Procura maior por produtos de alto custo

Dados do Instituto Nielsen dão conta que o ICC (Índice de Confiança do Consumidor) cresceu em 20 pontos nos últimos 10 anos. O que propiciou ao consumidor buscar produtos de maior valor agregado. Produtos considerados de alto custo tiveram um crescimento de 9,6% se comparados a 2011. O crescimento da classe média, que hoje representa 48% da população do Amazonas e mais da metade da população do país, segundo o SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), alavancado por ações promocionais, são os principais fatores para essa mudança no perfil do consumidor.
Apesar do aparente crescimento, o número de endividados e inadimplentes preocupa. Dados do instituto dão conta que o número de compras realizadas através do cartão de crédito cresceu 10% nos últimos 10 anos. Porém esse aumento nos créditos resultou em um aumento da dívida. Em 2005 esse número chegava a 21,5%, contra 44,5% ano passado. A inadimplência bateu recorde no fim do ano passado chegando a 150 pontos percentuais. Para o economista Francisco Mourão Junior “É preciso que o consumidor veja o que é realmente necessário, faça um planejamento das suas contas, para que essas dívidas não continuem crescendo, se não chegará uma hora que eles não poderão continuar consumindo e é ruim para o consumidor e para o comércio.”
A renda média de um consumidor da classe média, segundo o instituto, equivale hoje a R$ 2.658. Desses 29,1% são gastos para a manutenção do lar e 17,15% com alimentação, bebida e produtos de limpeza. Apenas 1,6% são gastos com algo referente ao estudo, como mensalidades, matrículas e livros, o que dá apenas R$ 41 por mês. O valor é menor que o gasto para comer fora, 5,4% ou R$ 144, e vestuário, 8% ou R$ 211 por mês. Francisco Mourão Jr. explica que essa nova classe média é formada sobretudo por consumidores jovens e que deveriam buscar mais investimentos em qualificação. “Estão se preocupando com o agora, com consumo, passeio, celulares novos e não se preocupam em investir para tentar aumentar essa renda no futuro. Não se tem uma preocupação a longo prazo”, critica. Os números dão conta também que nos últimos três anos o consumidor gastou 47% a mais com veículo próprio, 44% a mais comendo fora e 12% a mais com viagens.
O Instituto ressalta que a principal missão do consumidor da classe média é manter o bem estar já adquirido. O desafio não é crescer em volumes, mas na manutenção das escolhas. A classe “C” vem ampliando sua participação no consumo com o aumento da renda, experimentando a expansão do crédito e diversificando seus gastos. O Analista de mercado da Nielsen, Bernardo Canella ressalta que muitas dessas dívidas são de longo prazo, como habitação e veículos. “É justamente nesse ponto que nossa análise quer chegar, apesar de estar mais endividado ele ainda busca qualificar o seu consumo; aí que entra o desafio do varejo e indústria para que o consumidor possa satisfazer seus anseios”, explica.

Brasil oferece maior elasticidade nas compras pelo preço

A pesquisa revela que na America Latina, o Brasil é o que apresenta maior elasticidade nas compras de acordo com a variante do preço. Com índice de 183 pontos, contra 116 de Argentina e 51 da Venezuela, por exemplo. Entre esses, alimentos e cuidados com a casa são os que se apresentam como mais elásticos. 51% da classe média possuem essa percepção para promoções e esta é a principal forma de experimentação de novos produtos por parte do consumidor. Apesar de demonstrar uma grande procura por marcas com referências como forma de melhorar a qualidade dos produtos, as promoções tendem a levar o consumidor a testar, experimentar as novas marcas em ascensão. “Tem espaço para todo mundo, é o desafio da distribuição e execução do ponto de venda, alguns fatores que são importantes para todas as marcas”, comenta Bernardo Canella.
As promoções que apresentam maior estimulo para o consumidor são as do tipo “leve e pague”. Aquelas em que o consumidor paga por duas unidades e teoricamente leva uma terceira de graça, por exemplo. Ela contribui em média com 10,9% no aumento das vendas, contra 4,4% da diminuição de preço convencional e 1% do incremento de brindes. O economista Francisco Mourão Jr. ressalta esse ponto como positivo. “Demonstra uma preocupação de buscar algo mais barato apesar de querer consumir marcas boas.” No entanto ele ressalta que o consumidor deve cuidar para não acabar gastando mais. “Tem que ver se há essa necessidade, se irá consumir o produto, se não o gasto pode acabar saindo maior, o que era para ser economia vira prejuízo”.
O crescimento do sistema ‘Cash & Carry’ também apresentou crescimento de 16,6% no final do ano passado. O princípio do ‘Cash & Carry’ é que seja o próprio cliente a escolher o produto diretamente nas prateleiras, comprando-o e levando-o com ele, evitando assim os custos com vendedores, com transportes e com diversos tipos de serviços não essenciais. Por outro lado, o mix de produtos é geralmente menor do que nos tradicionais e estes são vendidos em embalagens institucionais de grande dimensão, o que permite a prática de preços mais baixos. Já a procura por Hipermercados apresentou um decréscimo de 1,7%.

A importância da propaganda

Outra característica apontada para o consumidor brasileiro é a de ser um consumidor multi meio, que troca informação sobre preços e lançamentos com familiares, consulta jornais, assiste novela e noticiários atrás do que consumir. A pesquisa aponta que 67% dos consumidores tem ideia do que comprar assistindo a propagandas. Número bem superior ao resto da América Latina por exemplo, que apresenta apenas 41%. Além disso 61% admitem que a propaganda influência a preferência por marcas e 54% admitem que a imagem do produto afeta a decisão da compra.
A pesquisa destaca também a importância dos novos meios de comunicação para conquista desse consumidor. Segundo os dados, 96% assistem televisão regularmente e 41% acessam a internet em casa. 43% executam as duas ações simultaneamente. Os programas mais assistidos durante o consumo simultâneo são telejornais (53%), novelas (52%), filmes (30%) e esportes (26%).

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