Produção de computadores retoma o fôlego

Embalada pela febre nas vendas de monitores de LCD, a produção de microcomputadores, inclusive portáteis, voltou a fechar pelo terceiro mês consecutivo em alta no polo industrial. O setor pulou de 54,45 mil em junho para 62,12 mil unidades em julho, avançando razoáveis 14,07%. As informações foram divulgadas pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), segundo a qual o setor acumulou 66,69% de crescimento na produção fabril durante o período de maio a julho.
Entretanto, apesar da retomada de fôlego, o volume total de micros produzidos no acumulado dos sete primeiros meses (270,23 mil) ainda está aquém do observado em igual período do ano passado (521,58 mil), de acordo com a Suframa.
O presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, avalia que a retomada do fôlego crescente em um setor sensível da indústria pode resultar em investimentos e atração de novas fábricas para o setor no Estado. “Os números são razões mais que suficientes para se comemorar, já que o Amazonas não dispõe mais de incentivos diferenciados em relação a outras regiões do país”, ressaltou.
Produção em larga escala, faturamento em galope de subida. No período de maio a julho, momento em que o setor faturou US$ 5.24 bilhões, as indústrias de eletroeletrônicos acumulam 37,92% de alta em relação ao primeiro quadrimestre, de acordo com a Suframa. Apesar disso, Périco afirmou que os bens de informática, que respondem pela maior fatia de receita do setor, as vendas caíram 7% no primeiro semestre, pressionadas pelo ajuste de estoques nos primeiros três meses do ano. “Os pedidos já voltaram a ocorrer e a expectativa é de que, até o fim do ano, o faturamento fique estável na comparação com 2008, isto é algo em torno de US$ 13.06 bilhões”, revelou.
A economista Cláudia Marcília Benzecry não considera que esse movimento de queda no setor de informática se sustentará, uma vez que boa parte da demanda por computadores ainda não foi suprida nos últimos meses. A especialista lembrou que esse setor foi um dos mais beneficiados por isenções e desonerações tributárias ao longo do ano passado, o que resultou em impactos negativos para a produção local. “Os efeitos dos impostos menores levaram muitas empresas a produzirem em outros Estados, causando um efeito de esvaziamento produtivo”, explicou.

Menor tributação e câmbio valorizado ajudaram setor

Por outro lado, Cláudia Benzecry lembrou que os computadores e outros itens de informática ficaram mais baratos devido à menor carga de impostos e também por contarem com itens importados em sua montagem, que com a valorização do câmbio, passaram a custar menos. “Crédito e renda continuam com desempenhos muito positivos e vão sustentar os pedidos no varejo no último quadrimestre, caso se mantenha a tendência à estabilidade econômica”, asseverou.
Nessa linha de investimentos, a Positivo Informática anunciou ampliação na ordem de R$ 10 milhões para o plano de investimentos deste ano. Os recursos serão direcionados principalmente para a ampliação da capacidade fabril de PCs e de placas-mãe de desktops e notebooks. Segundo a gerente de Relações com Investidores da fábrica, Emanoele Sewaybricker, a Positivo Informática está se antecipando para capturar as oportunidades do mercado brasileiro, que já apresenta importantes sinais de recuperação. “A previsão é que, até o fim deste ano, as unidades industriais estejam possibilitadas de operar nos novos níveis de capacidade. O nível de produção de Manaus, atualmente com 15 mil PCs/mês, deverá ser ampliada para 20 mil unidades/mês, significando 52 novas frentes de trabalho”, revelou.
O otimismo da fábrica contrasta com o observado em nível nacional, no qual a receita do setor caiu 13% no primeiro semestre na comparação com a primeira metade do ano passado, segundo dados divulgados pela Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) no início desta semana.
Além da base forte registrada no período pré-crise em 2008, o setor sofreu com exportações 28% menores de janeiro a junho e com vendas fracas principalmente no primeiro trimestre. Na primeira metade deste ano, o setor fechou 7.000 postos de trabalho, passando de 162 mil trabalhadores no primeiro semestre de 2008 para 155 mil empregados no final de junho.
A Abinee acredita que esse número deve se estabilizar daqui para frente. Essa projeção de manutenção do contingente atual de mão-de-obra depende de recuperação das compras por parte dos consumidores e também de novos investimentos.

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