’s não estavam operando plenamente, prejudicando a comparação com outros meses”.

“Vínhamos de uma recuperação, com perspectivas excelentes para este ano. Foi assim até o dia 20 de março. As lojas começaram a pedir para segurar os pedidos e as indústrias ficaram estocadas, sem ter como transportar seus produtos para o Sul. A previsão de algumas empresas era voltar ao trabalho no dia 20, mas a perspectiva é que isso não aconteça”, desabafou o vice-presidente da Fieam e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo. 

Vendas externas

As vendas externas de motocicletas já vinham de um período negativo em função da crise na Argentina, o principal destino das exportações do produto. A ascensão gradual da demanda de demais mercados emergentes da América Latina não foi suficiente para reforçar uma retomada, comprometida pelo fechamento das economias para conter a propagação do novo coronavírus. 

As exportações totalizaram 2.730 unidades em março, com queda de 22,6% em relação ao mesmo mês de 2019 (3.525 unidades) e alta de 14% na comparação com fevereiro de 2019 (2.394 unidades), conforme as estatísticas de comércio exterior do site Comex Stat. A Argentina foi o principal destino, com o embarque de 905 unidades (33,9% do volume total), sendo seguida por Canadá (452 e 16,9%) e Colômbia (336 e 12,6%).

No trimestre, as exportações somaram 6.825 unidades (2020) contra 11.382 (2019), uma retração de 40% na comparação com o mesmo acumulado do ano passado, conforme a mesma base de dados. A Argentina recebeu 3.011 motocicletas (41,9%). Na sequência, vieram Estados Unidos (1.244 e 17,3%) e Canadá (816 e 11,4%).

“As exportações do Amazonas correram dentro do esperado, no trimestre, e a Argentina já vem de uma crise desde 2019. O ano começou fraco e as negociações começaram a deslanchar em março, quando as medidas de isolamento social começaram a vigorar. Espero que não, mas creio que a queda vai ser inevitável, a partir deste mês. Sentimos uma redução de 15% a 20% na emissão de certificados de origem para países do Mercosul”, encerrou o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima. 

Fonte: Marco Dassori

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