Produção de bicicletas no Amazonas em maio mostra recuperação

O setor de bicicleta no PIM (Polo Industrial de Manaus) registrou produção de 21.587 unidades, em maio, e agora projeta recuperação gradual de suas atividades para o ano. O mês registrou uma alta de 114,3% em relação a abril, que teve 10.071 unidades produzidas.Já na comparação com o mesmo período do ano passado (73.299 unidades), houve uma queda de 70,5%. Com base da análise do comportamento do mercado, setor vai revisar novas projeções para o ano. Os dados foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares).

“O que está ocorrendo no momento é o acompanhamento do desempenho do varejo e até mesmo o comportamento do consumidor com  o início das flexibilizações municipais. Com base nisso, é que serão revisadas as projeções de bicicletas para 2020, então é melhor esperar um pouquinho mais”, destacou o diretor executivo da Abraciclo, José Eduardo Gonçalves.

No acumulado dos cinco primeiros meses de 2020, a produção totalizou 202.581 bicicletas, correspondendo a uma retração de 39,1% na comparação com o mesmo período do ano passado (332.721 unidades). A impossibilidade de compra na loja física, levou ao crescimento da comercialização dos produtos por meio de vendas online. Para Silva, a expectativa é que as fábricas mantenham o ritmo de trabalho de acordo com a demanda do comércio e a flexibilização da quarentena nos estados. 

“A produção de bicicleta do PIM, mostrou que o setor está caminhando para uma série de recuperação de uma grande crise, porém a retomada do mercado está atrelada sem dúvida, à flexibilização da quarentena dos estados. Algumas cidades já estão permitindo a reabertura das bikes shops, bicicletarias e até mesmo das lojas de departamento, que são os principais ponto de comercialização de bicicletas. Antes disso, os negócios de setor estiveram fortemente atrelados ao e-commerce, o segmento das compras a distância por meio da internet”, disse.

Segundo o diretor, outro fator que vai ser importante para a recuperação do setor é o estímulo das autoridades públicas para o uso da bicicleta como opção de mobilidade urbana. Essa ação segundo ele, já vem sendo adotadas por países desenvolvidos. “Diversos países como a França, Reino Unido e o Estados Unidos estão estimulando a população a usar bicicleta, justamente para evitar aquelas aglomerações típicas do transporte público, e ao fazer isso reduzir o contato do coronavírus. Porém, infelizmente aqui no Brasil, isso ainda é pouco observado pelas autoridades públicas”, frisou.

Enquanto as indústrias do PIM buscam estratégias para adequar sua produção ao mercado, José enfatizou que o setor vem analisando o comportamento do consumidor quanto ao uso da bicicleta como meio de transporte em meio ao fim do ciclo de isolamento social. E em meio a incertezas, explicou que a melhor estratégia para o atual cenário é analisar e esperar.

“A dúvida que fica no ar nesse momento é se as fabricantes de bicicletas vão conseguir ou não atingir as metas de produção projetadas para 2020 que foram projetadas lá atrás, antes da pandemia chegar por aqui. Mas ainda é cedo para falar sobre isso, pois diante do cenário incerto, o setor optou por não revisar ainda suas projeções para 2020, aguardando uma melhor observação do comportamento do mercado”, explicou.

Mercado

Segundo a Caloi, uma das associadas da Abraciclo, os números da entidade não contemplam a atividade da empresa, pois a mesma não teve seu processo produtivo acionado no mês de maio. Para o presidente da companhia Cyro Gazola, os números de produção da empresa em junho serão muito maiores, com expectativa de grande produtividade para o último trimestre, devido à importantes datas de vendas para o comércio

“Retomamos a produção da fábrica na primeira semana de junho e neste momento estamos focando muito nos bike shops e vendas online, pois são dois canais que estão apresentando grande aceleração nas vendas. Acredito que os primeiros três meses do segundo semestre ainda serão de recuperação gradual como um todo. Já o último trimestre tem potencial de ser bem mais relevante para a Caloi e para o setor, principalmente devido a sazonalidade das atividades de dia das crianças, Black Friday e Natal”, disse. 

Resultado por categoria

Com 16.657 unidades, a Mountain Bike (MTB) manteve em maio o posto de categoria de bicicletas mais produzida. O volume foi 134,2% superior ante as 7.112 unidades fabricadas em abril do presente ano e 52,8% inferior ao alcançado em maio de 2019, que contou com 35.268 unidades.

