10 de abril de 2021

Produção de bicicletas no PIM cai 1,6% em fevereiro

Com o agravamento da pandemia da Covid-19 e a falta de insumos para aumentar produtividade, montadoras do PIM (Polo Industrial de Manaus) registram queda na fabricação de bicicletas. Em fevereiro foram produzidas 56.078 unidades, uma queda de 1,6% em relação a janeiro que contabilizou 56.981 unidades. Segundo a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) o setor ainda deve sofrer com a escassez de peças até o terceiro trimestre deste ano. Lojas e distribuidoras de Manaus buscam alternativas.

Conforme dados da Abraciclo, a quantidade é 7,2% menor em relação às 60.398 unidades produzidas no mesmo período do ano passado. Já  no primeiro bimestre de 2021, foram fabricadas 113.059 bicicletas, uma retração de 3,2% na comparação com o mesmo período de 2020 (116.808 unidades).

Em fevereiro foram produzidas 56.078 unidades nas indústrias
Foto: Divulgação

Segundo o diretor executivo da entidade, Paulo Takeuchi, apesar da limitação causada pelo desabastecimento de peças e componentes, que tem gerado dificuldades na montagem e a falta de alguns modelos, as associadas da Abraciclo estão se esforçando para atender ao mercado. 

“O desabastecimento de peças e componentes é um problema que acontece no mundo todo. Toda cadeia global de suprimentos está passando por essa dificuldade devido a restrições  causadas pela pandemia”, disse

Apesar de todo cenário, Takeuchi reforça que a redução na produção por falta de insumos não vai acarretar dispensa de mão de obra no Polo Industrial de Manaus.

“A recuperação no fornecimento de insumos será gradual e a demanda por bicicletas continuará alta. Na verdade, vamos precisar de mais pessoas na linha de produção para abastecer o crescente mercado”, destacou. 

Com o objetivo de manter a produtividade,  o diretor ressaltou,  que há alguns anos, a Abraciclo e suas associadas vêm trabalhando com fornecedores locais para reduzir a dependência dos componentes importados. “Vale enfatizar que nesse processo estamos atentos para os níveis de qualidade e segurança. Apenas itens que atendam essas exigências serão incorporados às nossas linhas de produção”, explicou.

O vice-presidente do segmentos de bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, conta que as fábricas tiveram que adequar seus turnos de produção e ajustar as programações para atender à determinação do governo estadual que restringiu a circulação de pessoas para conter a pandemia.

Segundo Gazolla, a demanda por bicicletas cresceu no mundo todo e os fornecedores globais de componentes não conseguem atender aos nossos pedidos nem de outros países.

“Cerca de 50% das peças de uma bicicleta são importadas. Há alguns anos, a Abraciclo e suas associadas vem trabalhando com fornecedores locais para reduzir essa parcela, no entanto, ainda somos muito dependentes dos componentes importados”, explicou.

O cenário tem levado lojas e distribuidoras de bicicletas da capital amazonense a buscarem soluções em mercados alternativos de outros Estados do Brasil. Segundo o empresário Fabiano Oliveira de Souza, dono da loja Way Bike, para empresa quem tem estoque as vendas continuam bem aquecidas, porém, existe uma expectativa que nos próximos meses, a redução da produção nas fábricas começará a ser visível nas lojas. 

“Prevejo que daqui alguns meses essa redução de produção vai ser visível em todo território nacional. Isso porque, muitas pessoas  começaram a usar a bicicleta como transporte alternativo devido a pandemia. A falta de componentes começou a ficar bem aparente, e quem ainda tem estoque teve que elevar os preços para não sair no prejuízo neste momento de fragilidade da nossa economia brasileira. Mas, apesar disso, creio eu, que foi uns dos segmentos do mercado menos afetado pela pandemia de Covid-19”, disse.

De acordo com o gerente e empresário Cristoffer Souza, apesar do cenário preocupante na redução de produção das montadoras, a situação ainda não afetou as vendas de bicicletas na sua loja. “Temos a vantagem de ter variedades de marcas na loja. Se uma marca não consegue atender nossos pedidos, temos outra marca para suprir as vendas. A maioria das lojas tem conseguido atender esse mercado consumidor com essa estratégia. Apesar das vendas de bicicleta terem caído um pouco, as vendas de peças e acessórios tem aumentado. Para não dependermos só das fábricas, buscamos peças em outros Estados para montar um produto único para venda”, disse.

Apesar dos desafios, o gerente vislumbra um cenário de oportunidades, mesmo com as medidas de combate à pandemia, impostas pelo governo do Estado, os serviços de delivery tem crescido de forma considerável, e a bicicleta, assim como a motocicleta, tem surgido como alternativa de transporte e ferramenta de trabalho. 

“Precisamos ver esse período de pandemia como um momento de criar oportunidades. Muitas pessoas têm aderido ao serviço de delivery como forma de garantir uma renda. A bicicleta por ser mais acessível, tem sido bastante procurada nas lojas. O interessante, é que muitas pessoas que não tem condições de comprar uma nova, acabam comprando seminovas. E aqui, montamos a bicicleta conforme a necessidade do cliente”, disse.

Segundo a economista Denise Kassama, assim como o setor de motos, a demanda do segmento de bicicletas tem mostrado uma curva crescente devido à pandemia e consequentemente, um cenário propício ao serviço de delivery. “Em Manaus estamos com todo o comércio com o atendimento ao público reduzido, e com isso os serviços de entrega aumentam. Entendo que vai crescer ainda mais, acompanhando desde 2019, vi que o segmento de duas rodas é o que menos teve percentual de queda. E vendo agora a questão do aumento dos preços do combustível, essa procura por bicicleta vai aumentar muito. E o segmento de delivery vai ganhar muita força na atual conjuntura”, disse.

Produção por categoria

A Moutain Bike (MTB) foi a categoria mais produzida em fevereiro, com 29.573 unidades e 52,7% do volume total fabricado. Seguido da Urbana/Lazer com 17.479 unidades e 31,2% do total fabricado. No terceiro lugar está a Infanto-Juvenil (6.975 unidades e 12,4% do total fabricado).

A categoria de bicicletas que mais cresceu em produção foi a Elétrica. Foram 1.436 unidades produzidas em fevereiro contra 182 em janeiro, o que representa um crescimento de 689%. Na comparação com o mesmo mês de 2020, o aumento foi de 101,1%. Na ocasião, foram fabricadas 714 bicicletas da categoria Elétrica.

No resultado do bimestre a MTB seguiu como a categoria mais produzida com 66.048 unidades e 58,4% do volume fabricado. Na sequência vieram a Urbana/Lazer (35.631 unidades e 31,5%) e Infanto-Juvenil (8.424 unidades e 7,5%).

Exportações

Segundo dados do portal Comex Stat, as exportações totalizaram 1.782 unidades em todo território nacional em fevereiro. No mês anterior, apenas uma bicicleta foi exportada, enquanto em fevereiro de 2020, 1.183 unidades foram enviadas ao exterior, um aumento de 50,6%.

Os principais destinos das bicicletas foram Paraguai (1.470 bicicletas e 82,5% do volume total exportado), Uruguai (300 bicicletas e 16,8%) e Estados Unidos (4 bicicletas e 0,2%). Já no primeiro bimestre, foram exportadas 1.783 bicicletas, o que corresponde a uma alta de 47% na comparação com o mesmo período do ano passado (1.213 unidades).

Foto/Destaque: Divulgação

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