Produção de bananas cresce no Amazonas

Por semana o município de Manicoré, localizado no rio Madeira e distante 332 km, em linha reta, da capital, está enviando para Manaus sete toneladas de bananas. Só este ano, até maio, de acordo com dados do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas), 95 toneladas de bananas já vieram do distante município para Manaus, sem desabastecer o mercado local.

“Como é uma cultura que pode ser colhida a cada 15 dias, costumamos dizer que a banana é a renda garantida dos nossos agricultores no final do mês”, destacou o gerente do Idam, em Manicoré, Rigoney Nascimento.

Mas municípios próximos, na Região Metropolitana, também não deixam o manauara ficar sem o delicioso fruto, com destaque para Manacapuru, que produz 1.300.000 cachos/ano.

“Depois vem Manicoré, com 760 mil cachos/ano; Rio Preto da Eva, com 756 mil cachos/ano; Presidente Figueiredo, com 192 mil cachos/ano; e Itacoatiara (distrito de Novo Remanso), com 48 mil cachos/ano. Vale ressaltar que Novo Remanso ainda é um dos grandes produtores de abacaxis do Estado, por sinal um abacaxi peculiar, pois é adocicado”, informou Pedro Chaves da Silva, engenheiro agrônomo, gerente estadual de Produção Vegetal do Idam vinculado ao Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural.

Estes cinco municípios reúnem 4.549 agricultores cultivando bananas numa área de 4.158 hectares o que equivale a igual número de campos de futebol, porém, o total de produtores no Estado chega a cerca de 13.597, cultivando uma área de 11.170 hectares e produzindo aproximadamente oito milhões de cachos/ano.

A banana é a fruta mais popular do mundo, com produção anual de 70 milhões de toneladas. O Brasil é o terceiro maior produtor, com 6,67 milhões de toneladas/ano.

Reforço de Roraima

Outro dado interessante pesquisado pelo Idam é o total de bananas consumidas pelos manauaras semanalmente: 2.434 toneladas.

“Em 2018 a produção de bananas do Amazonas foi de 7.723.590 cachos. Ano passado houve um aumento de 4,03% chegando a 8.035.270 cachos, e 2020 deve fechar com mais um aumento nessa escalada”, afirmou Pedro Chaves.

“Esse crescimento se deve ao maior incentivo do uso de tecnologias e de produtores em vários municípios, além dos regimes de enchentes e vazantes, que proporcionam a continuidade dos plantios em várzea”, disse.

Apesar de toda essa gigantesca produção, ainda assim, Manaus recebe uma força dos produtores de Roraima, em determinados períodos do ano, na entressafra. Para não ficar desabastecida, a capital amazonense é obrigada a importar o fruto do Estado vizinho. É visível nas feiras e mercados quando as bananas rareiam e seu preço aumenta.

“Os municípios conseguem abastecer Manaus com apenas 63% de seu consumo, sendo necessário importar os restantes 37% de Roraima. Durante a entressafra da banana o percentual importado chega a 50%”, esclareceu Pedro.

“A produtividade de bananas no Amazonas é extremamente baixa, de sete a oito toneladas por hectare, e estamos mostrando aos agricultores que se pode chegar de 20 a 25 toneladas por hectare”, falou Luadir Gasparotto, pesquisador da Embrapa.

“Queremos aumentar a longevidade do plantio em até 15 anos, porque nosso plantio não dura mais do que três anos. O Estado tem todo o potencial de aumentar a produção pelo menos para suprir o consumo da população. Temos sol, chuva e terra para isso”, garantiu o pesquisador. 

Vencendo as doenças   

A Embrapa é a principal responsável pelo aumento da produção do fruto não só no Amazonas, mas em outros Estados do Norte, graças às pesquisas que vem desenvolvendo desde 1999.

Doenças como a sigatoka negra, a sigatoka amarela e o mal-do-panamá são vilãs terríveis, mas as novas técnicas desenvolvidas pela instituição de pesquisas, como cultivares resistentes, utilização de mudas sadias, manejo fitossanitário e nutricional do plantio, tem sido importantes no combate a essas pragas possibilitando que o Amazonas possa competir em qualidade, produtividade e preço com frutos cultivados fora do Estado.

Nas feiras, podemos encontrar uma variedade bem grande de bananas como a Pacovan, a Caipira, a FHIA 18, a Thap Maeo, a Prata Zulu, a Prata Caprichosa, a Prata Garantida e a Prata Karen, resistentes à sigatoka negra.

A Embrapa ainda apresenta outras variedades: BRS Pacoua, BRS Princesa, BRS Japira, por meio de URTs (Unidades de Referência Tecnológica), sob a coordenação de Gasparotto e Mirza Carla Normando, também pesquisadora.

“Além dos municípios citados, com o apoio da Embrapa e da Sepror, pretendemos ampliar a atenção aos agricultores familiares e produtores rurais de Borba, Coari, Careiro, Codajás, Humaitá, Iranduba e Novo Aripuanã objetivando, nos próximos anos, tornar o Amazonas auto-sustentável em sua produção não só de bananas, mas de vários outros frutos”, adiantou Pedro.

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