Produção agrícola do Amazonas mantém estimativa em março

O IBGE manteve sua previsão para a safra agrícola do Amazonas, em sua revisão de março. A estimativa ainda é que o Estado produza 1.787.040 toneladas até o fim deste ano 2020, 4,59% a menos do que o obtido na safra de 2018/2019 (1.873.122 toneladas). As áreas de plantio e colheita também seguem as mesmas e empatadas com o período anterior. Os dados foram divulgados nesta quinta (9).

A taxa negativa segue puxada pela baixa expectativa em relação à mandioca, cuja produção deve ficar em 1.239.598 toneladas neste ano, 6,9% a menos do que o registrado na safra de 2018/2019 (1.331.531 toneladas). Carro-chefe do setor agrícola do Estado, a mandioca chegou a alavancar os números da agricultura amazonense em 58,1% no ano passado, segundo o IBGE. 

Cereais, leguminosas e oleaginosas comparecem com estimativa de produção de 41.420 toneladas, montante 0,5% maior do que o registrado na safra anterior (41.207 toneladas). Os números de área plantada (170.856) e colhida (22.930), contudo, seguem iguais aos de 2018/2019.

Cacau (-4,2%), banana e laranja (ambos com -2,2%) também comparecem no levantamento com números negativos, após amargar queda também no ano anterior. A produção do cacau caiu para 1.266 toneladas, em intensidade maior do que a apresentada na safra anterior (-1,34%). Banana (109.913 toneladas) e laranja (65.232) tiveram retrações mais suaves em relação ao mesmo período (-10,08% e -6,11%, respectivamente).

O melhor número da safra agrícola do Amazonas deste ano aparece na cana-de-açúcar (+3,5%), conforme as estatísticas do IBGE. A estimativa é que a produção aumente para 283.676 toneladas. Outro dado positivo vem da projeção para a primeira safra do milho (+1,1%), que deve render 19.093 toneladas. 

Já a previsão de alta do arroz (14.220 toneladas) é de apenas 0,1% para a safra de 2019/2020. As previsões do IBGE para as duas safras de feijão – 4.107 e 4.000 toneladas – e para os cafés arábica (1.836) e canephora (2.679), por outro lado, apontam para estabilidade.

“Esperamos que essa expectativa de redução, ainda que pequena, não venha a se confirmar. Principalmente porque a cheia deste ano não deve estar em nível acima da normalidade, e isso favorece a produção de várzea. E também pelas medidas estaduais e federais de apoio ao setor rural, diante da pandemia de coronavirus”, ressaltou o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas), Muni Lourenço, ao Jornal do Commercio.

Acesso ao crédito

Mesmo diante do recuo previsto pelo IBGE, o titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, garantiu ao Jornal do Commercio que a produção rural identificada pelo Instituto ao final de 2020 será maior do que a do ano anterior. O secretário estadual espera que o pacote de ações para incentivo do setor primário lançado pelo Executivo do Amazonas, assim como programas federais, reforcem a atividade.  

“Apesar da crise em tempos de pandemia do corona vírus, as medidas anunciadas pelos governo estadual e federal ajudarão no aumento da produtividade e, consequentemente, na produção. A revogação da Portaria do Ipaam, determinada pelo governador Wilson Lima, para que o processo de licenciamento seja menos burocrático vai levar ao aumento do acesso ao crédito na Afeam e aos demais programas do Plano Safra. Essa é a nossa expectativa”, afiançou.

Soja e arroz

Já o ex-superintendente da Conab, administrador com especialização no agronegócio e colaborador do Jornal do Commercio, Thomaz Meirelles, disse que continua não entendendo a ausência da soja do Amazonas nos levantamentos do IBGE, assim como o fato de o órgão federal de pesquisa ainda não ter considerado a safra de arroz em Humaitá, “dado já computado pela Conab”. 

“A melhor de todas as medidas foi a revogação da Portaria 087 do Ipaam. Se a nova realmente desburocratizar a dispensa ou licenciamento ambiental, como quer o governador, o Amazonas dispara na produção agropecuária sustentável. No âmbito federal, os R$ 500 milhões anunciados ao PAA vão estimular a produção dos pequenos agricultores. Vamos ver quanto desses milhões vêm ao Amazonas, e que a Conab local tenha um melhor desempenho operacional, fato que não vem acontecendo nos últimos anos”, encerrou.

Fonte: Marco Dassori

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