Procura por vagas de emprego cresce em Manaus

O segundo semestre do ano, já imprime um cenário de otimismo para quem procura uma recolocação no mercado de trabalho. Após a retomada das atividades em todo país, a busca por vagas de empregos aumentou 63,2%. Em Manaus, a média mensal de busca por vagas de janeiro a julho foi de 15.014. Já de julho a setembro 10.352. Uma variação da análise dos períodos de 53,22% de aumento comparado  ao ano passado. Os dados são do BNE (Banco Nacional de Empregos).

Na contramão da procura, as vagas ofertadas diminuíram 70% em relação ao primeiro semestre de 2019. Já no segundo semestre deste ano, as ofertas caíram 34% se comparado ao ano passado. 

Ao avaliar a retração nas novas seleções, Olegário Borges, CEO do Grupo Hunt, empresa de recrutamento e seleção, diz que apesar do segundo semestre registrar queda em relação a 2019,  foi muito melhor em relação ao primeiro semestre, pois as contratações de vagas operacionais voltaram a ocorrer a partir de julho.

Para ele, é claro que ao comparar o número de empregados do primeiro semestre em relação ao segundo deste mesmo ano, observa-se aumento. O impacto no menor  número de ofertas está atrelado aos efeitos causados pela pandemia. “Com certeza o distanciamento social em função da Covid foi o principal fator para o cenário. Todos os nossos clientes que deixaram de nos passar vagas deram essa justificativa”. 

Conforme o especialista, a maior procura por oportunidades está diretamente ligada ao aumento no número de desempregados no país. Pensar num quadro diferente de recuperação financeira pós-Covid ainda preocupa. “Se voltarem a fazer lockdown no Brasil vai piorar. Aliás, estava melhorando desde julho até setembro, mas agora com essa notícia de aumento de casos, retorno de restrições e rumores de volta ao isolamento, já percebemos que não vai ser bom para o mercado de trabalho”.

Há pouco mais de quatro meses o motorista Stélio Souza, 41, está trabalhando como autônomo. Há mais de vinte anos na ativa com carteira assinada, precisou se adaptar ao cenário e procurar novos desafios. Ele faz parte de mais de 1 milhão de brasileiros desempregados, em busca de oportunidade, após a crise causada pelo novo coronavírus.  

“Eu já perdi as contas de quantos currículos eu já distribuí. Mas, a necessidade, nos leva a procura de qualquer oportunidade. Tenho feito uns ‘bicos’, o que tem ajudado manter o sustento da família. Mas é difícil ter que se adequar a esta nova realidade, sem garantias, porque não tem mais o fixo do mês, nem carteira assinada, nem férias, nem décimo, ou seja, eu perdi todos os benefícios”, lamenta.

A informalidade também levou a vendedora Tatiana Aguiar, 28, imprimir pilhas de currículos e ficar à frente do computador pleiteando uma vaga de trabalho. Além de acessar vários bancos de empregos, ainda monitora as redes na busca de oportunidade. “Eu era representante de uma marca de cosméticos em um supermercado, mas a pandemia atrapalhou a manutenção do meu cargo. Foram mais de 12 vendedoras dispensadas. Tenho feito contatos, cadastros pela internet e pedindo apoio de parentes e colegas informando que eu estou disponível para qualquer função e assim vamos seguindo”, diz ela, acreditando que até o mês de dezembro espera está empregada devido às contratações temporárias. 

Período deve ganhar fôlego 

Marcelo de Abreu, presidente do BNE, considera que o segundo semestre será a corrida contra o tempo para a recuperação financeira dos efeitos causados pela pandemia da Covid-19. “Estamos no segundo semestre do ano e se passaram apenas três meses em que nitidamente os dados apontam uma movimentação maior do mercado de trabalho”, disse.

“A tendência é que aumente o número de vagas e de empregados neste segundo semestre. As empresas estão voltando gradativamente ao seu funcionamento, bem como, as pessoas já estão buscando mais para se ativar ao mercado após o isolamento social causada pela pandemia”, finaliza Marcelo.

O BNE também contabilizou de janeiro a junho deste ano 55.903 vagas abertas, já de julho a setembro somam 29.139 vagas pelo Brasil. Esta variação dos períodos é de 25,10% de aumento comparado à média mensal do primeiro semestre do ano.

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