“Muita gente agora está consertando aquela bicicleta que estava parada ou comprando uma nova, pois trata-se de um meio de transporte individual e seguro, ideal para esse momento de pandemia. Então as vendas estão aquecidas nesses dois canais, bike shops e online, e nossa preocupação de indústria é se essa procura continuará acelerada depois como nesses últimos dias 20 dias. Já outros canais, como lojas de departamento, por exemplo, tudo vai depender da retomada em geral e de como o consumidor se comporta”, destacou Cyro Gazolla.

Em segundo lugar ficou a categoria Urbana/Lazer com 4.471 unidades produzidas, correspondendo a uma alta de 116,8% na comparação com o mês anterior (2.062 unidades) e recuo de 84,4% em relação a maio de 2019 (28.609 unidades). Na soma dos cinco primeiros meses do ano, a MTB liderou o ranking das categorias mais produzidas com 124.771 unidades, o que correspondeu a 61,6% de participação. Na sequência vieram Urbana/Lazer (57.066 unidades e 28,2%), Infantojuvenil (14.726 unidades e 7,3%), Estrada (3.996 unidades e 2%) e Elétrica (2.022 unidades e 1%).

Distribuição por região

O maior volume de bicicletas fabricadas no PIM foi destinado em maio à região Sudeste. Foram enviadas 12.457 unidades, uma alta de 212,4% na comparação com abril (3.987 unidades) e a um recuo de 72,1% em relação a maio do ano passado (44.653 unidades).

Em segundo lugar, ficou a região Sul, com 4.417 bicicletas, volume 84,9% superior ao registrado no mês de abril (2.389 unidades) e 61,7% inferior em relação às 11.535 unidades enviadas em maio de 2019. Com 3.048 unidades recebidas, a região Nordeste veio na sequência do ranking. Na comparação com abril (2.740 unidades), houve uma alta de 11,2% e em relação a maio do ano passado  (7.387 unidades) a retração foi de 58,7%.

Na região Centro-Oeste, o aumento foi de 75,8%, passando de 749 unidades recebidas em abril para 1.317 unidades em maio. Na comparação com maio do ano passado (3.623 unidades), a queda foi de 63,6%. A região Norte registrou 348 unidades, uma alta de 68,9% na comparação com o mês anterior (206 unidades) e uma redução de 94,3% em relação ao mesmo mês do ano passado (6.101 unidades).

No acumulado dos cinco primeiros meses de 2020, a região Sudeste também ficou em primeiro lugar no ranking com 109.412 unidades e 54% do volume total distribuído. Na sequência ficaram as regiões Sul (35.677 unidades e 17,6%), Nordeste (31.947 unidades e 15,8%), Centro-Oeste (15.098 unidades e 7,5%) e Norte (10.447 unidades e 5,2%).

 Importação e exportação

Segundo dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, em maio foram importadas 1.629 bicicletas em todo o território nacional. O resultado foi 122,5% maior que o registrado em abril (732 unidades) e 39,6% inferior ante as 2.697 bicicletas importadas em maio do ano passado. A maioria das bicicletas vieram do continente asiático: Taiwan (602 unidades e 37% do volume importado), China (420 unidades e 25,8%) e Camboja (260 unidades e 16%).

De janeiro a maio, foram importadas 23.674 unidades, volume 14,2% maior que as 20.737 bicicletas registradas no mesmo período de 2019. Já as exportações, em maio somaram 861 unidades. Na comparação com o mês passado, quando foram embarcadas somente 15 unidades, a alta foi de 5.640%, e em relação ao mesmo mês do ano passado (2.510 unidades), a queda ficou em 65,7%.

As bicicletas produzidas em todo o território nacional foram exportadas em maio para o Paraguai (494 unidades e 57,4% do total) e Estados Unidos (367 unidades e 42,6%).

No acumulado do ano, os embarques para o exterior somaram 2.838 unidades, representando uma redução de 63,9% na comparação com o mesmo período do ano passado (7.854 unidades). O principal destino foi o Paraguai (1.636 unidades e 57,6% do total), seguido pela Bolívia (505 unidades e 17,8%) e Estados Unidos (373 unidades e 13,1%).

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