Produção de bicicletas tem pior março desde 2015, aponta Abraciclo

A crise do Covid-19 reduziu a produção de bicicletas do PIM, no mês passado. As montadoras de Manaus encerraram março com 54.115 ‘bikes’ fabricadas, 8,3% a menos do que o obtido no mesmo período de 2019 (59.021) e 10,4% abaixo do total apresentado em fevereiro de 2020 (60.398). Foi o pior resultado para meses de março, desde 2015 (70.592), período inicial da crise brasileira anterior.

O desempenho comprometeu o acumulado, que vinha em trajetória ascendente nos meses anteriores. O balanço trimestral já aponta para um recuo de 7%, com 170.923 (2020) unidades contra 183.742 (2019). Os dados foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) nesta quinta (16). 

“A queda já sinaliza o impacto da pandemia do coronavírus, que obrigou as fábricas a se ajustarem, na segunda quinzena de março. Em seguida, 75% delas suspenderam temporariamente suas operações fabris para preservarem a saúde de seus colaboradores e evitarem a formação de altos estoques diante das notórias dificuldades de comercialização no mercado nacional”, declarou o vice-presidente do segmento de Bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, no texto distribuído pela assessoria de imprensa da entidade.

No entendimento do dirigente, dado que a maior parte da produção segue suspensa ao longo de abril, o mês terá, “certamente”, um dos piores volumes fabricados na série histórica do segmento. Com isso, prossegue Gazola, a projeção de crescimento dos negócios estabelecida para 2020 será comprometida. Até o mês passado, a Abraciclo ainda esperava encerrar 2020 com 987.000 bicicletas produzidas no PIM e alta 7,3% sobre 2019 (919.924).

Gazola afirma que, entre as várias medidas inclusas nos decretos dos governos estaduais para combater a pandemia, a inclusão dos serviços de manutenção realizados pelas oficinas de bicicletarias na lista de atividades consideradas essenciais para a sociedade foi “extremamente positiva”. “Os decretos permitiram que parte das empresas ficasse liberada para o atendimento ao público, com os devidos cuidados e controles preventivos, beneficiando ciclo-fretistas, que prestam importantes e imprescindíveis serviços de delivery nas cidades, bem como os ciclistas em geral”, frisou.

Serviços essenciais

Em sintonia, o vice-presidente da Fieam e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo, também não vê luz no fim do túnel para o polo de bicicletas do PIM, assim como para os demais segmentos, mesmo diante do aquecimento do mercado de delivery e a maior demanda de entregadores.  

“Não enxergo saída para as fábricas no curto prazo, nem dessa forma. Só o comércio essencial está aberto e as revendas estão fechadas, limitando as possibilidades de vendas a supermercados. Não vejo possibilidade de nenhum segmento industrial do PIM crescer nessa crise. Até porque produzimos apenas bens essenciais e as empresas estão super-estocadas”, lamentou.

Regiões e categorias

A categoria Estrada, embora com volumes baixos (748 unidades), foi a que registrou a maior variação percentual de produção em março no PIM, com elevações de 31% na comparação com março de 2019 (571 unidades) e de 37,8% frente a fevereiro de 2020 (1.202 unidades). Em números absolutos, a Moutain Bike (32.277) foi a categoria mais produzida, com altas anual de 0,8% (sobre 32.033 unidades) e mensal de 3,8% (em cima de 33.568).

Com 32.922 unidades, o Sudeste foi a região que mais recebeu bicicletas produzidas no PIM, 2,5% a menos do que em 2019 (33.850) e 7,7% a mais do que no mês passado (30.624). Em seguida, vieram o Sul (8.286) com recuos de 4,2% (8.648) e de 14,9% (9.732), respectivamente. Nordeste (6.988, -1% e -32,9%), Centro-Oeste (3.684 unidades, -10,8% e -24,5%) e Norte (2.165, -59,4% e -54,4%) vieram na sequência.

Importações e exportações

Diferente do ocorrido nos meses anteriores, o polo de bicicletas do PIM fechou março com nova alta nas importações de produtos prontos e decréscimo nas vendas externas de ‘bikes’ ‘made in Manaus’, conforme apontam os dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, analisados pela Abraciclo. 

Em março, a importação somou 8.495 unidades, alta de 103,5% na comparação com o mesmo mês de 2019 (4.174) e de 142,4% ante fevereiro (3.504). A maioria das bicicletas veio da China (7.057 e +83,1% do total), seguido por Camboja (868 e 10,2%) e Taiwan (361 e 4,2%). No caso das exportações (749), foram registradas quedas de 1,3% a março de 2019 (759 unidades) e de 36,7% na comparação com fevereiro de 2020 (1.183). Os principais destinos foram Paraguai (570 e fatia de 76,1%), Uruguai (150 e 20%) e Bolívia (15 e 2%).

Em depoimento ao Jornal do Commercio, o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima, informou que a balança comercial seguiu a trajetória esperada no trimestre, a despeito de uma redução na emissão de certificados de origem para países do Mercosul, que começou na virada de março para abril, com retrações de 15% a 20%. “Espero que não, mas creio que a queda das exportações vai ser reforçada a partir deste mês. E devemos ter recuo nas importações a partir de maio”, concluiu.

Fonte: Marco Dassori

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