Procura por incubadoras cresce, apesar da burocracia

As empresas incubadas no Cide (Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial) movimentam mais de R$ 12 milhões por, gerando 388 empregos diretos e 2.000 indiretos apenas na capital, informa a organização. Apesar do aumento da procura, os empresários do Amazonas podem esperar até três meses na fila para abrir as portas. Ao menos é o que garante a mais recente pesquisa do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa) sobre o assunto, realizada o ano passado.
O coordenador da incubadora do CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia), Thiago Larry Ferreira, afirma que a procura pelas incubadoras é alta, mas a burocracia não ajuda o pequeno e médio empresariado. “Ainda somos um dos paises mais burocráticos do mundo. Existem coisas que não estão bem claras na legislação e isso atrapalha algumas empresas. Por exemplo, há um entrave se é permitido ou não a venda de alimentos funcionais [alimentos que possuem propriedades terapêuticas] no Brasil”, lamentou.
O microempresário Francisco Daou, dono da empresa incubada Wakusese, que produz polpa de açaí, é da mesma opinião. Este já é o terceiro negócio montado por Francisco. Antes o microempresário possuía uma loja de roupas em um shopping de Manaus, mas foi obrigado a fechar às portas no quinto ano da empresa. “Não deu muito certo devido aos impostos para trazer roupas a Manaus. Para quem quer abrir o próprio negócio, o governo vai atrapalhar no que puder. É por isso que muita gente trabalha na ilegalidade”, desabafou.

Plano Diretor

Há uma série de fatores que influenciam no atraso do novo negócio. Segundo a economista do Sebrae/AM, Socorro Correia, o Plano Diretor de Manaus é o maior entrave para alguns projetos saírem do papel. “Quanto maior for o grau de impacto de risco, ambiental e de segurança pública, maior a espera”, informou.
As microempresas incubadas possuem um prazo médio de dois anos de apoio das incubadoras. Após esse período, elas passam de incubadas para empresas graduadas e devem caminhar sozinhas. O problema é que algumas microempresas possuem tantos equipamentos que não querem pagar o aluguel de um galpão comercial. No caso de Francisco Daou, que já investiu mais de R$ 100 mil em equipamentos, a solução vista por ele é tentar renovar o projeto com uma nova proposta, além da produção de polpa de açaí a empresa também fabricaria sorvete.
O diretor executivo do Cide, Pedro Eduardo, explica que o principal objetivo da incubadora é dar apoio ao empresário ajudando a passar do estágio de maduração do empreendimento, fase que dura de dois a três anos. “Aqui são 44 empresas ligadas ao Cide. Elas recebem apoio de infra-estrutura, palestras e orientações sobre como gerir seu próprio negócio”, ressaltou.

Capital possui oito polos, sendo que apenas um pertence à iniciativa privada

Manaus possui atualmente oito polos de incubadoras. São eles Sebrae, Cide, Ifam (Instituto Federal do Amazonas), Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Fucapi (Fundação Centro de Análise de Pesquisa e Inovação Tecnológica), Martha Falcão e Inpa (Instituto de Pesquisas da Amazônia). Dentre as instituições, a única representante do setor privado e com fins lucrativos é a incubadora de negócios da Martha Falcão. A coordenadora da incubadora, Jani Moura, revela que foram investidos R$ 200 mil na construção da infra-estrutura. Ela acrescenta que, em 30 dias, será lançado um edital com seis vagas disponíveis na instituição. A previsão é que seja cobrada uma taxa mensal entre R$ 100 e R$ 200 dos futuros empresários. A principal exigência da faculdade é que as propostas encaminhadas tenham o foco na inovação em produtos e serviços.
Já o Ifam possui três empresas incubadas sob registro. Há ainda mais duas vagas para serem preenchidas na modalidade empresa residente, a que utiliza a estrutura da incubadora, e 20 vagas para empresas associadas, as que possuem estrutura própria de operação e não utilizam o espaço da incubadora.

Dificuldades técnicas

Esse ano, o interior terá suas primeiras empresas incubadas, segundo o coordenador da incubadora do Sebrae, Célio Picanço. Serão dois novos negócios, um em Manaquiri (a 60 km de Manaus) e outro em Autazes (a 118 km). Os microempresários serão apoiados pelo Sebrae e terão espaço físico construído pelas prefeituras. Apesar disso, as empresas incubadas no interior devem ter dificuldades técnicas. “O principal será o acesso à internet”, finalizou.

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