27 de junho de 2022

Produção de café se destaca na Amazônia

Quem diria que a Amazônia poderia se tornar uma grande produtora de café? Pois é o que está acontecendo. Dados da Seagri/RO (Secretaria Estadual de Agricultura de Rondônia) mostram que o Estado é o quinto maior produtor de café do país e o maior produtor da região Norte. Rondônia possui mais de 230 cafeicultores e mais de 100 produzindo café de qualidade em mais de 65 mil hectares. O Estado aproxima-se dos 2,5 milhões de sacas por safra.

O Amazonas está seguindo o mesmo caminho, muito embora esteja bem distante do vizinho. Segundo números do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas), o Estado possui aproximadamente 500 hectares plantados, mas a produtividade ainda pode evoluir bastante. Com tecnologias desenvolvidas pela Embrapa, espera-se proporcionar a essas áreas um aumento bem maior, chegando a até 120 sacas por hectare, hoje em torno de 80/100 sacas.

De acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), em 2018, a produção de café no Amazonas saiu de sete mil sacas para 75,2 mil sacas em 2021. A previsão para 2022 é de continuar mantendo a produção de 75,2 mil sacas.

Se depender do paranaense Anderson Seibert de Oliveira, esses números vão aumentar rapidamente e de forma bastante consistente. Observador atento, Anderson desenvolve técnicas para tornar sua plantação, de cerca de 60 mil pés de café, cada vez mais produtiva, em seu Rancho Kaipira, localizado no quilômetro 73, da AM-070 (Manaus/Itacoatiara), em Rio Preto da Eva. Anderson é o presidente da Coopmiam (Cooperativa Mista do Amazonas), naquele município.

Faturamento rápido

Anderson é engenheiro ambiental, florestal e agrícola, e consultor em agronegócio. Há sete anos um cliente de Rondônia o chamou para fazer uns trabalhos na área florestal e ambiental, manejo e exploração sustentável de madeira.

“Foi quando conheci a cultura do café consorciado com o cacau. Vi que se tratava de uma cultura interessante e trouxe a técnica para o Amazonas”, lembrou.

Atualmente ele cultiva as variedades robusta amazônico, desenvolvido pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), e conilon clonal. O robusta amazônico ganhou este reconhecimento por se tratar de um café com características únicas em uma região, sem igual no mundo. O conilon clonal substitui o arábica, pois se adaptou bem à região e sua produção é maior numa mesma área plantada

Atualmente a Coopmiam agrega 23 consorciados. À medida que os agricultores da região vão percebendo o sucesso de quem já está plantando café, se interessa pela cultura do fruto.

“Com dois anos de plantio, o agricultor já colhe 60 sacas por hectare. No terceiro ano chega a 120 sacas e já lucra. Com 100 sacos já está lucrando. A partir do terceiro ano, a produção pode chegar a 160 sacas por hectare”, informou.

Em sua assessoria, Anderson ensina sobre as variedades que devem ser plantadas, o distanciamento correto entre uma planta e outra, o consórcio que pode ser feito com produções mais rápidas, como a abóbora, a melancia e a macaxeira, entre várias outras, enxertia, poda e a maneira correta de torrar os grãos para que o café não perca a qualidade.

A próxima investida do paranaense será lançar o café Kaipira, produzido e ensacado por ele próprio.

“Em breve lançaremos o café Kaipira no mercado amazonense, 100% orgânico, cuja plantação pode ser visitada pelo consumidor, aqui em Rio Preto da Eva”, avisou.       

Produção recorde

A safra dos Cafés do Brasil estimada para 2022 totaliza um volume equivalente a 53,42 milhões de sacas de 60 kg. Desse total, 35,71 milhões de sacas são da espécie arábica, o que representa em torno de 66,84% da safra, e 17,71 milhões de sacas da espécie conilon, que correspondem a 33,15%. Caso essa estimativa se confirme nos próximos levantamentos, a safra 2022 terá um aumento significativo de 11,96% da produção nacional de cafés, se tais números forem comparados com a produção anterior, quando o país colheu um volume total de 47,71 milhões de sacas.

O total do faturamento bruto estimado para as principais lavouras brasileiras atingirá o montante equivalente a R$ 881,17 bilhões, valor que foi calculado tendo como referência o volume e os respectivos preços médios dos produtos a serem recebidos pelos agricultores das 17 principais lavouras brasileiras, cujos dados foram levantados e estudados no período de janeiro a abril de 2022.De acordo com os dados do Levantamento da Conab, os seis maiores Estados produtores de café da federação são: Minas Gerais, maior produtor nacional, que espera colher nesta safra 24,79 milhões de sacas de café beneficiado; Espírito Santo: 16,45 milhões de sacas; São Paulo: 4,43 milhões; Bahia: 3,64 milhões; Rondônia: 2,64 milhões de sacas; e por fim, o Estado do Paraná, na sexta posição, com 552,9 mil sacas de 60kg.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email